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Laboratório inicia fabricação da Sputnik V no Brasil

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Bahia recebeu 4 milhões de seringas e espera a liberação da Sputnik V. Foto: Divulgação/Twitter

 

O governador do Estado da Bahia, Rui Costa, anunciou, nas redes sociais, nesta quinta-feira (21), que o estado recebeu mais de quatro milhões de seringas e afirmou que, apesar da aquisição, a Bahia precisa de mais vacinas. “Continuamos confiantes na autorização do uso da Sputnik V após nossa ação no Supremo Tribunal Federal. Precisamos salvar vidas”, declarou Costa no Twitter. Antes de o governador baiano mencionar a vacina russa, a imprensa avisou que o Brasil já começou a produzir o imunizante com capacidade para produção de oito milhões de doses por mês.

 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirmou, nesta quinta-feira, após reunião com o Laboratório União Química, que os representantes disseram ter interesse em cumprir todas as etapas regulatórias exigidas para avançar com os estudos clínicos no Brasil da vacina Sputnik V contra a Covid-19. “Durante a reunião, os representantes da União Química afirmaram que estão interessados em cumprir todas as etapas revogatórias exigidas para avançar os estudos no Brasil”, informou a Anvisa. O laboratório informou que há 10 milhões de doses já disponíveis para uso emergencial.

 

A reunião só foi realizada porque o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu 72 horas, a contar desta quinta (21), para a Anvisa analisar o pedido de uso emergencial da vacina Sputnik V contra a Covid-19. A decisão o ministro faz parte de uma ação ajuizada pelo governo do Estado da Bahia, que quer comprar a vacina diretamente, sem a intermediação do governo federal. A vacina foi desenvolvida pelo Instituto de Pesquisa Gamaleya, de Moscou, e comercializada pelo Fundo Russo de Investimento Direto Russo (RDIF), cujo diretor, Kirill Dmitriev, confirmou, também nesta quinta-feira (21), que a vacina Sputnik V, contra a Covid-19, já está sendo produzida no Brasil pela empresa União Química.

 

A empresa apresentou à Anvisa, na semana passada, pedido para uso emergencial da vacina no Brasil. No entanto, o pedido foi devolvido, sob alegação de que o produto ainda não passa por testes clínicos de fase 3 no Brasil, requisito para a autorização ser concedida. A Bahia fechou um acordo para a aquisição prioritária de 50 milhões de doses desta vacina em agosto do ano passado. O governo da Bahia, então, requisitou ao STF a possibilidade de compra e distribuição das doses. Lewandowski determinou que a Anvisa forneça ao governo baiano informações sobre a análise do pedido para uso emergencial das doses. A não gestão da pandemia pelo governo federal estimulou os estados e municípios a recorrerem ao Supremo para pedir esse tipo de permissão para vacinas.

 

Todavia, só será materializado quando elas já tiverem sido aprovadas por autoridades sanitárias de outros países, com certificação da Organização Panamericana de Saúde (Opas), ainda que sem o aval da Anvisa. A União Química informou que a Sputnik V já está registrada na Sérvia, Belarus, Argentina, Bolívia, Palestina, Venezuela e Paraguai. Nesta quinta-feira, o presidente da Argentina, Alberto Fernández, foi imunizado com o imunizante. Na Alemanha, as autoridades russas iniciaram o processo de homologação na União Europeia (UE) da Sputnik V e esperam um “primeiro exame (dos documentos enviados) para fevereiro”.

 

A União Química finalizou a transferência tecnológica da vacina russa e, no momento, é a única empresa brasileira a fabricar o Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) em território nacional. Rogério Rosso, diretor de Negócios da farmacêutica disse que as doses devem estar disponíveis já em meados de fevereiro.  “É uma questão de soberania”, disse sobre a incorporação da vacina. A produção no Brasil significa depender menos da importação de IFA de laboratórios internacionais. A falta de produção nacional de insumos e fármacos essenciais para produção de vacinas.

 

A União Química está focada em conseguir as liberações da Anvisa, tal como foi feito, no domingo (17), com a CoronaVac e com a Oxford/ AstraZeneca, as quais também incluem transferência tecnológica, mas os processos não foram incorporados, fazendo com que o Instituto Butantan, responsável pela CoronaVac, e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), parceira da AstraZeneca, dependam da importação do IFA para somente envasar e fracionar no Brasil.

 

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