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Lira defende mercantilização da vacina, mas farmacêuticas negam venda a empresas privadas

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As farmacêuticas Astrazeneca, Butantan, Janssen e Pfizer, produtoras da vacina contra a Covid-19, informam, mais de uma vez, que negociam a distribuição do imunizante apenas com o governo federal e órgãos públicos

 

 

Mesmo com os vários avisos que as farmacêuticas tem feito desde o ano passado, empresários brasileiros ligados ao governo Jair Bolsonaro (ex-PSL) e ao ministro da Economia, Paulo Guedes, não desistem. Eles dão um tempo e voltam a mostrar interesse em negociar a compra de vacinas contra a Covid-19 para si e “seus funcionários.

 

 

Isso não será arrancado facilmente das empresas estrangeiras, segundo o Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma). O sindicato informa que as farmacêuticas associadas não querem negociar a venda do imunizante com o setor privado.

 

 

Em nota, a entidade disse que as empresas AstraZeneca, Butantan, Janssen e Pfizer estão negociando, fornecendo e distribuindo suas vacinas contra o coronavírus, exclusivamente, para governos federais e organismos públicos internacionais da área da Saúde.

 

 

“Neste momento, nenhuma empresa ou pessoa física está autorizada a negociar em nome destas empresas fabricantes de vacinas contra a Covid-19 com nenhum ente público ou privado, seja direta ou indiretamente”, diz o comunicado.

 

 

 

Projeto para enfraquecer o SUS e mercantilizar a vacina

 

 

A Câmara dos Deputados deve votar, na próxima semana, o Projeto de Lei nº 948/2021, que permite a compra de vacinas contra a Covid-19 pela iniciativa privada. O PL, de autoria do deputado federal Hildo Rocha (MDB-MA), altera a redação do artigo 2º da Lei nº 14.125, que permite a compra de vacinas desde que as doses de imunizante sejam doadas ao Sistema Único de Saúde (SUS).

 

 

Atualmente, a legislação permite a aquisição, contanto que os imunizantes sejam doados ao Sistema Único de Saúde (SUS). A intenção do projeto seria que as empresas repassassem apenas metade das vacinas ao SUS. O restante poderia ser utilizado para aplicação gratuita em funcionários, estagiários, autônomos e terceirizados, assim como em familiares dos empresários.

 

 

 

Em sua conta no Twitter, o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL) defendeu a proposta.

 

 

 

“Tem uma discussão que inicia-se hoje na Câmara e tem que ser transparente, que é da possibilidade da iniciativa privada também adquirir vacinas, para que o empresário possa vacinar os seus funcionários e seus familiares, para manter a sua empresa, o seu negócio de pé”, afirmou.

 

 

 

“O projeto que anunciamos hoje prevê também a vacinação dos familiares diretos dos funcionários das empresas privadas que optarem pela compra de vacinas. O empresário poderá também doar cem por cento das vacinas para o SUS”, explica, sem dizer que a lei atual já determina essa doação”, disse o representante do centrão.

 

 

Para o biólogo e pesquisador Atila Iamarino, uma autoridade sobre o combate à covid-19, a promessa de mais vacinas não resolve agora. “Batemos ontem 3.780 mortes por covid registradas. A curva de casos continua subindo. Promessa de mais vacinas não resolve agora. É fechamento. O comitê anti-covid sequer cita isso”, critica. “Agora propõem flexibilizar a ordem de vacinação. Virou comitê anti-PNI. Vamos trocar o PNI – Plano Nacional de Imunização pelo PNMPP – Plano Nacional do Meu Pirão Primeiro”.

 

 

Com informações do Metrópoles e Rede Brasil Atual e edição do Jornal Brasil Popular

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