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Lula e a dúvida sobre o que fazer: a tecnologia contra o trabalho  

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A pouco mais de duas semanas do primeiro turno da eleição presidencial, Lula teve estes dias uma oportunidade rara de discutir mais amplamente e detalhadamente suas propostas de governo e também de revelar uma atitude de modéstia e dúvida diante de uma questão que o preocupa e para a qual procura respostas. Uma atitude saudável, que em tudo o opõe à onipotência arrogante de figuras como Bolsonaro e seu mestre Trump, sempre com certezas inabaláveis.

 

Em encontro com representantes de cooperativas em São Paulo, Lula reconheceu francamente que está em dúvida sobre como cumprir sua meta de criar empregos, “diante do aumento da automação da mão de obra”. Esse problema já existia quando Lula foi eleito Presidente há exatos vinte anos, em 2002, e seu governo enfrentou-o com grande sucesso ao longo de oito anos, com uma política de inclusão social que reajustava o salário mínimo sempre acima dos índices de inflação e de crescimento econômico que transformou o Brasil e sexta maior economia do mundo.

 

Se agora Lula fala nas dúvidas que tem, é por saber que nas atuais condições da economia mundial e da economia brasileira não bastará tentar a repetição do que fez em seus dois governos.

 

Do período de 2003 a 2010 pelo qual se estenderam esses governo ao período que terá início em janeiro do 2023, a concentração de renda no mundo agravou-se a ponto de ser hoje maior, mais perversa e mais cruel que nos anos anteriores à Revolução Francesa, há quase um quarto de milênio. Foi o avanço da tecnologia que permitiu o avanço avassalador da financeirização da economia, com o controle, por bilionários como Elon Musk, de ativos que beiram o trilhão de dólares.

 

Essa situação da economia mundial reproduz-se no Brasil com perversidade e crueldade ainda maiores, depois que no golpe do impeachment em 2016, dois governos fizeram o Brasil cair da sexta para a décima-segunda posição na economia mundial e ressuscitaram a miséria eliminada nos governos Lula com cenas que o Brasil nunca tinha visto antes, mulheres e homens, crianças e velhos disputando ossos e outros restos em caminhões de lixo.

 

Diante desse quadro, Lula terá de avançar muito mais do que avançou em seus governos e sua confissão de dúvida não foi um gesto de impotência, mas um convite ao debate. Como é – perguntou ele – que a gente vai responder?

 

– Os avanços tecnológicos – disse em seguida –  não criam mais empregos, mas servem para aumentar a capacidade produtiva. Por isso, não é possível brigar com esse fato. Os avanços tecnológicos criam mais riqueza, mais produtividade, mais condições de ganhar e acumular na mão de uma pessoa só.

 

Aí ele já entrou na grande questão econômica dos dias de hoje, o agravamento vertiginoso da concentração de renda, que acaba de promover o desconhecido bilionário indiano Gautam Adani à posição de segunda pessoa mais rica do mundo, à frente de Jeff Bezos e atrás apenas de Elon Musk.

 

À medida que a concentração avança, avançam também a uberização do emprego e outras formas de precarização trabalho:

 

– Precisamos, então – prosseguiu Lula – discutir como é que vamos criar trabalho para o povo brasileiro, para as mulheres e homens que querem estudar, trabalhar e querem ter certeza que vão construir famílias, vão ter casa para morar e vão viver uma vida digna. Como é que a gente vai responder isso? Queria dizer para vocês que eu não sei como fazer.

 

Esse como fazer, que não comporta resposta automática, terá de ser buscado coletivamente, num debate que envolva toda a sociedade brasileira. A dúvida de Lula é na verdade a proposta de um pacto social de dimensões e alcance como nunca antes se cogitou. E o fato de começar tão timidamente não significa que não possa mobilizar o país inteiro.

 

 

(*) Por José Augusto Ribeiro – jornalista e escritor. Publicou a trilogia A Era Vargas (2001); De Tiradentes a Tancredo, uma história das Constituições do Brasil (1987); Nossos Direitos na Nova Constituição (1988); e Curitiba, a Revolução Ecológica (1993). Em 1979, realizou, com Neila Tavares, o curta-metragem Agosto 24, sobre a morte do presidente Vargas.

 




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