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Juventude é luta!

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Muitos se perguntam por que jovens que se beneficiaram e continuam se beneficiando das políticas educacionais dos governos petistas foram cooptados com relativa facilidade pelos cantos de sereia da ultradireita, na verdade seu maior inimigo?

 

Claro que os jovens falam por si mesmo e não precisam de um veterano, como eu, que vem do movimento estudantil de 1968, para falar do tema. Mas até mesmo pelo meu tempo de experiência já vi várias gerações de jovens, a começar pela minha, se sucedendo nas lutas e a partir delas formando lideranças e quadros políticos que se destacam no futuro.

 

Já tivemos a onda que culminou em 68, a que ressurgiu nos anos finais de 70 e início dos 80, na luta contra a ditadura e pelas Diretas Já e aquela mais recente que protagonizou o movimento nacional dos Caras Pintadas. Sem querer aqui citar nomes, pois seria impossível, destaco apenas José Dirceu, Marcelo Deda (falecido precocemente) e Lindbergh Farias com exemplos dessas três gerações de jovens que protagonizaram a história.

 

Em minha época, o movimento estudantil era a melhor escola política da juventude. Atualmente, além dessa frente existem várias outras, que formam coletivos e movimentos específicos de luta contra o racismo, pela emancipação feminina e contra a homofobia. Juntos desses movimentos vemos os jovens do MST, do MTST nas lutas por terra e moradia e também os inúmeros coletivos de cultura e outros da juventude religiosa progressista de diferentes correntes e denominações.

 

Novas formas de luta e de organização se desenvolveram, com mais autonomia e sem mais aquela centralização do passado. A luta de ocupação de escolas em São Paulo e Rio de Janeiro e as mobilizações via redes sociais são apenas alguns exemplos.

 

Mas se pergunta: e como fica a grande massa da juventude, especialmente das juventudes populares que vivem nas favelas e periferias e que se mantêm desconfiadas e afastadas de qualquer política, mesmo daquela que transforma as suas próprias vidas?

 

Em todas as épocas que citei sempre existiu uma parcela majoritária da juventude que não acompanhava a luta política, reflexo inclusive do baixo protagonismo do povo brasileiro. Contudo, e apesar dos níveis ainda insuficientes de organização, o nosso povo não foge da luta quando entende o motivo. Ele demora a entrar, mas também demora a sair dela.

 

É de se lamentar que durante os 13 anos de nosso governo, com política educacional inclusiva, qualificação profissional e geração de empregos, perdemos uma oportunidade histórica de construirmos na ampla massa de jovens que se beneficiava desses direitos a consciência política do governo petista como causa e efeito de seu voto e participação.

 

Bastava isso para a nossa resistência ao golpe ter sido muito maior do que foi. Mas o PT deixou tudo por conta dos efeitos eleitorais das políticas públicas de nosso governo. Não levou em conta que o que mais mobiliza os jovens é o protagonismo da participação e não apenas a necessária satisfação material das políticas públicas. A rebeldia é um sentimento ou modo de ser natural da juventude, que por ser jovem ainda vê as coisas como elas são e não como são mostradas pelas ideologias dominantes.

 

Faltou ao PT a visão de que caberia principalmente a ele e não ao governo fazer esse trabalho de educação política das massas populares em geral e das juventudes em particular.

 

Não há outro caminho para o engajamento crescente da juventude senão o da luta por seus direitos e utopias. E de certa forma isso já vem sendo feito por outros partidos da esquerda e por movimentos sociais como o MST e MTST.

 

Ficamos um bom tempo inertes na mobilização da juventude, presos a uma zona de conforto herdada de nosso governo. Nossa militância tem disposição de luta e muita motivação. A sua pronta resposta, em massa, à convocação do partido para as jornadas da Nova Primavera é prova disso.

 

Pelo tamanho de sua liderança nacional e da sua força parlamentar, partidária e de representação na juventude, o PT tem todas as condições políticas e meios práticos para ampliar e elevar a consciência de luta da juventude estudantil e popular. E tudo indica que o PT está volta, se mexendo e procurando seriamente se livrar dos “vícios” da inércia e direção burocrática que, como subprodutos, costumam se agarrar aos grandes partidos.

 

E sempre que o PT se mexe o Brasil estremece. Chegou o momento de efetivarmos nova e criativa mobilização nacional e de organização de núcleos acolhedores nas bases, nos quais nossas experiências de luta ajudem os trabalhadores e sobretudo os jovens que neles ingressarem a aprenderem com suas próprias experiências.

 

(*) Val Carvalho – escritor e militante de esquerda

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