O Brasil comemora, neste sábado (28), o Dia do Bancário. A data marca uma das maiores e mais audaciosas greves da categoria, deflagrada em 1951. Na época, as negociações aconteciam com o governo federal, por estado, e os bancários de São Paulo pediam reajuste de 40%. O governo Dutra, caracterizado pela intransigência e repressão a movimentos sociais, no contexto da Guerra Fria, ofereceu um reajuste irrisório, deflagrando, em SP, uma greve que durou 69 dias. O ex-presidente Eurico Gaspar Dutra, 16º Presidente da República do Brasil, governou entre 1946 e 1951. Alguns anos antes da greve, Dutra havia promulgado uma lei que proibia a greve.
O resultado da paralisação foi muito além da conquista de um reajuste salarial de 31% – que, vale observar, foi determinado pelo Poder Judiciário, pois não se chegou a um acordo com o governo. Naquele ano, os bancários enfrentaram a Lei de Greve e um governo intransigente e mostraram que vale a pena lutar, virando referência para várias outras categorias. A data também homenageia os bancários perseguidos e demitidos por lideraram um movimento vitorioso e inspirador.
O presidente do SindBancários e funcionário do Banrisul, Luciano Fetzner, observa que a forma como os bancários enfrentam a conjuntura e as condições impostas pela realidade continuam sendo uma marca da categoria. “Neste momento, o tema que mais toca a sociedade é a pandemia e os bancários estão firmes e prontos para atenderem a população. Não importa quanto os patrões pressionem ou as condições que precisem enfrentar, os bancários seguem se esforçando ao máximo para entregar seu trabalho da melhor forma possível para a sociedade”, analisa.

Bancários são imprescindíveis para o Brasil

Para comemorar o Dia do Bancário, o SindBancários lançou a campanha “Imprescindível”, que valoriza a dedicação e empenho dos bancários em atender a população brasileira.

Funcionária do Banco do Brasil, a diretora de Juventude e Gênero do SindBancários, Bia Garbelini, lembra, por exemplo, do importante papel dos bancos públicos no contexto da pandemia. “As bancárias e bancários formam uma categoria nacionalmente organizada, que mostra que a luta vale a pena e conquista direitos! Além disso, estão na linha de frente durante a pandemia, atendendo quem mais precisa, permitindo que acessem os serviços bancários, especialmente nos bancos públicos que têm um papel social importante a cumprir. Por tudo isso os bancários são imprescindíveis!”.

“Os bancários e bancárias estão de parabéns pela sua capacidade de unidade e resistência frente a um sistema que visa o lucro a qualquer preço, muitas vezes ao custo da saúde de seus trabalhadores”, . São uma das categorias que vem, desde 2016, sofrendo fortes ataques com uma política que ataca e surrupia direitos historicamente conquistados pela quase produtiva do nosso país, políticas estas que atendem unicamente os interesses do empresariado e banqueiros. Parabéns colegas pelo nosso dia, 28 de Agosto!!! Seguimos, unidos, fortes e resistentes!”, comemora o secretário executivo do SindBancários, Luiz Cassemiro.

O empregado da Caixa e diretor de Cultura e Sustentabilidade do SindBancários, Guaracy Padilha, também observa o importante papel desenvolvido pelos bancários durante a pandemia. “Seguimos em um momento de incerteza por causa da Covid-19, que ainda oferece ameaças para a saúde de todos. Apesar disso, não podemos deixar de parabenizar a categoria bancária pelo dia 28 de agosto, valorizar e reconhecer a importância do bancário e da bancária na vida das pessoas, seu trabalho tem se mostrado fundamental neste contexto da pandemia”, conclui.

As marcas da greve de 1951

A greve de 1951 também plantou uma semente que, quatro anos mais tarde, fez nascer o Diesse (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Na época, ficou evidente a necessidade de dados técnicos confiáveis para questionar informações do governo e buscar a manutenção do custo de vida.

Vale observar ainda que 28 de agosto de 1983 é a data de criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Do Sindicato dos Bancários