Publicidade

J’accuse – Nós acusamos o governo Bolsonaro!

  • em



Em 13 de janeiro de 1898, foi publicada uma carta-manifesto do escritor Émile Zola, dirigida ao então presidente da república francesa, Felix Faure, com o título de “J’accuse”. Em português, “Eu acuso”.

 

Naquele manifesto, Zola apontava todos os vícios do processo que levaram à condenação do capitão do exército francês, Alfred Dreyfus, por traição. Zola desvendou as conveniências, as negligências, os erros judiciais, os crimes cometidos com o objetivo de condenar o oficial, sob o aplauso da massa inebriada pelo abjeto antissemitismo que então assolava a França.

 

A inocência de Dreyfus mostrada por Zola de forma veemente, só veio a ser reconhecida, oito anos depois, em 1906. Mas “J’accuse” foi o grande responsável por esse reconhecimento e ficou na História por marcar um momento em que um brado pela verdade e pela justiça, mesmo sendo proferido por um único homem, se fez ouvir na França e no mundo.

 

Hoje, o Brasil vive uma jornada de injustiças e de indignidades, sob um governo que zomba da morte da gente brasileira, que desrespeita princípios legais e constitucionais básicos, que despreza a dor do povo em um momento tão terrível como o desta pandemia que já ceifou mais de 220 mil vidas.

 

Inspirada pelo manifesto de Zola, diante de tão grande e impune crime, a consciência cidadã, a consciência cívica de homens e mulheres que consideramos a Política um caminho para emancipação e, não, para o controle de corpos, espíritos, corações, mentes, quer fazer ouvir um grito contra todos e todas os que, por insensibilidade, covardia, interesse, leniência, corrupção, incúria e conduta criminosa, estão permitindo que o governo Bolsonaro continue sua jornada de destruição.

 

Eu Acuso! Nós acusamos!

 

Nós acusamos parte do Congresso Nacional, instituição fundamental de nossa democracia, especialmente, o Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, de sequestrar a dignidade do País e de desrespeitar a Carta que jurou cumprir como representante do povo ao não dar prosseguimento a nenhum dos processos de impeachment sobre os quais se senta, enquanto faz discursos de isenção, apesar dos incontáveis crimes de responsabilidade cometidos pela Presidência da República Genocida.

 

Nós acusamos parlamentares do autodenominado Centrão, por garantirem a permanência do Bolsonaro/Mourão na Presidência da República, recebendo como pagamento uma moeda que é a vida das pessoas trocadas por cargos, benesses, poder, sob os olhos coniventes da grande imprensa que vem naturalizando esse crime.

 

Nós acusamos o 1% da população, representada pela maioria do Congresso Nacional, a elite brasileira, de manter Bolsonaro /Mourão, para que se termine de vender o patrimônio coletivo, como a Petrobrás, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, a água, a energia do Brasil, os serviços públicos em geral, pelo preço vil da propina que a fará mais rica e, ao povo, mais pobre.

 

Nós acusamos o Supremo Tribunal Federal de não cumprir suas funções legais no controle constitucional de um chefe do Executivo que ataca, sem pudor, as instituições e a democracia. Acusamos de leniência com a barbárie promovida por Bolsonaro e Mourão, esta mesma Corte que coonestou o impeachment de uma Presidenta da República que não havia cometido crime algum contra lei alguma, mas que havia vetado a seus membros e a todo o Judiciário um reajuste que aumentava ainda mais a diferença entre seus salários e aqueles auferidos pela maioria do povo que lhes paga os privilégios;

 

Nós acusamos parcela das Forças Armadas de permitir serem usadas por Bolsonaro e seus milicianos, contra a democracia, contra a liberdade de expressão do povo que lhes paga os soldos e até os privilégios. Nós as acusamos de se imiscuírem em assuntos civis e de fazerem papel de cão de guarda de um governo com índole antipopular e antidemocrática.

 

A sociedade espera dos militares, apenas e tão somente, o cumprimento de seu papel institucional e, nunca, o suporte ao arbítrio. A consciência coletiva de nosso País não mais aceitará a censura, o autoritarismo ou a tortura. Não mais haverá anistia a crime desse porte.

