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Feminicídio: mulheres exigem punição para o assassino da sindicalista Cilma

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Indignadas, mulheres da capital do País e de todo o território nacional reagem ao violento assassinato da dirigente sindical do Sindiserviços-DF, ocorrido dentro da casa dela nesse domingo (3)

 

Revolta e indignação e pedidos de punição marcaram esta segunda-feira, 04, com a notícia do assassinato da diretora do Sindicato de Serviços Terceirizáveis (Sindiserviços-DF), Cilma da Cruz Galvão, de 51 anos, ocorrido na madrugada de sábado 03, dentro de seu apartamento, no condomínio no Setor Total Ville, em Santa Maria.

 

O principal suspeito do crime é o namorado dela, identificado como Evanildo das Neves da Hora, de 37 anos, que foi captado por imagens do circuito interno de segurança, saindo do prédio, às 01h31, com uma mochila.

 

A presidente do Sindiserviços, Maria Isabel Caetano dos Reis, cobrou dos órgãos públicos agilidade na busca do assassino de Cilma. “Ele tem de ser julgado e punido pelo crime bárbaro que cometeu”, defendeu revoltada, Isabel.

 

A vítima foi encontrada pelo filho, Jeferson da Cruz Galvão, que foi à casa dela chamá-la para ir a um aniversário. Sem respostas, após apertar a campainha, por várias vezes, o filho resolveu arrombar a porta do apartamento e encontrou a mãe já morta.

 

Em nota, a direção do Sindiserviços-DF lamentou “o trágico falecimento” da diretora de Políticas para as Mulheres e Combate ao Racismo, informando que ela era empregada da Empresa BRA Serviços, prestadora de serviços terceirizados na limpeza do Posto de Saúde 07 da M Norte, Taguatinga.

 

Em mensagem de vídeo, Maria Isabel elogiou a combatividade de Cilma: “Essa companheira tão combativa, trabalhava na área da saúde, vendo outros companheiros morrerem pelo coronavírus. Ela vai nos deixar muita saudade, na direção do Sindiserviços e, com certeza, junto aos colegas de trabalho com quem ela convivia”.

 

Revoltada com o assassinato da companheira de luta, Maria Isabel foi mais dura, afirmando:

 

“_ É inaceitável que em pleno Século 21, ainda tenhamos que assistir crimes desse tipo, em que a mulher convive com um homem por amor e termina morrendo. São homens que acham que têm o direito de ceifar a vida de uma mulher, que acredita no amor. Eles aproveitam este sentimento para fazerem a perversidade que têm dentro de si. A gente não suporta mais ver mulheres perdendo a vida deixando seus filhos, por confiar em uma pessoa”, afirmou, demonstrando indignação.

 

Segundo informações de uma moradora do condomínio de Cilma, o casal se conheceu há sete meses, em uma igreja e passou a morar junto. De acordo com a presidente do Sindiserviços, como Cilma era evangélica, o namorado “usou o nome de Deus para enganá-la”. Isabel disse também que a pastora dela teria abençoado o relacionamento dos dois. Porém, o que se sabe é que o suspeito de assassinar Cilma também é acusado de de ser autor de outro caso de feminicídio.

 

A direção da Central Única dos Trabalhadores do DF (CUT/DF) repudiou “o aumento dos casos de feminicídio no Distrito Federal e no Brasil”, e lamentou a perda da companheira Cilma da Cruz Galvão, que foi “mais uma vítima da condescendência do Estado com o genocídio diário de mulheres”, como afirma mensagem.

 

Para a Central, a partida prematura de Cilma é uma perda irreparável para a família e amigos dela, mas também para a “luta por igualdade racial e de gênero”. A CUT/DF critica “os governos conservadores”, que além de barrar debates sobre igualdade de gênero nas escolas, com iniciativas como a Lei da Mordaça, “ainda questionam e reduzem a violência contra a mulher, colocando as denúncias à prova, buscando motivos para o indefensável, culpabilizando as vítimas e até mesmo dando espaço para os agressores”.

 

Refere-se a direção da CUT/DF, a afirmação do deputado estadual Jessé Lopes (PSL-SC) que em agosto, quando da comemoração dos 15 anos da Lei Maria da Penha – de combate à violência doméstica -, divulgou em suas redes socais, foto ao lado de Marco Antonio Heredia Viveros, agressor da farmacêutica Maria da Penha, que foi vítima de tentativa de homicídio. O parlamentar afirmou que ouviu a versão do criminoso e a considerou “no mínimo, instigante”, dando a entender que contesta a veracidade do crime que chocou o país.

 

Prometendo não se calar diante dos casos de feminicídio que ocorrem, diariamente, a CUT afirma que seguirá “lutando contra o feminicídio e cobrando dos nosso governantes políticas que, de fato, sejam eficazes e que interrompam de vez qualquer tipo de violência contra as mulheres”.

