Em 11 dias, ex-presidente reencontrou movimentos sociais do campo e das cidades, lideranças religiosas, artistas, políticos de vários partidos e reafirmou a força que tem na Região Nordeste

 

 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encerrou, nesta quinta-feira (26), em Salvador, Bahia, sua viagem de 11 dias pela Região Nordeste, realizada após ter de sua liberdade e seus direitos políticos restituídos. Lula confirmou a força que tem nos movimentos sociais e populares – do campo e das cidades –, às centrais sindicais, aos ativistas LGBTQIA+, às juventudes, aos povos tradicionais, a lideranças políticas regionais de partidos diversos, e a artistas nordestinos, dentre eles, Hilton Acioli, autor de “Lula lá”, jingle das eleições presidenciais de 1989, e o cantor Ednardo, que compôs “Pavão Misterioso” (1974), sucesso da Música Popular Brasileira (MPB.

Acompanhado da presidente do PT Nacional, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), Lula foi recepcionado por lideranças do seu partido em todos os estados. Por onde passou, entre os dias 15 e 26, Lula fez fortes críticas ao governo Jair Bolsonaro (ex-PSL), acusando-o de tratar com “descaso” a vida das pessoas, diante da pandemia da Covid-19. Também criticou o desmonte das políticas públicas, deixadas pelos governos petistas democrático-populares – Lula e Dilma – e a privatização do patrimônio público.

Todavia, o ex-Presidente descartou atos de vingança, afirmando que a política não comporta raiva nem ódio, e sim “inteligência e sabedoria”. Com este ânimo, “convocou” as lideranças populares, sociais, sindicais, artistas e povos tradicionais, dizendo: “Teremos de reconstruir o Brasil e essa é uma tarefa de todos”.

Em diálogo com lideranças populares, ele recebeu agradecimentos de pessoas que falaram de transformações em suas vidas, a partir dos programas sociais de educação, saúde e transferência de renda, durante seu governo e o da ex-presidente Dilma Rousseff. Em toda a viagem, Lula procurou dizer que sua ida ao Nordeste é só o começo de uma grande articulação com vistas a “recuperar o Brasil”.

 

Lula em cada estado

 

 

Pernambuco – Lula começou sua viagem pelo Nordeste, em Recife, onde esteve com lideranças do seu partido, conversou com políticos de outros partidos, como o governador do PE, Paulo Câmara, e dirigentes do PT, PCdoB e Psol, além de lideranças dos movimentos sociais e populares e recebeu agradecimentos de jovens que foram beneficiados com programas sociais do seu governo, como o Fies e o Prouni.

Lula visitou o assentamento Che Guevara, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na Região Metropolitana, e conheceu a produção de alimentos agroecológicos, destinados ao Mãos Solidárias, projeto que já doou cerca de 800 toneladas de alimentos para famílias em situação de vulnerabilidade social por casal da pandemia.

Lula falou de seu “orgulho” em poder visitar sua terra. “Não só porque é meu estado natal, não só porque é a terra do meu pai e da minha mãe, mas porque encontrar com vocês trabalhadores, professores, e sobretudo os trabalhadores rurais, é uma honra muito grande”, declarou Lula.

Piauí – Em seguida, no Piauí, Lula participou de eventos com lideranças sociais, sindicais, empresariais e políticas. Em Teresina, conheceu um dos três centros de reabilitação do Estado, destinado a atender pacientes que ficaram com sequelas da Covid. Ao saber que três dos cinco centros de reabilitação de sobreviventes da Covid, que existem no país, estão em um Estado, que é governado pelo PT, Lula disparou: “Já deveria haver pelo menos um centro desses em cada capital do país”.

Maranhão – No Maranhão, Lula foi recepcionado pelo governador, Flávio Dino (PSB), participou de um evento com lideranças indígenas, realizado na Área de Preservação Ambiental do Itapiracó, e recebeu o título de Guardião dos Territórios Indígenas. Das mãos da coordenadora nacional da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Sonia Guajajara, e do cacique Pistola, ele recebeu uma lança, um capacete e um colar indígenas – que simbolizam a honraria.

“Não suportamos mais o Brasil à deriva, sem governo”. A Mãe Terra está convocando os indígenas a lutarem pela proteção da Floresta Amazônica e todos os demais biomas. O Cerrado, a Mata Atlântica, o Pantanal, a Caatinga, estão todos pedindo socorro. Esse é o último chamado da Mãe Terra: protejam os nossos ecossistemas e busquem a reconexão com a sua ancestralidade. Somente a reconexão com a ancestralidade pode salvar o futuro da humanidade”, afirmou Sonia Guajajara.