 

Nós acusamos Augusto Aras, o Procurador-Geral da República, de prevaricação, por arquivar as denúncias dos crimes cometidos por Bolsonaro e seus aliados, abdicando do papel de zelar pelo efetivo respeito aos Poderes e aos direitos assegurados na Constituição Federal, manchando a história do Ministério Público, instituição que, na Carta de 1988, abrigou os sonhos dos que lutaram pela retomada do Estado Democrático de Direito em nosso País;

 

Nós acusamos os burocratas encastelados no Poder Executivo, ocupando cargos por indicação do governo Bolsonaro, de darem as costas ao País que financiou os seus estudos e de se calarem diante de seus desmandos e crimes. Eles serão julgados, em futuro não distante, por colaboração com um governo genocida, sob a alegação de estarem apenas fazendo um trabalho técnico já foi usada, antes, pelos carrascos do Nazismo;

 

Nós acusamos parte significativa do empresariado brasileiro – industrial, financeiro e do agronegócio – de fazer cálculos em dinheiro em cima dos cadáveres dos milhares de brasileiros mortos pelo novo coronavírus, em razão da sabotagem promovida por Bolsonaro aos esforços de combate à pandemia no Brasil. O aumento de suas riquezas sabe à morte;

 

Nós acusamos a grande imprensa, especialmente a imprensa familiar e empresarial, de responsabilidade pela normalização e pela banalização do absurdo, do bárbaro e do infame, apenas para derrotar seus inimigos de classe, como consideram os partidos de esquerda, as organizações da classe trabalhadora.

 

Reconhecemos o espírito cívico de muitos jornalistas, mas acusamos os maiores órgãos de imprensa do País de serem condescendentes com as aberrações cometidas por Bolsonaro diante dos olhos da Nação. Falta à maior parte da grande imprensa brasileira a coragem o espírito cívico do Jornal L’Aurore, que publicou o manifesto de Zola;

 

Acima de tudo e de todos e de todas, nós acusamos Jair Messias Bolsonaro, sob a conivência e o silêncio do general Mourão de se utilizar dos instrumentos da democracia com o objetivo, declarado diversas vezes, de saudar a tirania e o atraso, apelando para a religiosidade popular apenas para manipular consciências;

 

Nós acusamos Bolsonaro de incitar seus seguidores camisas negras a atacarem as instituições democráticas, insinuando fraudes eleitorais sem provas até mesmo nas eleições em que saiu vencedor, plantando a desconfiança para colher o caos. Lembramos a ele o destino de seu guru norte-americano, derrotado nas urnas e aguardando o impeachment e a prisão e de outros tiranos que terminaram pendurados em postes;

 

Nós acusamos Bolsonaro de promover uma gestão de destruição das políticas sociais, fragilizando programas como o Bolsa-Família, o Mais Médicos e as políticas educacionais;

 

Nós acusamos Bolsonaro de participação nos processos de destruição do meio ambiente em nosso País, notadamente na devastação criminosa do Pantanal e da Floresta Amazônica, por meio de suas políticas de desmonte das estruturas do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama e da leniência do Estado com os crimes ambientais;

 

Nós acusamos Bolsonaro de promover o insulamento diplomático do Brasil, atacando as mais nobres causas da humanidade como a proteção do meio ambiente, dos direitos humanos, dos povos indígenas e dos direitos reprodutivos, transformando o Brasil em pária perante a comunidade internacional;

 

Nós acusamos Bolsonaro de promover uma política econômica antipovo, entreguista e promotora de desemprego, da precarização do trabalho, geradora da inflação que está tornando o preço dos alimentos impraticável, trazendo fome a milhões de lares brasileiros;

 

Nós acusamos o governo Bolsonaro e parte do Congresso nacional de dilapidar e vender a preço vil o patrimônio coletivo do povo brasileiro, enquanto o presidente e sua família acumulam riquezas e patrimônios inexplicáveis.

 

Nós acusamos Bolsonaro de completa ausência de decoro no exercício do mais alto cargo da República, juntamente com seus filhos corrompidos, com atentados diuturnos contra as instituições, incitando seus seguidores e atacando líderes de nações amigas do Brasil, além de defender e facilitar abertamente a violência e o armamento de milícias que no futuro trarão o caos à nossa já combalida democracia;

 

Finalmente, nós acusamos Jair Bolsonaro de responsabilidade pelo descontrole da pandemia do novo coronavírus, levando luto para as famílias de 220 mil brasileiros e brasileiras. Muitas dessas pessoas ainda estariam entre nós não tivesse Bolsonaro, sob o silêncio conivente dos demais Poderes, incitado ao descumprimento das medidas sanitárias, praticado charlatanismo de tratamentos inúteis ou nocivos, boicotado os gestores, os cientistas e os trabalhadores que se encontram na linha de frente em nossos hospitais e, por fim, atuado e atuando, às claras, contra a vacinação da população, culminando com a gestão incompetente e criminosa do seu estafeta à frente do Ministério da Saúde.

 

Por todos esses crimes nós acusamos Jair Bolsonaro e gritamos com a voz de todas as vítimas de sua gestão criminosa:

 

Pelo Brasil, pela vida de seu povo, Impeachment já!

  • Compartilhe

Deixe um comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *