Região recebeu US$ 105,48 bilhões no ano passado, 34,7% a menos que em 2019; segundo Comissão Econômica para América Latina e Caribe, queda na confiança dos investidores está ligada à grave crise sanitária, econômica e social gerada pela Covid-19

 

 

A região da América Latina e Caribe recebeu, no ano passado, US$ 105,48 bilhões em investimento estrangeiro direto, IED, o menor valor desde 2010. Este total foi 34,7% a menos que em 2019 e 51% abaixo do recorde histórico em 2012.

 

 

Segundo a Comissão Econômica para América Latina e Caribe, Cepal, a queda dos investimentos na região deve-se à “grave crise sanitária, econômica e social gerada pela pandemia de Covid-19”.

 

 

Abacates, mangas e bananas vendidos em feira de rua
Abacates, mangas e bananas vendidos em feira de rua. Foto: FAO/Pier Paolo Cito
 

 

Recuperação Lenta

 

Ao apresentar o estudo anual, a Cepal destaca que o nível de investimento estrangeiro direto global caiu 35% em 2020, o valor mais baixo desde 2005.

 

Os ciclos de preços das matérias-primas têm influenciado a tendência de queda dos investimentos externos na América Latina, desde 2013. Com o atual contexto, a Cepal prevê lenta recuperação dos fluxos de investimentos.

 

Além disso, a busca por ativos para planos públicos em infraestrutura, saúde e economia digital, indica que grande parte das operações mundiais terá como destino Europa, América do Norte e países da Ásia.

 

Instalação de paineis de energia solar
Instalação de paineis de energia solar. Foto: Pnud Líbano
 

Energias Renováveis  

 

 

A Cepal menciona que houve uma recuperação dos IED na América Latina entre setembro de 2020 e fevereiro deste ano, mas desde maio, ocorre uma nova queda nos valores. Com isso, a Comissão da ONU acha difícil que as entradas de investimento na região tenham um aumento superior a 5% ainda este ano.

 

 

Os setores de recursos naturais e manufatura foram os mais atingidos, com reduções de 47% e de 38%, respectivamente. As energias renováveis continuam despertando maior interesse dos investidores estrangeiros, afirma a Cepal.

 

 

O fluxo de investimentos subiu somente em cinco países: Bahamas, Barbados, Equador, Paraguai e México. A Cepal destaca que os Estados Unidos vêm aumentando os investimentos no Brasil, desde o ano passado, enquanto nações da Europa como os Países Baixos ou Holanda, e Luxemburgo reduziram seus investimentos no Brasil.

 

 

Revolução digital é destacada pela Cepal
Revolução digital é destacada pela Cepal. Foto: Unsplash/Sigmund

 

Setores Estratégicos 

 

A Cepal também identificou oito setores estratégicos para impulsionar a sustentabilidade na região: energias renováveis; eletromobilidade sustentável nas cidades; revolução digital inclusiva; indústria manufatureira da saúde; bioeconomia; economia do cuidado; economia circular; e turismo sustentável.

 

O estudo mostra ainda que houve colapso de 73% nos fluxos das empresas transnacionais latino-americanas, com retrocessos na Argentina, no Brasil, na Colômbia e no Panamá.

 

A chefe da Cepal, Alicia Bárcena, sugere aos países da região que desenvolvam planos para a retomada da economia e de transformação produtiva. A entidade propõe ainda que a América Latina e Caribe inicie uma “nova etapa nas relações econômicas com a China, para garantir que os investimentos do país asiático contribuam para a criação de emprego e para o desenvolvimento sustentável.”

 

Da ONU News