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Lideranças camponesas se reúnem em 1ª Oficina Territorial de Autoformação no Piauí

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1ª Oficina Territorial de Autoformação do Projeto “Gênero, Quintais Produtivos e Desenvolvimento Territorial Saudável, Sustentável e Solidário” é realizada no Piauí

 

Saúde é Vida! Essa foi uma das grandes afirmações das(os) participantes e convidadas(os) durante a primeira Oficina Territorial de Autoformação no Piauí do Projeto “Gênero, Quintais Produtivos e Desenvolvimento Territorial Saudável, Sustentável e Solidário”, realizada nas manhãs dos dias 20 e 21 de maio, por plataforma virtual.

 

 

A oficina reuniu lideranças, assessorias da CONTAG, FETAG-PI, dos Sindicatos, mulheres da Rede de Educadoras(es) da ENFOC e da Rede de Comunicadoras(es) do MSTTR, agricultoras familiares que desenvolvem experiências de quintais produtivos, representantes de organizações parceiras, entre outras convidadas(os) do Território de Cocais, envolvendo os municípios de Batalha, Lagoa de São Francisco, Pedro II e Piripiri.

 

 

O objetivo geral da oficina foi construir entendimentos comuns sobre o Projeto “Gênero, Quintais Produtivos e Desenvolvimento Territorial Saudável, Sustentável e Solidário” e possibilitar a ativação de uma rede de agentes de desenvolvimento territorial para a promoção da saúde, soberania alimentar e geração de renda, com o protagonismo das mulheres.

 

 

A abertura política contou com a participação das Diretorias da CONTAG, da FETAG-PI, da Coordenação e dos Sindicatos do Território de Cocais, de representantes da Fiocruz e de organizações parceiras locais.

 

 

A presidenta da FETAG-PI e deputada estadual (PCdoB-PI), Elisângela Moura, reforçou a importância dessa cooperação importante entre a CONTAG e a Fiocruz. “A fome assola a nossa sociedade. Esse projeto vem trabalhar junto aos nossos territórios, vem apoiar e potencializar as ações da nossa agricultura familiar, na produção de alimentos e na garantia da soberania e segurança alimentar, tendo as mulheres como grandes protagonistas”.

 

A secretária de Mulheres da CONTAG, Mazé Morais, que é agricultora familiar no município de Batalha, envolvido nesta oficina territorial, destacou que essa cooperação entre a CONTAG e a Fiocruz vem de uma aliança antiga, mas que também foi fortalecida na 6ª Marcha das Margaridas, realizada em 2019. “Estou muito otimista! Acredito que essa parceria vai além dos quintais produtivos e ela vem destacar a importância das mulheres e da Agroecologia”.

 

 

O presidente da CONTAG, Aristides Santos, completou que o acordo firmado também tem relação direta com o projeto político do MSTTR. “A partir das ações planejadas, com certeza vamos fortalecer o Projeto Alternativo de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário (PADRSS), abrangendo temáticas sobre as políticas de saúde, da produção sustentável de alimentos saudáveis, que têm total relação com o nosso projeto político”.

 

 

Os representantes da Fiocruz também exaltaram a importância dessa cooperação. “Não existe economia se não existir vida. Temos que ter políticas públicas saudáveis, que estimulem a vida. O que está acontecendo no País, e a CPI da Pandemia está mostrando, é uma política deliberada que está levando à morte”, denunciou Wagner Martins, da Fiocruz Brasília. Elaine Ferreira, da Fiocruz Piauí, ressaltou a importância de realizar o projeto junto às mulheres, que são as mais impactadas pela pandemia. “O 1º óbito no Brasil por Covid-19 foi de uma mulher negra e pobre. É difícil ser mulher, ainda mais negra e indígena no nosso País. Então, viva as mulheres e um viva também aos homens que são solidários e que estão na luta por uma sociedade mais humana”.

