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Fevereiro na história – 70 anos do projeto da Petrobrás, 90 do de Volta Redonda

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O Brasil de 2021 entra em fevereiro discutindo a compra do leite condensado que não pode faltar no breakfast do Presidente da República e o próprio governo garante, segundo se lê numa reportagem do UOL, que “a aquisição de leite condensado pela União chegou a um total de R$ 20,2 milhões em pagamentos, em 2020, uma redução na comparação com os R$ 31,1 milhões pagos em 2019”. Bem, estão economizando mais de dez milhões, não é verdade?

 

Há 70 anos, em fevereiro de 1951, o que o Brasil discutia era petróleo para seu futuro, não o menu do Presidente Getúlio Vargas, eleito em outubro de 1950, e empossado dias antes, na tarde de 31 de janeiro.

 

Já nos primeiros dias de fevereiro, Getúlio criara na própria e diminuta estrutura da Presidência da República uma assessoria econômica que conduziria o estudo e a formulação dos principais projetos de seu governo. A primeira tarefa da Assessoria foi a elaboração da mensagem que Getúlio deveria dirigir ao Congresso na abertura do ano legislativo.

 

— Não havíamos ainda concluído essa tarefa – dirá Jesus Soares Pereira, um dos integrantes da Assessoria – e já estávamos pressionados para tratar do problema do  petróleo. O grupo de trabalho, muito reduzido, tinha como presidente o dr. Rômulo de Almeida. Os outros funcionários eram o dr. João Neiva de Figueiredo, encarregado da parte técnica, e eu, incumbido da parte econômica.  A documentação, constante de dezenas de pastas, nos foi encaminhada pelo Presidente da República.

 

Getúlio recomendava que a questão do petróleo fosse encarada sem timidez e que se procurasse para ela uma solução nacionalista, que desse garantias ao interesse nacional do Brasil. Já em dezembro o projeto estava pronto e foi encaminhado ao Congresso, que o discutiu longamente e o aprovou em setembro de 1953, permitindo que Getúlio o sancionasse a 3 de outubro, no aniversário da Revolução de 30.

 

Há noventa anos, em fevereiro de 1931, o que o Brasil discutia também não era leite condensado, era o futuro projeto de Volta Redonda, que o transformaria de uma economia rural e atrasada numa das dez maiores potências industriais do mundo. Com a vitória da Revolução de 30, Getúlio assumira o governo em novembro desse ano e já em fevereiro seguinte, numa viagem a Minas, maior produtor de minério de ferro do país, e anunciou que, considerando a implantação da siderurgia o maior problema econômico do Brasil, o governo tudo faria para resolvê-lo. E, se a iniciativa privada não tivesse meios de assumi-lo, o governo não hesitaria em bancar ele próprio a construção da primeira grande siderúrgica – o que afinal veio a acontecer com a usina de Volta Redonda.

 

De olho no mundo…

 

Da colunista Arwa Mahdawi, no Guardian, de Londres, que tem 8 milhões de leitores ao redor do mundo em suas edições digitais:

 

— US$ 13.000.000.000. Se esses US$ 13.000.000.000. Se esses zeros todos confundem seus olhos, vou traduzir: treze bilhões de dólares. Foi o que Jeff Bezos acrescentou a seu patrimônio pessoal em apenas um dia em julho último depois que a pandemia provocou a alta das ações da Amazon. Esses 13 bilhões estabeleceram um record em matéria de ganho individual num só dia e apesar disso Bezos estava longe de ser o único bilionário a ganhar muito dinheiro com o coronavirus. De acordo com um relatório da Oxfam, a riqueza combinada dos dez homens mais ricos do mundo cresceu 540 bilhões de dólares desde março de 2020.

 

— O que significa esse meio trilhão de dólares? O suficiente – diz o relatório da Oxfam, intitulado “O vírus da desigualdade” – para vacinar toda a população do mundo e ainda garantir que ninguém seja levado à pobreza pela pandemia. Quanto aos bilhões de Bezos, a Oxfam observa que ele poderia ter pago a todos os 876 mil empregados de sua Amazon um bônus de 105 mil dólares em setembro de 2020 e ter permanecido tão rico quanto antes da pandemia.

 

— A Oxfam sempre publica um relatório sobre a desigualdade coincidindo com o fórum de Davos. Seus relatórios, frequentemente, conseguem muita mídia porque a Oxfam desenvolveu a arte de condensar a desigualdade global em estatísticas chocantes. Você, provavelmente, terá lido, sobre o relatório de 2019, que as 26 pessoas mais ricas do mundo ganham tanto quanto os 50% mais pobres.

 

Vosso tradutor brasileiro desses números de fogo acrescentará apenas que esses 50% mais pobres são 3,5 bilhões de seres humanos. Sim, 3,5 bilhões de uma população total de 7 bilhões neste planeta.

 

 

 

Oxfam releases a report on inequality, timed to coincide with the Davos summit, every year. These often get a lot of press because Oxfam has nailed the art of condensing global inequality into a simple, shocking statistic. You’ve probably seen the stat from its 2019 report, for example, that the world’s richest 26 people own as much as the poorest 50%.

 

Varoufakis – mais de 600 bilionários nos estados unidos

 

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