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Golpe para encobrir o genocídio e a corrupção e reeleger Bolsonaro

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A notícia da reunião de Bolsonaro com os chefes militares nessa última terça-feira e a reação destes últimos à fala do presidente da CPI, senador Omar Aziz, sobre a “ala podre” dos militares, sinalizam a possiblidade real de um autogolpe “salvador” para Bolsonaro e para os militares.

 

 

“Salvador”, para Bolsonaro, porque este já sabe que não tem a menor condição de se reeleger em 2022 se mantidas as urnas eletrônicas e o caráter democrático das eleições. “Salvador”, para os militares, porque com o golpe eles podem botar embaixo do tapete seus casos de corrupção e ainda se livrarem da acusação de cumplicidade com a política genocida de Bolsonaro.

 

 

Para Bolsonaro, o realinhamento claro da cúpula militar com ele junta a “fome com a vontade de comer”. Isto é, ele sonha com o golpe e agora tem os militares para executá-lo.

 

 

O problema é que num país com o nível de desenvolvimento capitalista como o do Brasil um golpe de Estado não é apenas questão de força bruta, mas de projeto de classe e de contexto internacional. E ainda vai precisar de uma justifica convincente para a sociedade.

 

 

Tudo indica que o golpe de Bolsonaro não tem o mesmo consenso nas classes dominantes que tive o golpe do impeachment contra Dilma. Para esse golpe a justificativa que colou foi a do combate à corrupção (como também no golpe de 64, ao lado do combate ao “comunismo”).

 

 

Contudo, a justificativa de um golpe militar-bolsonarista seria a de encobrir a corrupção dos militares e impedir que Bolsonaro perca a reeleição. E o mais grave, passar pano na responsabilidade dele e dos militares sobre as 530 mil mortes da pandemia (até o momento).

 

 

A fala justa e verdadeira do senador Omar Aziz vem sendo usada como pretexto para se tentar o golpe contra a democracia da mesma forma que o discurso do deputado Marcio Moreira Alves em 1968 foi igualmente usado como pretexto para o AI-5.

 

 

Mas, se por um lado, o golpe se tornou possível, dado o envolvimento emocional do corporativismo militar, por outro, é bem real o isolamento político de Bolsonaro, a resistência das ruas e a falta de uma justificativa convincente para aquilo que pode virar, se acontecer, uma aventura golpista sem sustentação política.

 

 

Val Carvalho – militante de esquerda e escritor.

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