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Lula fecha apoio de 8 ex-candidatos à presidência para “recuperar a democracia”

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O ex-presidente afirmou que o encontro com lideranças de vários partidos “simboliza a reconstrução do Brasil”

 

 

Representantes do turismo se reúnem com Lula. Eles posam para a foto, atrás da mesa de reunião. Lula aparece no centro.

 

Durante evento político, nesta segunda-feira (19), Lula (PT) fechou o apoio de oito ex-candidatos à presidência da República, incluindo Geraldo Alckmin (PSB), o vice de sua chapa, em uma união histórica com lideranças de vários partidos e posicionamentos..

 

 

Simboliza a vontade que as pessoas têm de recuperar a democracia nesse país. Todo mundo sabe que a democracia não é um pacto de silêncio. A democracia é exatamente o contrário, é a sociedade se movimentando dia e noite na perspectiva de conquistar melhores condições de vida para o povo brasileiro, para mulheres, para homens, para gente que trabalha. Essa reunião aqui, essa fotografia, simboliza a reconstrução do Brasil”, declarou Lula.

 

 

Participaram do encontro: Guilherme Boulos (PSOL)Luciana Genro (PSOL)Cristovam Buarque (Cidadania)Marina Silva (Rede)Fernando Haddad (PT)Henrique Meirelles (União Brasil) e João Vicente Goulart (PCdoB).

 

 

ponto central em comum, destacado por todos, é a necessidade de derrotar Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de outubro.

 

 

“O que vocês estão fazendo com o gesto de hoje, companheiros, é assumindo um compromisso, e não é um compromisso com o Lula. O que vocês estão fazendo é assumindo um compromisso de que esse país vai voltar a viver democraticamente. A sociedade vai participar das principais decisões desse país. As conferências nacionais vão voltar a acontecer no país. Não é o presidente da República e sua assessoria que determinam o que é bom para a sociedade. O que é bom para a sociedade ela tem que determinar e o governo tem que abrir espaço e criar canais de participação da sociedade”, destacou Lula.

 

 

“Eu até agora só ganhei eleições no segundo turno, mas não é porque eu gosto de segundo turno, eu sempre tentei trabalhar para ganhar no primeiro, mas sempre havia alguém que não deixava eu ganhar. Então, é o seguinte, eu outra vez estou trabalhando para ganhar no primeiro turno, cada gesto meu é na perspectiva de mostrar para a sociedade que eu quero ganhar. Obviamente que é uma eleição atípica, porque todos os candidatos, desde o atual presidente aos outros, estão em uma briga contra mim do que contra o próprio presidente. Eles não querem que eu ganhe no primeiro turno. Então, tem duas brigas, de um lado para derrotar o Bolsonaro e para não deixar eu ganhar no primeiro turno. E eu quero ganhar, e por isso eu vou trabalhar”, enfatizou.

 

 

 

Veja outros trechos do pronunciamento de Lula:

Educação

 

 

“É com muita alegria que eu vejo aqui companheiros, Cristovam ligado à Educação. Nós vamos ter que recuperar o que nós fizemos na Educação, e não foi pouca coisa o que nós fizemos nesse país e não foi pouca coisa o que eles destruíram, desde investimento a laboratórios, pesquisadores. É quase que uma política de terra arrasada, porque eles não acreditam na Educação como instrumento importante para o país. E vamos ter que recuperar a Educação, e é importante afirmar que vai ter mais qualidade no Ensino Fundamental. Vocês viram o Ideb da semana passada, que é uma vergonha para esse país, a gente retroceder. Nós temos um compromisso que é quase uma revolução educacional, essa meninada que voltou para a escola mais despreparada do que quando começou a pandemia porque não foi cuidada com carinho, com respeito por ninguém. Nós vamos ter que continuar fomentando as universidades brasileiras, criando novas universidades”.

Cultura

 

 

“Vamos ter que recuperar a Cultura nesse país. A Lei Rouanet para esse governo é uma coisa que não tem nenhuma valia, é jogar dinheiro fora. Um ogro como o Bolsonaro efetivamente não gosta de Cultura, porque a Cultura é uma coisa que desperta o lado revolucionário do ser humano, o lado da conscientização política, e a gente vai voltar a cuidar da Cultura e fazer investimento. A Cultura tem que ser vista como indústria de produzir renda e gerar emprego nesse país. A gente não tem noção de quantos empregos pode gerar uma boa política cultural nesse país”.

Meio Ambiente

 

 

“Os companheiros que cuidam de Meio Ambiente aqui, do clima, sabem que nós vamos ter que recuperar quase tudo que nós fizemos nesse país. Vamos ter que recuperar o Instituto Chico Mendes, o Ibama, o ICMBio, o Conama, ou seja, coisas que eram elementares para que a gente tornasse a sociedade brasileira uma sociedade preocupada com a questão do clima. Eles destruíram, simplesmente destruíram porque não acreditam nisso. Eles acreditam em outras coisas”.

Indígenas

 

 

“A gente vai ter que assumir o compromisso com a questão indígena. Não é apenas demarcar terra e deixar eles lá morrendo de fome. Além de demarcar, a gente via ter que cuidar para que eles possam desenvolver do modo deles aquela região. É por isso que eu estou determinado a criar um ministério para os povos originários. Por que não ter um indígena ministro? Por que pegar todo o pessoal indígena que se formou em medicina e colocá-los para cuidar da saúde dos indígenas desse país?”.