 

Também em nota, a integrante do Coletivo de Mulheres da CUT/DF, Thaísa Magalhães, externou sua indignação com o feminicídio do qual Cilma foi vítima.

 

“_ O Feminicídio é a tipificação do quanto os relacionamentos balizados no patriarcalismo, são perigosos. Enxergar uma mulher, uma pessoa, como sua posse, pelo que ela pode de dar e não pelo que a mulher é”. É preciso falar mais e mais como a violência doméstica é uma endemia que mata corpo e alma de milhares de mulheres todos os anos no Brasil e no mundo. A luta contra a desigualdade de gênero não é uma luta apenas das mulheres, mas de toda a sociedade”, defendeu.

 

Quem era Cilma da Cruz Galvão

 

Maranhense da cidade de Codó, Cilma da Cruz Galvão entrou para o Sindiserviços-DF em 2007, e atualmente era diretora de Políticas para as Mulheres e Combate ao Racismo da entidade. Atuante, Cilma foi eleita como efetiva do Conselho Fiscal e participava dos Congressos da CUT Brasília (CECUT/DF) e do Congresso Nacional dos Trabalhadores das Áreas de Serviços e Comércio. Em 2010, ela fez parte da Associação dos Moradores do Residencial Dom Bosco na Cidade Ocidental.

 

VEJA AS NOTAS

NOTA DO SINDISERVIÇOS

 

“CILMA DA CRUZ GALVÃO, PRESENTE!!!

 

10/12/1970 + 03/10/2021

 

A direção do Sindiserviços-DF, lamenta o trágico falecimento da Diretora de Políticas para as Mulheres e Combate ao Racismo, Cilma da Cruz Galvão. Empregada da Empresa BRA Serviços, prestadora de serviços terceirizados na limpeza do Posto de Saúde 07 da M Norte, Taguatinga/DF.

 

A companheira Cilma Galvão era natural de Codó, no Maranhão, completaria 51 anos no dia 10 de dezembro próximo, deixa o filho Jeferson da Cruz Galvão, 26 anos, e Luciano Thairone Galvão de Matos, 21 anos. Atualmente residia no Residencial Total Ville, Santa Maria/DF, local que veio a falecer vítima de feminicídio.

 

Combativa lutadora contra as injustiças trabalhistas, humanas e sociais, ingressou em 2007 na direção do Sindiserviços-DF, eleita como efetiva do Conselho Fiscal.

 

Sempre atuante e representativa, sua presença era constante nos Congressos da CUT Brasília (CECUT/DF) e Congresso Nacional dos Trabalhadores das Áreas de Serviços e Comercio, promovido pela Contracs-CUT.

 

A direção do Sindiserviços-DF está extremamente perplexa e surpresa, estando desde início da noite desse domingo (03) acompanhando todos os procedimentos para a liberação do corpo junto ao IML (Instituto Médico Legal) (…).

 

CILMA DA CRUZ GALVÃO, PRESENTE!!!”.

 

Nota da CUT/DF

 

“Nota de revolta e pesar

 

Mais uma valorosa mulher é morta pelo machismo que a sociedade não enfrenta, é conivente. Cilma, diretora em defesa da igualdade de gênero e racial pelo SINDServiços foi assassinada pelo homem de 37 anos com quem se relacionava.

 

O Feminicídio é a tipificação do quanto os relacionamentos balizados no patriarcalismo, são perigosos. Enxergar uma mulher, uma pessoa, como sua posse, pelo que ela pode de dar e não pelo que a mulher é.

 

Cilma Santo Galvão, de 51 anos era uma trabalhadora valorizada por sua categoria, sensível às mazelas da sociedade e disponibilizava seu tempo não apenas pela lutar pela melhoria da sua condição de vida e de sua categoria, mas para mudar essa sociedade violenta, em especial com as mulheres.

 

Moradora da periferia do DF não foi a violência institucional da desigualdade que tirou sua vida, mas dentro de casa, com a pessoa em quem ela mais deveria confiar, mas que só a enxergava como uma extensão de si e decidiu terminar com sua vida.

 

É preciso falar mais e mais como a violência doméstica é uma endemia que mata corpo e alma de milhares de mulheres todos os anos no Brasil e no mundo. A luta contra a desigualdade de gênero não é uma luta apenas das mulheres, mas de toda a sociedade.

 

Fica a saudade, revolta e o desejo de fazer justiça!

 

O Coletivo de mulheres da CUT deixa sua solidariedade à família e ao SINDServiços.

 

O desejo que a sociedade abrace a luta pelo fim do patriarcalismo machista!

 

O desejo que os relacionamentos sejam balizados no amor e não nas relações de poder, controle e posse.”

 

Thaísa Magalhães – Coletivo de Mulheres da CUT/DF

Link da nota: https://df.cut.org.br/artigos/nota-de-revolta-e-pesar-feb0

 

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