pobreza já atinge 27,7 milhões de brasileiros, o que é equivalente a 13% da população. Os dados são de estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) que foi publicado neste domingo, 12, a pouco mais de um mês para o fim do auxílio emergencial.

A pesquisa intitulada “Desigualdade de Impactos Trabalhistas na Pandemia” foi coordenada pelo diretor da FGV Social, Marcelo Neri. Segundo o levantamento, a pressão maior ficou para os mais pobres. Ainda segundo a mesma metodologia, em 2017, a pobreza atingia 11,2% da população do País.

O estudo indica que as dificuldades de acesso ao Bolsa Família e ao INSS agravam a vulnerabilidade das famílias.

“Em agosto, o Bolsa Família foi pago a 14,6 milhões de famílias. De acordo com dados do Ministério da Cidadania, havia outras 1.186.755 pessoas que atendem aos critérios do programa no Cadastro Único, mas não foram incluídas por falta de recursos”, escreve o jornal O Globo.

Levantamento da Agência Brasil indica que “a intenção dos pesquisadores foi mostrar “uma visão ampla e atual da desigualdade de impactos trabalhistas da pandemia no Brasil”. O estudo divulgado hoje (9), indicou, que na média de 2019 a proporção de pessoas com renda abaixo da linha de pobreza era de 10,97%, antes da pandemia, o que representa cerca de 23,1 milhões de pessoas na pobreza”.

Na matéria sobre o estudo, a FGV Social informa que a pandemia da Covid-19 constitui um choque de grandes proporções não só pela sua intensidade como pela sua abrangência global. Agora, diferentes pessoas são impactadas de maneira diferenciada em diferentes estratos sociais, localidades e aspectos de suas vidas. Nosso objetivo com a pesquisa é fornecer uma visão ampla e atual da desigualdade de impactos trabalhistas da pandemia no Brasil.

Frustração trabalhista – A renda individual média do brasileiro incluindo informais, desempregados e inativos se encontra hoje -9,4% abaixo do nível do final de 2019. Na metade mais pobre esta perda de renda é de -21,5%, configurando aumento da desigualdade entre a base e a totalidade da distribuição. Neste interim pandêmico, a queda de renda entre os 10% mais ricos foi de -7,16%, menos de 1/3 da queda de renda observada na metade mais pobre. O grupo do meio entre os 50% menos e os 10%, uma espécie de classe média no sentido estatístico, teve queda de renda de 8,96%, cerca de 2,8 pontos de porcentagem de perda acima do extremo superior.

Causas – Pouco mais da metade da queda de renda de -21,5% dos mais pobres, -11,5% foi devido ao aumento de desemprego. Além disso, ainda pelo canal da ocupação contingente expressivo de trabalhadores se retirou do mercado sem perspectiva de encontrar ou exercer trabalho durante a pandemia. O efeito-desalento explicou queda de renda 8,2 pontos de porcentagem na metade mais pobre contra perda de 4,7 pontos na média geral sendo a segunda causa mais importante para a deterioração do binômio média e desigualdade trabalhista. Outros canais de impacto da maior queda de renda na metade mais pobre foi a redução de renda dos ocupados por hora fruto da aceleração da inflação e do próprio desemprego e a redução da jornada de trabalho

Quem perdeu mais? – Os principais perdedores foram os moradores da região Nordeste (-11,4% de perda de renda contra -8,86% do Sul, por exemplo); as mulheres que tiveram jornada dupla de cuidado das crianças em casa (-10,35% de perda contra -8,4% dos homens), os idosos com 60 anos ou mais também perderam especialmente por terem de se retirar do mercado de trabalho função da maior fragilidade em relação ao Covid-19 (-14,2% de perda).

Perda na base – A pesquisa apresenta um gráfico que ilustra a trajetória da renda média a preços constantes da metade mais pobre. A renda que já tinha caído 14,1% do ápice de R$ 255 no quarto trimestre de 2014 (2014.04) para R$ 219 no quarto trimestre de 2019 (2019.04). Deste ponto até o segundo trimestre de 2021 (2021.02) cai 21,5% chegando a R$ 172.

Desigualdade em alta – O índice de Gini que já havia aumentado de 0,6003 para 0,6279 entre os quartos trimestres de 2014 e 2019 (201404 a 201904) saltou na pandemia atingindo 0,640 no segundo trimestre de 2021 (202102) acima de toda série histórica pré-pandemia (a pesquisa possui gráfico com a série histórica da desigualdade de 2012 até 2021).

Pobreza – A proporção de pessoas com renda abaixo da linha de pobreza era na média de 2019, antes da pandemia, 10,97%, cerca de 23,1 milhões de pessoas na pobreza, A pobreza passa em setembro 2020 o melhor ponto da série função da adoção do Auxílio Emergencial pleno para 4,63%, 9,8 milhões de brasileiros. No primeiro trimestre de 2021 tirando todo Auxílio Emergencial suspenso, mas devolvendo Bolsa Família atinge 16,1% da população. 34,3 milhões de pobres. Os dados mostram um cenário desolador no início de 2021 quando em seis meses o número de pobres e multiplicado por 3,5 vezes, correspondendo a 25 milhões de novos pobres em relação aos seis meses antes. Finalmente com a adoção do novo auxilio em escala reduzida com duração limitada a partir de abril de 2021 com alguma retomada 12,98%, 27,7 milhões de pobres pior do que antes da pandemia do Covid.

Estagflação – A recente aceleração das taxas de desemprego e de inflação teve consequências distributivas.  Nos 12 meses terminados em julho de 2021 a inflação dos pobres foi 10,05%, 3 pontos de percentagem maior que a inflação da alta renda, segundo estimativas do Ipea. Nos nossos cálculos a taxa de desemprego da metade mais pobre subiu na pandemia de 26,55% para 35,98%. Já entre os 10% mais ricos a mesma foi de 2,6% para 2,87%. Isto significa que o chamado índice de desconforto proposto por Arthur Okun, composto pela soma simples das taxas de desemprego e de inflação não só subiu, como subiu muito mais entre os mais pobres.

 

Texto – Sumário Executivo
Slides – Visualização / Impressão

 

Do WSCom/Globo/Agência Brasil/FGV Social com edição de JBP