 

 

Veja o que disseram os ex-presidenciáveis:

 

Geraldo Alckmin

 

 

“Sempre tivemos algo em comum, que é a pedra basilar, que é o respeito à democracia e ao povo brasileiro. É o que nos une nesse momento singular e triste da história do Brasil, quando se questiona o processo democrático e se tem saudade da época da ditadura. É hora de reafirmarmos nossa convicção pela democracia. É momento de grande alegria reencontrar lideranças com espírito público, que pensam de forma diferente em muitos setores, mas que estão comprometidas com a democracia brasileira. Violência, morte, negacionismo não é política, é antipolítica. Política é arte e ciência ao encontro do bem comum, e essa arte e ciência ao encontro do bem comum pressupõe o diálogo, a conversa, o entendimento para se poder avançar mais em benefício da população. Então, é com grande alegria que vejo aqui lideranças, das mais expressivas, presentes para trazer o apoio à candidatura do presidente Lula, que neste momento representa uma grande esperança para o povo brasileiro”.

Fernando Haddad

 

 

 

“Estamos aqui para celebrar justamente a diversidade, nossas diferenças. Do lado oposto, o que existe é um autoritarismo que quer anular nossas diferenças, e não existe democracia quando uma força política que está com o poder quer anular as diferenças. A pergunta que nos fazem do porquê estamos juntos, é evidente a reposta: estamos juntos porque queremos preservar aquilo que nos é caro”.

Guilherme Boulos

 

 

“Estamos aqui hoje justamente para dizer que essas diferenças, por mais expressivas que sejam, são menores nesse momento histórico do que aquilo que nos une para preservar a democracia brasileira. A eleição do presidente Lula é essencial para a democracia brasileira”.

Luciana Genro

 

 

“Nós compomos aqui uma frente antifascista. Essa é a melhor definição para o que nós estamos fazendo aqui hoje. Nós nos unimos aqui hoje em torno de ti, meu prezado Lula, do teu nome, da tua força política, da tua liderança política enquanto uma referência de massas para o povo brasileiro, porque nós temos a convicção de que a tua eleição vai nos possibilitar respirar novamente para poder lutar por uma verdadeira democracia”.

Cristovam Buarque

 

 

“O Lula é o melhor que nós temos hoje para presidir o Brasil, é o que tem mais condições de trazer coesão e rumo para o Brasil. Coesão que nunca tivemos muito, por razões sociais, e perdemos o pouco que tínhamos por causa do governo atual. E rumo porque ele já demonstrou que é capaz de trazer empatia, compromisso social e presença internacional. O Lula é o melhor que nós temos hoje. Precisamos barrar o risco, a tragédia, o assombro da reeleição do atual presidente. E Lula, além de ser o melhor, é o que tem mais condições de barrar essa tragédia brasileira. Será uma tragédia termos um segundo turno. Eu não tenho dúvida de que ele (Lula) ganhará no segundo turno, se houver. Mas serão quatro semanas imprevisíveis do ponto de vista de violência nas ruas e fake news para todos os lados”.

 

Marina Silva

 

 

“Essa reconciliação do Brasil consigo mesmo hoje o senhor (Lula) é o que reúne as melhores condições para nos ajudar a realizar e, sobretudo, para ajudar o povo a realizá-la. Existem momentos na história em que a gente percebe que tem algo muito forte em jogo, que é a ‘banalização do mal’, como disse Hannah Arendt. E o que é banalizar o mal? É achar que destruir o meio ambiente é algo que é em benefício do desenvolvimento, e nós sabemos que não é. Que destruir a educação é algo que se faz em nomes de ideologias esdrúxulas, que são o tempo todo apresentadas para colocar pessoas incompetentes no MEC. A banalização do mal é quando existem pessoas que diante da morte, que nós sabemos que é um dos momentos mais difíceis da vida de uma família e de amigos, e a gente vê alguém tripudiando da dor, do sofrimento, do choro daqueles que estão enlutados. Diante dessas circunstâncias, temos que ser uma superfície de sustentação para que o povo brasileiro derrote o Bolsonaro”.

João Vicente Goulart

 

 

“Essas tragédias nacionais acontecem em nosso país e delas temos que extrair todo nosso conhecimento para impedir que isso volte a acontecer. Todos aqueles que lutaram pela democracia e que tombaram no caminho da restauração democrática em nosso país, todos aqueles que de certa forma estiveram presentes junto às reivindicações do nosso povo, estão hoje depositando as esperanças na sua condução. Sabemos que será difícil enfrentarmos todo o desastre provocado por esse último governo, sabemos que a luta será difícil e a união se faz necessária, e se faz necessária porque o Brasil está na frente de todos nós, está na frente de nossas divergências. Presidente Lula, hoje o Brasil precisa de sua condução”.

Henrique Meirelles

 

 

“Sempre me baseei em fatos. Quando trabalhamos juntos no governo, nesse período mais de 10 milhões de empregos foram criados no Brasil. É um fato. Cerca de 40 milhões de brasileiros saíram da pobreza. Tivemos um crescimento médio de 4% durante esse período; vamos comparar com o crescimento agora. Está havendo uma injeção eleitoreira de dinheiro da Economia, que vai criar um problema grande para ser resolvido. Será resolvido, mas é uma coisa que vai dar trabalho. E tudo isso faz com que a previsão de crescimento do Brasil seja 2% este ano e 0,5% no ano que vem. Durante aquele período, além de um crescimento forte, inflação na meta. No período em que a meta de inflação foi de 4,5%, de 2005 até 2010, a inflação média foi de 4,5%. Isso é impressionante. Portanto, esse é um resumo dos fatos. Isso é, na minha opinião, o que interessa: emprego, renda, padrão de vida da população e mostrar quem faz, quem realiza. Eu acredito em fatos, presidente. Eu olho e vejo o resultado do seu governo, e isso nos faz estar aqui. Portanto, vamos em frente”.

 

 

 




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