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Líderes religiosos se unem pelo impeachment

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É a primeira vez, no Brasil, que cristãos protocolam pedido de impeachment contra um Presidente da República. Cada vez mais setores da sociedade aderem ao #ForaBolsonaro

 

O ato público que marcou a apresentação de mais um pedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro ocorreu no Salão Verde da Câmara dos Deputados na tarde desta terça-feira (26). Líderes evangélicos e católicos de todo o Brasil formaram a Frente Ampla Cristã e apresentaram o 63º pedido de impedimento.

 

O pedido da frente cristã soma 63 novos setores da sociedade aderindo ao Fora Bolsonaro. , a pressão pela abertura de um processo de impeachment contra Bolsonaro (sem partido) aumenta a cada dia. O principal argumento grupo é o de que ele agiu com negligência na condução da pandemia de Covid-19, nunca perdendo uma oportunidade para agravar ainda mais a crise sanitária e econômica.

 

É a primeira vez que representantes desse segmento se unem para encaminhar, no Brasil, uma denúncia contra um Presidente da República por crime de responsabilidade. O pedido de impeachment é assinado por religiosos católicos, anglicanos, luteranos, metodistas e pastores. Romi Márcia Bencke, do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil, a negligência de Bolsonaro chegou ao ápice com a crise em Manaus.

 

O grupo conta com o respaldo do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), da Comissão Brasileira Justiça e Paz da Confederação Nacional de Bispos do Brasil (CNBB) e da Aliança de Batistas do Brasil. Dentre os signatários estão dom Naudal Alves Gomes, bispo primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, e dom José Valdeci Santos Mendes, bispo de Brejo (MA) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Sociotransfomadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

 

Daniel Seidl, secretário executivo da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, da CNBB, falou em nome do grupo católico e explicou que a entidade assina o documento no momento em que se agravada a situação do Brasil. “Mais de 218 mil pessoas praticamente assassinadas pelo descaso, pelo descuido. E aqui quero chamar a atenção de toda a população e pedir aos deputados que levem ao presidente desta Casa o clamor do povo brasileiro”. Ele pediu empenho da Casa no sentido de acelerar a votação do impeachment e chamou o pedido de “pacto pela vida”.

 

Na semana passada, o teólogo Tiago Santos, um dos autores do pedido de impeachment da frente, declarou à imprensa que “uma parcela da igreja deu um apoio acrítico e incondicional ao Bolsonaro, independentemente, do discurso que ele defendia. Queremos mostrar que a fé cristã precisa ser resgatada e que a igreja não é um bloco monolítico”, afirmou.

 

Nesta quarta-feira (27), 15h, também no Salão Verde, os partidos de oposição vão lançar mais um pedido de impeachment e um pedido de CPI contra o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e a gestão da saúde. “Será o 64º pedido de impeachment com base nos novos fatos que demonstram, cabalmente, a política criminosa de Bolsonaro. Não é crime só de responsabilidade, é crime de verdade”, disse do deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP).

 

Além da deputada federal e presidente nacional do PT, Gleici Hoffmann (PR), o deputado federal José Guimarães (PT-CE) também prestigiou a apresentação do pedido dos grupos religiosos e confirmou: “Nesta quarta, partidos de esquerda, como PT, PDT, PSB, PSOL e PC do B, além da Rede, também vão protocolar, na Câmara, um outro pedido de afastamento de Bolsonaro, desta vez com o mote “Pelo impeachment, pela vacina e pela renda emergencial”.

 

O 62º pedido foi protocolado há menos de uma semana. Na quarta-feira (20/1), o documento assinado por 1.450 ex-estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) foi entregue ao presidente da Casa Legislativa, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Tanto o pedido dos estudantes da USP como o da Frente Ampla Cristã ainda não foram compilados pela Secretaria Geral da Mesa. No entanto, dos pedidos já compilados, quatro foram arquivados por serem considerados apócrifos e porque a certificação digital utilizada no protocolo do pedido não era do autor.

 

Nos discursos, os líderes religiosos destacaram não só as falhas do governo Bolsonaro durante a crise do coronavírus, as idas e vindas sobre a importação de vacinas da China e da Índia, mas também a política econômica excludente, que, em conjunto com a não gestão da pandemia elevaram a temperatura política.

“Danos irreparáveis”

No pedido formalizado nesta terça, os líderes religiosos acusam o Presidente de agravar a crise do novo coronavírus e, consequentemente, o número de mortes. No entendimento do grupo, Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade e desrespeitou princípios constitucionais e o direito à vida e à saúde. Mais de 210 mil pessoas já morreram em decorrência de Covid-19.

 

Além disso, as declarações de Bolsonaro durante a pandemia, como chamar o novo coronavírus de “gripezinha”, são citadas no pedido de impeachment apresentado pelos religiosos. “As ações e omissões de Jair Bolsonaro, que seguem em repetição e agravamento, levaram e seguem levando a população brasileira à morte e geraram danos irreparáveis. Isso é crime de responsabilidade. Crime contra os direitos e os princípios constitucionais mais primários: à vida e à saúde”, diz a peça.

 

O bispo primaz da Igreja Anglicana do Brasil, Naudal Alves Gomes, a presidente da Aliança de Batistas do Brasil, Nívia Souza Dias, e os teólogos Lusmarina Campos Garcia, Leonardo Boff e Frei Betto também estão entre os signatários da ação.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo e PT na Câmara

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