Hierarquicamente, o maior responsável pelo enfrentamento à pandemia do novo coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro continua operando como uma biruta de aeroporto: fala e faz coisas conforme seja mais útil no momento para o seu único projeto: a reeleição em 2022.

 

 

Desdenha das mortes ocorridas, faz pouco caso da vacinação massiva, fala mal das máscaras protetoras, promove aglomerações de populares sem máscara e sem o mínimo distanciamento necessário e insiste na receita de tratamento precoce, que a própria Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reconhece como ineficaz.

 

 

Do ponto de vista da saúde financeira da população, ainda não retomou a definição de valores e critérios para o auxílio emergencial, sem o qual milhões de pessoas estarão condenados à fome e à doença.

 

Enquanto isso, o vice-presidente Hamilton Mourão afirma, como o fez nesta segunda-feira (1º/3), que “única saída é vacinar todo mundo, o resto é paliativo”. Além disso, também criticou quem não respeita as medidas restritivas contra a Covid-19 e forma aglomeração, o que parece uma crítica direta ao comportamento do Presidente da República.

 

 

Para contemplar o quadro de “barata voa”, Secretários de Saúde estaduais divulgaram, nesta segunda-feira (1º/3), uma carta em que afirmam que o Brasil vive o “pior momento da crise sanitária” provocada pela Covid-19 e pedem maior rigor em medidas para evitar um colapso em todo o País.

 

 

Entre as ações recomendadas, está a adoção de um toque de recolher nacional das 20h às 6h, suspensão das aulas presenciais e lockdown nas regiões “com ocupação de leitos acima de 85% e tendência de elevação de casos e mortes”.

 

 

Eles citam a ausência de coordenação nacional como um dos fatores para a queda na adesão a medidas de isolamento e pedem que haja um “pacto pela vida”. Mais críticas ao presidente Bolsonaro!

 

 

E o que dizem os fatos e a OMS? Que o número de novas internações por Covid-19, em São Paulo, é 15% maior do que no pior mês de 2020. Que pelo menos 12 estados e mais o Distrito Federal adotaram – ou anunciaram que irão adotar – novas restrições para conter o crescimento de casos de contaminação e de mortes por Covid-19.

 

 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) diz que o vírus está voltando a nos controlar e que os números voltaram a aumentar na semana que passou, afirmando que é prematuro pensar que a pandemia do novo coronavírus vai acabar em 2021.

 

 

No meio dessa “bateção de cabeça”, o povo se sente perdido, desorientado, desprotegido e sem vacina. Tudo isso com cada vez menos emprego e renda.

O que nos permite acreditar que, por incompetência e descaso, o governo Bolsonaro criou uma nova categoria: os sem-tudo!