O ex-presidente conheceu um hospital, esteve com bispos, visitou escolas técnicas federais no Estado e acompanhou a assinatura do projeto de lei do Estatuto Estadual dos Povos Indígenas, encaminhado para apreciação do deputados.

 

 

Ceará – No Ceará, Lula visitou as instalações do Complexo Portuário do Pecém, e ouviu do governador do Estado, Camilo Santana, a potência econômica e social do terminal, que foi transformado em Zona de Processamento de Exportação do Ceará (ZPE), em 2010, e que até o fim do ano, deverá bater recorde na escoação de produtos e alimento. Lula se encontrou com lideranças políticas e com artistas populares que lutam para mantar a cultura do Nordeste, e ouviu do cantor cearense, Ednardo, a declamação de um trecho de sua composição, “Pavão Misterioso” (1974). Comparando Lula ao “pássaro sagrado’, o artista declamou: “Derrama essas faíscas/ Despeja esse trovão/ Desmancha isso tudo, oh/ Que não é certo não….”. O cantor recebeu um abraço do ex-presidente.

No campo político, Lula se reuniu com representantes do Psol, PCdoB, PSDB, MDB, PDT e do PT. Dialogou, também, com o senador Tasso Jereissati, do PSDB. Além do governador Camilo Santana, outras lideranças petistas – os deputados federais José Guimarães, Luizianne Lins e José Airton Cirilo e do presidente estadual da sigla, Antônio Filho – prestigiaram a presença de Lula no Estado.

Rio Grande do Norte – Em Natal, Lula foi recebido pela governadora Fátima Bezerra, única mulher a governar um Estado no país, atualmente. O ex-presidente Lula se deixou descerem lágrimas, ao se reencontrar, com o compositor Hilton Acioli, autor de “Lula lá”, o jingle que marcou a campanha presidencial de 1989, quando Lula concorreu pela primeira vez à Presidência da República.

Em discurso, Lula lembrou a passagem dos 67 anos da morte do ex-presidente Getúlio Vargas, defendendo o legado deixado pelo líder gaúcho, na conquista dos direitos dos trabalhadores. Ressaltou o golpe que Vargas sofreu, “por conta das transformações que estava implementando no país, tais como o salário mínimo, o 13º salário e o direito a férias, e a industrialização do país, com a criação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em 1946.

“Fiquei muito triste quando soube que estão privatizando a refinaria Clara Camarão, que fizemos aqui no Rio Grande do Norte, e que estavam vendendo todos os poços de petróleo em terra do estado”, lamentou dizendo que a história de desenvolvimento do RN, está ligada à história de Getúlio Vargas, porque foi no estado que se descobriu o primeiro poço de petróleo do país, dando origem à Petrobras, criada por Getúlio em 1953.

O ex-presidente Lula terminou sua passagem pelo RN, participando da reunião do Consórcio de Governadores do Nordeste, realizada em Natal.

Bahia – Recepcionado pelo governador Rui Costa, Lula participou do ato “Combater a Fome e Reconstruir a Brasil”, organizado com os movimentos sociais, oportunidade em que ouviu de ativistas do campo e das cidades, o pedido para que ele volte a comandar do país, para voltar a incluir no Orçamento geral brasileiro, as populações excluídas.

“É no semiárido que a vida pulsa, é no semiárido que o povo resiste”, bradou Cícero Félix, representando todos os trabalhadores e trabalhadoras da Agricultura Familiar. Afirmando que o Brasil de hoje “é o Brasil da exclusão e da fome”, Cícero disse que a valorização da agricultura familiar agroecológica é uma forma de salvar o planeta.

Representações dos povos originários entregaram a Lula um chapéu e o cacique Emanuel, disse: “Quando Lula era presidente não precisava de manifestação, porque o governo abria agenda para nos receber e nos ouvir”. Lula também esteve com os movimentos negros na Senzala do Barro Preto, no bairro da Liberdade.

Além do governador Rui Costa, Lula também foi recepcionado por outras lideranças políticas:  o deputado estadual Robinson Almeida, vice-presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, e o senador Jaques Wagner, ambos do PT, o senador do PSD, Otto Alencar, e a deputada federal Lídice da Mata, do PSB.

O ex-presidente encerrou, na Bahia sua visita a Estados do Nordeste. E o fez, exatamente como gosta: fazendo política. Ontem, Lula se reuniu com lideranças da base aliada no Estado (PT, PSD, PP, PSB, PCdoB, POM e AVA).