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Haddad veste Meirelles?

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Ai, ai, ai, ai, ai: tá pintando repeteco do primeiro governo Lula(2003-2006) com o banqueiro Henrique Meirelles no comando da Fazenda, tocando política econômica ditada pela banca, como, aliás, aconteceu com Bolsonaro/Guedes? Miriam Leitão emplaca manchete no Globo: vem aí, com Fernando Haddad, ministro da Fazenda de Lula, robusto ajuste fiscal; cortes de gastos em cima de que despesas: financeiras(juros e amortizações da dívida) ou não-financeiras(educação, saúde, infraestrutura etc), no contexto do Orçamento Geral da União(OGU)? Quem vai se beneficiar, mais uma vez, com essa receita neoliberal: o mercado ou os trabalhadores? Vai ser possível sobrar – como não tem sobrado – dinheiro para colocar o pé do trabalhador no orçamento? É o mesmo papo do arrocho fiscal de Paulo Guedes, agora, na direção da reforma administrativa; nem Bolsonaro conseguiu implementar, ou seja, pauperizar, ainda mais, as despesas públicas que já estão no limite do absurdo, na linha do teto de gastos fixados pela PEC 95, que entrou em colapso? Mais uma vez pagará o pato o assalariado? Como garantir reajuste real de salário mínimo, se os cortes neoliberais inviabilizam crescimento do PIB, pois escasseiam investimentos? Busca-se, então, com Haddad o mesmo papo do mercado, que discorda da PEC da Transição? Será o mesmo arrocho do qual o próprio Bolsonaro procurou se desvencilhar, elevando gastos não-financeiros, para tentar faturar eleição, sem conseguir, dado que o país, com as medidas neoliberais, ficou ingovernável? Seria ou não a receita que jogaria Lula, de cara, no início do seu governo, contra a classse trabalhadora? No contexto da luta de classes, do embate entre capital e trabalho, Lula iniciaria seu terceiro mandato mandando ver ajuste fiscal robusto, como Miriam Leitão já anuncia no Globo? Não haveria notícia melhor e mais satisfatória para a mídia corporativa, porta-voz do mercado, enquanto os trabalhadores, já penalizados pelas reformais neoliberais da previdência social e trabalhista, amargariam mais uma vez – em doses cavalares – o sacrifício que a bancocracia exige como preço para sustentar liquidação dos juros escorchantes e amortização da dívida pública, responsável por manter economia semiparalizada pelo subconsumismo vigente.

 

 

(*) Por César Fonseca é jornalista, atua no programa Tecendo o Amanhã, da TV Comunitária do Rio e edita o site Independência Sul Americana

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