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IPCA: Brasil registra deflação em julho, mas preços dos alimentos continuam subindo

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Taxa foi de -0,68%, a menor taxa desde 1980. Preços da gasolina caíram 15,48% no mês e os do etanol, 11,38%, mas dos 377 produtos e serviços investigados pelo IBGE, 237 tiveram alta de preços no mês

 

 

A queda nos preços dos combustíveis, em especial da gasolina e do etanol, e da energia elétrica, derrubou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho em -0,68%. Foi a menor taxa registrada desde o início da série histórica, iniciada em janeiro de 1980, mas os preços dos alimentos, itens que mais afetam a população, especialmente a mais pobre, continuaram subindo, como mostra qualquer ida a um supermercado, como fez o fotografo do PortalCUT Roberto Parizotti, o Sapão, que ficou espantado com os preços do café, do grão de bico e do leite, entre outros itens.

 

Roberto Parizotti (Sapão)

Roberto Parizotti (Sapão)

Roberto Parizotti (Sapão)
ROBERTO PARIZOTTI (SAPÃO)

 

 

Dos 377 produtos e serviços investigados pelo IBGE, 237 tiveram alta de preços em julho – em junho, foram 252 em alta.

 

 

De acordo com os dados divulgados nesta terça-feira (9) pelo Instituto,  a inflação acumulada do ano é de 4,77% e, nos últimos 12 meses – de julho do ano passado a julho deste ano -, de 10,07%. Dos 9 grupos de produtos e serviços pesquisados, dois apresentaram deflação em julho, enquanto os outros sete tiveram alta de preços. O resultado do mês foi influenciado principalmente pelos custos dos grupos Transportes (-4,51%) e Habitação (-1,05%).

 

 

Já o grupo alimentação e bebidas teve a maior variação (1,30%) em julho, puxado  pela alta do leite longa vida que subiu mais de 25% e pelos derivados do leite como queijo (5,28%) e manteiga (5,75%).

 

 

A alta do leite contribuiu especialmente para o resultado da alimentação no domicílio, que acelerou de 0,63% em junho para 1,47% em julho. Outro destaque foram as frutas, com alta de 4,40%.

 

 

No lado das quedas, os maiores recuos de preços vieram do tomate (-23,68%), da batata-inglesa (-16,62%) e da cenoura (-15,34%), que acumulavam altas de mais de 100%.

 

 

Além dos alimentos, outros itens que tiveram alta relevante em julho foram passagens aéreas (8,02%), taxa de água e esgoto (0,96%), empregado doméstico (1,25%) e cigarro (4,37%).

 

 

O grupo de despesas pessoais (1,13%) acelerou em relação ao mês anterior (0,49%). Os dois principais destaques foram os subitens empregado doméstico (1,25%) e cigarro (4,37%), este último por conta dos reajustes entre 4,44% e 8,70% nos preços dos produtos comercializados por uma das empresas pesquisadas, a partir de 3 de julho.

 

 

Queda dos combustíveis

 

 

Sobre a queda do índice, influenciada pelos preços dos combustíveis mais baratos, o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov, lembrou que a Petrobras anunciou no dia 20 de julho uma redução de 20 centavos no preço médio do combustível vendido para as distribuidoras.

 

 

Lembrou ainda da Lei Complementar 194/22, sancionada no final de junho, que reduziu o ICMS sobre combustíveis, energia elétrica e comunicações.

 

 

Segundo ele, essas reduções afetaram o grupo de transportes (-4,51%) e o de habitação (-1,05%), por conta da energia elétrica (-5,78%).

 

 

“Foram esses dois grupos, os únicos com variação negativa do índice, que puxaram o resultado para baixo”, explicou.

 

 

Os preços da gasolina caíram 15,48% e os do etanol, 11,38%. A gasolina, individualmente, contribuiu com o impacto negativo mais intenso entre os 377 subitens que compõem o IPCA, com -1,04 p.p. Além disso, também foi registrada queda no preço do gás veicular, com -5,67%.

 

 

O pesquisador também destaca que além da redução da alíquota de ICMS cobrada sobre os serviços de energia elétrica, outro fator que influenciou o recuo do grupo habitação foi a aprovação, pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), das Revisões Tarifárias Extraordinárias de dez distribuidoras espalhadas pelo país, o que acarretou redução nas tarifas a partir de 13 de julho.

 

 

Outro grupo que contribuiu para o resultado da inflação foi vestuário, com uma desaceleração de 1,67% para 0,58%, após apresentar a maior variação positiva entre os grupos pesquisados nos meses de maio e junho. “A gente teve uma queda muito forte no preço do algodão, que é uma das principais matérias-primas da indústria têxtil, no final de junho”, esclarece Pedro. As roupas masculinas passaram de 2,19% em junho para 0,65% em julho, enquanto as roupas femininas foram de 2,00% para 0,41%. Os calçados e acessórios (1,05%), por sua vez, tiveram variação um pouco abaixo do mês anterior, quando registraram 1,21%.

 

 

Também mostrou ritmo de desaceleração o grupo de saúde e cuidados pessoais (0,49%) devido à variação inferior dos valores dos planos de saúde (1,13%), na comparação com o mês de junho (2,99%), e à queda de 0,23% dos itens de higiene pessoal, frente à alta de 0,55% em junho.

 

 

 




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