O Brasil não conhece o Brasil. Se essa afirmação é verdadeira para o conjunto do País, ela se afigura como ainda mais inquestionável quando tratamos daquela que é a Amazônia brasileira, que aqui consideraremos como o conjunto de Estados definidos como Amazônia Legal, composta por nove unidades da Federação: Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.

 

 

Essa região corresponde a 58,9% do território nacional e dificilmente pode se falar dela sem apelar para superlativos. Se fosse uma nação, a Amazônia seria o sexto país do mundo em extensão territorial. A região abriga a maior biodiversidade do mundo e possui 20% de toda a água doce da superfície terrestre. Mais que tudo, a região é o lar de 29 milhões de brasileiras e brasileiros (IBGE, estimativa para 2020), o que corresponde a 13,8% da população nacional.

 

 

 

Rica em singularidades, a Amazônia é plural, diversa, múltipla. Na mente do brasileiro médio, Amazônia é sinônimo de uma imensa planície, alagada ou banhada por incontáveis rios, com uma população de ribeirinhos, uma mescla de caboclos e indígenas. Fora desse esquadro, há uma Amazônia industrial, cujo principal símbolo é a Zona Franca de Manaus, onde se produzem microcomputadores, televisores, aparelhos de som e vídeo, celulares e boa parte das motos e bicicletas fabricadas no Brasil.

 

 

 

Na Amazônia, convivem expressões culturais como o carimbó paraense, p boi-bumbá amazonense, o marabaixo do Amapá, o siriri e o cururu mato-grossense, o bumba-boi do Maranhão. O Museu Paraense Emílio Goeldi e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia são instituições científicas de renome mundial. Manaus, Belém e São Luís ultrapassaram a barreira de um milhão de habitantes, sendo Manaus, com mais de 2 milhões de habitantes, a sétima metrópole brasileira.

 

 

 

 

Esta surpreendente e fascinante região é, também, um dos territórios mais cobiçados do mundo pelas potências mundiais, justamente por suas riquezas nas áreas da biodiversidade, dos recursos hídricos e dos recursos minerais. A cobiça internacional pela Amazônia vem desde os primórdios do Brasil, quando diversas potências europeias pretendiam se apossar da região ou de parte dela. A partir do século XIX, com a ascensão do imperialismo estadunidense, também esse país fez várias investidas no sentido de conquistar ou “internacionalizar” a área.

 

 

 

Diz um dos estudiosos do assunto, o professor e ex-deputado estadual do Amazonas Eron Bezerra “a estratégia imperialista envolve múltiplos aspectos, que vão de “inocentes” missões científicas e/ou religiosas a projetos minerais, reservas extrativistas, ofensiva legislativa (como o caso da lei de patentes) ou cooptação direta de líderes extrativistas e/ou indígenas, através do financiamento de inúmeros projetos, tanto gerais (reservas extrativistas) como específicos (cursos, seminários, encontros etc.)”, tendo como recurso final a anexação territorial pura e simples.

 

 

 

Sem dúvida, esse objetivo do imperialismo foi facilitado pela entrega do Centro de Lançamento de Alcântara aos interesses norte-americanos, pelo governo Bolsonaro. Manobra que havia sido tentada no governo FHC e que havia sido sepultada na primeira administração de Lula, a proposta foi reativada no governo Temer e aprovada pelo atual Congresso, recebendo a sanção de Bolsonaro.

 

 

 

É para essa Amazônia ameaçada que o Jornal Brasil Popular volta a sua atenção e se propõe a fazer uma cobertura regular dos fatos e acontecimentos da região com colaboradores que nela vivem, mas sem ignorar e nem negligenciar o noticiário relacionado às demais 18 unidades federativas que integram o território nacional.

 

 

 

As notícias do Acre, Amazonas, Pará, Amapá, Roraima, Rondônia, Mato Grosso, Maranhão e Tocantins terão mais a cara do lugar. Ou seja, o JBP busca manter o regionalismo, respeitando as características de cada região. Isso vai amenizar a padronização com que a grande mídia retrata regiões de enorme diversidade de aspectos sociais, econômicos, culturais etc.

 

 

 

A Amazônia, que sempre ganha destaque no noticiário nacional e internacional por causa dos desmatamentos e queimadas, terá pauta regular, abrangente e com respeito às peculiaridades de cada um dos seus cantos e povos. Os colaboradores vão mostrar com a sensibilidade de quem vive, os impactos das ações e omissões do atual governo na região da maior bacia hidrográfica do planeta.