 

 

Programação

 

 

Após a abertura, ainda no primeiro dia (20), foi feito um debate sobre o contexto social, político e econômico no qual o Projeto “Gênero, Quintais Produtivos e Desenvolvimento Territorial Saudável, Sustentável e Solidário” está inserido. Participou desse diálogo o presidente da CONTAG, Aristides Santos, e Wagner Martins, da Fiocruz/DF. Na sequência, Socorro Souza, da Fiocruz/DF, apresentou o Projeto propriamente dito, os seus objetivos, sentido e intencionalidades.

 

 

No momento seguinte, através de uma exposição dialogada, foram discutidas, em dois painéis, temáticas estruturantes do projeto: desenvolvimento territorial saudável e sustentável, educação popular, agroecologia e saúde e a relação entre estes temas. Participaram desse momento Miscilene Cruz, dirigente do STTR de Batalha/PI, Wagner Martins, da Fiocruz/DF, Edjane Rodrigues, secretária de Políticas Sociais da CONTAG, Alexandre Pessoa, da Fiocruz/RJ, e Mazé Morais, secretária de Mulheres da CONTAG. E assim, foi finalizado o primeiro dia.

 

 

O segundo dia (21) foi iniciado com trabalho em grupos, onde as(os) representantes dos municípios de Batalha, Lagoa de São Francisco, Pedro II e Piripiri discutiram o que tem sido feito no território em relação às questões levantadas no dia anterior e que dialogam com o Projeto; as práticas que existem e que se relacionam com a agroecologia e saúde; como essas práticas são vivenciadas e quem são os atores e atrizes envolvidas; quais os desafios enfrentados nas práticas vivenciadas; e que ações podem ser desenvolvidas no território.

 

 

Após a apresentação dos grupos, foi aprovado como encaminhamento a realização de um ciclo de encontros, no território, gerador de planos de ação a partir da priorização dos desafios postos durante a Oficina e a ativação de redes.

 

 

Debates e experiências

Ao longo dessas duas manhãs foi possível ver muita convergência e a potência nas ações já realizadas nos municípios envolvidos no Território de Cocais e a relação direta entre a saúde, a alimentação saudável e a defesa da vida. Também foi reforçado que os quintais produtivos ocupam um papel importante nesse cenário, pois é mais que uma técnica, é uma filosofia do cuidado, resgata a cultura e os saberes ancestrais dos territórios e fortalece as redes solidárias e de comercialização, bem como a produção de alimentos saudáveis para a garantia da soberania e segurança alimentar.

 

Nesse aspecto dos quintais produtivos, foi reafirmado o protagonismo das mulheres nas práticas agroecológicas como fonte de bem-viver e de autonomia econômica. E, durante esses dias, foram apresentadas várias iniciativas protagonizadas pelas mulheres nas comunidades rurais dos municípios envolvidos, como: feira de produtos dos quintais produtivos, confecção de artesanatos, produção de plantas medicinais para remédios caseiros, projetos de casas de sementes, festival gastronômico da galinha caipira, feira dos sabores e saberes, comercialização de produtos via aplicativo de mensagens, utilização de cadernetas agroecológicas, entre outras iniciativas.

 

Entre os desafios, foram citados alguns que precisam ser enfrentados: acesso a mercados, acesso à terra para expandir a produção da agricultura familiar, assistência técnica, logística para escoar a produção, recursos financeiros, infraestrutura e outras dificuldades, principalmente por conta da pandemia de Covid-19.

 

Mazé Morais avalia positivamente a realização desta primeira oficina. “Foi um momento muito forte e potente que mostrou a força da agricultura familiar e das mulheres agricultoras familiares. Acredito que com essa cooperação, entre a CONTAG e a Fiocruz, vamos avançar ainda mais nas práticas agroecológicas, na produção sustentável de alimentos saudáveis e na defesa da vida, da saúde, do SUS e do bem-viver”, avaliou a dirigente da CONTAG.

 

 

Da Contag: Assessoria de Comunicação da CONTAG – Verônica Tozzi

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