O céu que no hino do estado é cantado como ‘mais azul” tem amanhecido cada vez mais cinza neste período de seca e queimadas. De longe e do alto, o rio Madeira já não é visto na paisagem na região central.

 

Hoje a Amazônia é o bioma mais destruído pelo fogo, com 41% dos focos registrados no período anual.

 

 

Rondônia é o terceiro estado com mais focos de calor, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o INPE.

 

 

Na comparação entre o agosto de 2020 e 2021, há aumento de focos de 2683 para 3419 e faltando 12 dias para o fim do mês.

 

 

Sua capital, Porto Velho, está em terceiro lugar no ranking do INPE com 1451 focos, o equivalente a 13% da destruição.

 

 

 

 

A plataforma Monitoramento Rural que mapeia o estrago diariamente mostra nesta quinta-feira, 19, que os focos se concentram, além da capital, nos municípios de Candeias do Jamari, Cujubim e Nova Mamoré.

 

Esses municípios têm a maior quantidade de rebanho bovino do estado, conforme dados do segundo semestre de 2020 da Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril, a IDARON.

 

 

A boiada é fogo e também motivo de Rondônia ser a grande potência produtiva de carne e derivados na Amazônia.

 

 

O lucro está acima da vida e estudos comprovam que futuramente o arrependimento não vão aplacar o inevitável prejuízo econômico com o descontrole ambiental.

 

 

No portal da IDARON, é flagrante a ‘fake News’ do governo bolsonarista que exalta esforços para o desenvolvimento sustentável.

 

 

“Rondônia exporta praticamente toda de sua produção, 76 milhões de toneladas de carne por trimestre, que tem um efeito de US$ 329 milhões (dólares) no mesmo período na balança comercial do Estado, constituindo no cômputo anual um total de US$ 1,3 bilhão com a exportação de 304 milhões de toneladas de carne, segundo dados do Núcleo de Agrodados da Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri)”, divulga o portal.

 

 

Na realidade o que se vê a cada dia é a abertura de novas áreas para a agricultura e pecuária com degradação ambiental por cima de tudo e de todos.

 

 

O lucro com atividades intensas e descontroladas de pecuária e soja têm colocado o estado no topo do ranking de desmatamentos e queimadas, o que nada tem a ver com sustentabilidade.

 

 

A área plantada de soja, cultura agrícola que também impulsiona a economia do estado aumentou 13,8% de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) na comparação das safras 2019/2020 e a produção subiu 8,1%.

 

 

“Para esta safra 2020/21, a colheita deve alcançar 1.215,4 mil toneladas. A última semeadura foi realizada no final de fevereiro e a colheita do grão se estendeu até o final de maio deste ano, devido ao início do vazio sanitário, previsto para ser iniciado em junho. Em relação à exportação, em 2020, o Estado exportou o valor de US$ 421 milhões de dólares em soja, com aumento de 9,15%, se comparado ao ano de 2019, onde atingiu o valor de US$ 386 milhões”, diz a matéria publicada pela Secretaria Estadual de Agrocultura.

 

 

De janeiro para cá o governador Marcos Rocha tem se esforçado para aumentar o que considera ser ‘vantajoso’ custe o que custar.

 

 

Sem a mínima preocupação com os recursos naturais que não são inesgotáveis e com os povos originários, propôs e sancionou alterações de Unidades de Conservação que vão provocar incalculável desequilíbrio ambiental, climático e econômico.  A atualização do Zoneamento Socioeconômico e ecológico, aproximando áreas intensas de produção de zonas proibidas, está na Assembleia Legislativa e deve ser aprovada em breve.

 

 

Além disso, liberou o garimpo nos rios do estado, estimulando outra atividade danosa ao meio ambiente.

 

 

Há uma escalada de destruição que pode provocar um ciclo irreparável de genocídio, etnocídio e ecocídio em Rondônia.

 

 

Tudo está acontecendo muito rapidamente por ação e omissão da classe política do estado que vê apenas os votos do eleitorado do agronegócio.

 

 

Em todos os municípios há campanha com outdoor de apoio ao governo Bolsonaro em nome do setor.

 

 

Segundo fonte, foram financiados por um poderoso empresário ruralista que se engaja na política antiambiental do presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL).