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Governo colombiano impede observadores eleitorais de sair da Venezuela

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Dezenas de observadores eleitorais internacionais, de mais de 20 países, que acompanharam a eleição para a Assembleia Nacional, ocorrida em 6 de dezembro na Venezuela, vivenciaram o terror do bloqueio econômico que é imposto ao povo venezuelano há alguns anos.

 

Em face das dificuldades de voos para Caracas, pois as empresas aéreas que realizam voos para a capital venezuelana sofrem duras sanções no mercado internacional, a ida e retorno dos observadores internacionais foram maratonas que duraram dias, percorrendo vários países para chegarem a Venezuela.

 

No domingo (6) as atividades dos observadores começaram às 5h da manhã, tanto na capital, como no interior do país, acompanhando a abertura e o transcorrer nas sessões eleitorais. Seis horas da manhã os eleitores começaram a formar filas para votar. Cada eleitor fazia um roteiro básico dentro da mesa eleitoral: identificar-se, votar na urna eletrônica, a qual emitia o voto impresso, colocado em seguida em uma urna, depois colocava seus dois polegares em uma ata, recebendo seu documento antes de concluir sua participação.

 

Tudo isso com a garantia da fiscalização dos partidos que disputaram a eleição. Nós observadores internacionais vimos tudo isso e tivemos oficinas para verificar os 16 processos de auditoria que cada urna eletrônica da Venezuela pode realizar. Isso permite à Venezuela a recontagem de voto, que no Brasil é impossível.

 

Na terça-feira (8) às 2h, todos os observadores se deslocaram para o Aeroporto Simón Bolívar, onde pegariam dois voos. Um para República Dominicana, outro para o México, de onde seguiriam para seus países. O voo para Santo Domingo decolou às 6h, em uma viagem com pouco mais de uma hora, tendo transcorrido normalmente. O segundo grupo, onde nos encontrávamos, seguiria para o México em um voo com duração de 6 horas.

 

Os trabalhadores da Conviasa, a empresa aérea venezuelana, receberam as bagagens para despacho, mas os passageiros não embarcaram. Fomos informados que o governo da Colômbia não havia autorizado que a aeronave passasse sobre seu espaço aéreo.

 

O responsável pela Conviasa reuniu todos os passageiros e relatou que foi feito, dentro do prazo previsto o plano de voo, enviado a Colômbia, porém esta não era a primeira vez que eles agiam de maneira a impedir um voo. Ou seja, o governo da Colômbia, tentou impedir que uma aeronave, com dezenas de representantes de dezenas de países, entre os quais representação da ONU, parlamentares e representantes de governos e movimentos, que atuaram como observadores internacionais na eleição, pudessem realizar o voo de Caracas para o México.

 

A atitude provocadora e agressiva do governo da Colômbia fez com que os observadores internacionais ficassem mais de 8 horas no aeroporto de Caracas, em uma atitude que se pode considerar criminosa, levando em conta o Direito Internacional e os Direitos Humanos. Ao meio dia o avião decolou para o México, tendo causado uma situação que mostrou a todos como são danosos e prejudiciais à Venezuela e seu povo o bloqueio econômico imposto de maneira arbitrária e criminosa com um país e contra vários povos do mundo, inclusive brasileiros.

 

Vale ressaltar que o governo da Colômbia e de outros países do Grupo de Lima não reconhecem a vitória chavista na Venezuela. Bem como a OEA. Mas a OEA, em decisão recente, provocou o golpe na Bolívia ao anunciar uma fraude nas eleições que nunca houve. O que a própria OEA assumiu depois que errou.

 

Paulo Miranda e Pedro Batista – observadores internacionais nas eleições da Venezuela
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