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Ibaneis ignora pico da pandemia e marca retorno das aulas para 18 de maio.

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A equipe do governador Ibaneis Rocha na Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal (SEEDF) marcou a retomada do ano letivo das escolas da rede pública de ensino para o dia 18 de maio. Ou seja, de forma fria, calculista e precisa, agendou o reinício das aulas para ocorrer, justamente, no meio do pico da pandemia do novo coronovírus no DF.

 

uando a diretoria colegiada do Sinpro-DF recebeu de vários professores, na noite dessa segunda-feira (27), a Nota Técnica nº 9/2020, de 25/4, viu que ela reúne o tal estudo solicitado pelo governador na semana passada para retomada das aulas e concluiu que se trata de uma espécie de Plano Marshall para as escolas e não leva em consideração a continuidade da vida. A impressão é a de que estamos diante de um plano de morte.

 

Com o documento, Ibaneis se une à tendência nefasta emanada do governo Bolsonaro, que, não só demonstra total desprezo à vida (dos outros), como se revela um governador submisso, incapaz de contestar ordens descabidas de um psicopata que, na Presidência da República, sente-se como o dono da vida dos brasileiros e insiste em pôr em curso a necropolítica neoliberal e autoritária em plena pandemia.

 

Rendido diante do Palácio do Planalto, Ibaneis descreve, no documento, como ocorrerá o retorno às aulas. A partir do item 5 da Nota Técnica (confira a nota técnica ao final deste texto), ele inicia a descrição do retorno, com previsão de volta às aulas no dia 18/5 para o Ensino Médio e, 1º de junho, para toda a rede de ensino. Exatamente no pico da pandemia.

 

Apesar de a previsão para o reinício das aulas seja o dia 18/5, a programação do governo Ibaneis é que os professores retornem, para realizar o que eles chamam de “Acolhimento dos Professores/Capacitação e orientação sobre a Covid-19”, entre 11 e 15 de maio. Talvez quando os estudantes chegarem à escola, na data prevista no documento, os professores já tenham se contaminado e muitos até morrido.

 

Todos os estudos do mundo indicam o isolamento social como único remédio para combater o novo coronavírus. Os países que sofrem com a pandemia a enfrentam com isolamento social. Os que estão saindo dessa receita é porque já passaram pelo pico da pandemia. A doença não tem cura, é altamente infecciosa e mortal, não tem tratamento e não tem outra solução que não seja o isolamento social.

 

Estudo divulgado, nessa segunda-feira (27), pela mais importante revista científica do planeta, a Nature, revela que o novo coronavírus é mais poderoso do que se pensava. “Ele pode permanecer no ar em ambientes abertos e no interior de prédios por tempo indeterminado. Assim, o risco de contágio é substancialmente maior”, informa a revista. Imagina o grau de contágio que isso não terá dentro das escolas.

 

Mesmo assim, o governador do DF quer experimentar a capacidade de infecção do vírus nos corpos dos professores e dos estudantes da rede pública de ensino. A equipe do governo em mais um gesto autoritário não ouviu o Sinpro-DF e muito menos a categoria docente. E, se não consegue agir com democracia com os servidores públicos da Educação, imagina se terá capacidade política de respeitar e ouvir o movimento estudantil.

 

A equipe de Ibaneis não levou em consideração os parâmetros de retorno à normalidade largamente divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) nem a experiência de outros países que não respeitaram os avisos de que era preciso manter o isolamento social antes e durante o pico da pandemia. Também não consideraram a experiência de países que retomam, lentamente, alguns setores da economia e só têm reaberto escolas para algumas atividades de final de curso após passado o pico da pandemia. Muitos países nem isso: cancelaram o ano letivo.

 

O Sinpro-DF lamenta o gesto, a atitude e a forma como o governador Ibaneis desrespeita mais de meio milhão de pessoas e suas famílias e, sobretudo, o fato de um planejamento de retorno às aulas não levar em consideração a vida dos trabalhadores, que envolve o funcionamento da Educação, e nem a dos estudantes, uma vez que, geralmente, assintomáticos, se contaminarão reciprocamente e levarão o vírus para suas famílias, o que irá potencializar contágio e morte em larga escala no DF por covid-19.

 

Na ânsia para submeter o DF aos desvios de personalidade do Presidente da República, Ibaneis passa por cima de todos, incluindo aí do estudo da Codeplan e outro da Universidade de Brasília (UnB), nos quais as duas instituições mostram que, sem o isolamento social, o número de mortes por covid-19 no DF será assustador. Confira aqui o estudo da UnB divulgado pelo Correio Braziliense na segunda-feira (27/4): Mais de 6 mil pessoas podem morrer por Covid-19 no DF, aponta estudo

 

Diante dessa decisão aberrante e inexplicável, o Sinpro-DF irá intensificar a campanha em defesa da vida dos estudantes e dos trabalhadores das escolas, lançada na semana passada: NÃO SOMOS COBAIAS. A EDUCAÇÃO NÃO PODE MORRER!

 

Confira aqui a Nota Técnica nº 9/2020

 

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