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Artigo | Feminicídio: essa violência tem que acabar

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Nenhuma violência contra as mulheres pode ser normalizada, como insinua o patriarcado. Os 21 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher insistem nisso e articulam diversas datas-referência, pautando inicialmente o 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, fechando em 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, comemorado desde 1950. Nesse intervalo, estão 1º de dezembro, Dia Mundial de Luta Contra a Aids e o 06 de dezembro, marcando o Massacre da Escola Politécnica de Montreal. Nessa data, em 1989, ocampus da Universidadefoi invadido por um misógino com a convicção de que curso de Engenharia não é lugar de mulher. O massacre resultou em 14 jovens mulheres mortas e 10 feridas. O patriarcado pretende divisão sexual não só nos poderes, mas também nos saberes, mas com o 6 de dezembro reafirmamos que as mulheres podem ingressar e se desenvolver no campo da ciência que desejar.

 

Em meio aos 21 dias de ativismo está o 25 de novembro que, originalmente, foi o Dia Latino-americano e caribenho pelo Fim da Violência contra a Mulher, criado em 1990, no V Encontro Feminista Latino-americano e Caribenho, em San Bernardo, na Argentina. Nove anos depois, a ONU mundializou a data, tornando-a Dia Internacional pelo Fim da Violência contra a Mulher.

 

Neste 25 de novembro desejo dar visibilidade ao feminicídio essa violência fatal, radical que atenta contra o direito humano à vida de toda e qualquer mulher. Assim, feminicídios não cabem nas democracias. Feminicídio é assassinato de mulheres, muitas vezes perpetrado com requintes de crueldade, resultante da cultura patriarcal. Feminicídio é crime hediondo, é crime de ódio, jamais crime de paixão.

 

Nomear o feminicídio é uma forma de visibilizar uma situação gravíssima. O Brasil patriarcal convive com violências cotidianas contra as mulheres, resultando em um cenário perverso: somos o 5º país com maior taxa de assassinatos femininos no mundo. Somente El Salvador, Colômbia, Guatemala (três países latino-americanos) e a Federação Russa têm taxas superiores às do Brasil.

 

O Mapa da Violência 2015 revela que mais de 106 mil brasileiras foram vítimas de assassinato entre 1980 e 2013. Somente entre 2003 e 2013 foram mais de 46 mil mulheres mortas. Estamos tendo uma verdadeira reedição das fogueiras medievais, que queimaram nossas antecessoras. Além de alarmantes, o estudo mostra que os índices de vitimização vêm apresentando um lento, mas contínuo aumento ano após ano.O número de vítimas do sexo feminino cresceu de 3.937, em 2003, para 4.762 assassinatos registrados em 2013, ou seja, um aumento de 21% em uma década. Essas quase 5 mil mortes representam 13 assassinatos de mulheres por dia no país, em 2013.

 

Nomeamos as mulheres que, no DF capital do país, foram atingidas pelo feminicídio, pois precisamos manter viva a memória dessas vítimas do ódio patriarcal. Quem são elas?

 

1. Eliuda Relozo, 35, morta em Santa Maria, em 22.01.22. Eliuda Relozo, presente!

 

2. K.C.P.S., 23, encontrada morta em Brazlândia, em 24.01.22. Estava com medida protetiva. K.C.P.S., presente!

 

3. Ana Cristina Farias de Araújo, 51, assassinada no Setor de Indústrias Gráficas, em 31.01.22. Registrou BO e pediu medida protetiva. Ana Cristina Farias de Araújo, presente!

 

4. Maria de Lourdes Furtado, 50, atingida por tiros disparados pelo marido, em Planaltina, em 10.02.22. Maria de Lourdes Furtado, presente!

 

5. Carla Jeane de Lima, 45, encontrada morta às margens da DF-001, Itapoã, em 1º.03.2022. Carla Jeane de Lima, presente!

 

6. Joana Santana Pereira dos Santos, 41, assassinada em Planaltina, em 20.03.22. Joana Santana Pereira dos Santos, presente!

 

7.Ana Paula Alves, 33, assassinada em Sobradinho, em 31.03.22. Ana Paula Alves, presente!

 

8.Brenda Pinheiro da Silva, 26. Corpo encontrado nu, carbonizado, mutilado, com pelo menos 22 facadas acima do abdômen e indícios de violência sexual. Em Samambaia Norte, entrada do Parque Gatumé, em 07.05.22. Brenda Pinheiro da Silva, presente!

 

9. Marina Paz, 30, corpo encontrado parcialmente carbonizado, com 2 ferimentos de tiros na cabeça, em Taguatinga Norte, próximo a BR 070, em 14.05.22. Marina Paz, presente!

 

10. Jackeline, 43, esfaqueada, em 31.07.22, em Fazendinha, Itapoã. Jackeline, presente!

 

11. Jeanne Pereira dos Santos, 31, assassinada em 03.08.2022, Ceilândia Norte. A vítima havia registrado um BO em 2021, mas o processo foi arquivado, no TJDFT. Jeanne Pereira dos Santos, presente!

 

12. Luciana Gomes da Costa, 34, assassinada no Sol Nascente, em 06.08.2022. Luciana Gomes da Costa, presente!

 

13. Andreza Farias Santiago, 22, assassinada a tiros no dia do aniversário, em07.08.2022, naEstrutural. Andreza Farias Santiago, presente!

 

14. Deisielle dos Santos, 29, alvejada com dois tiros no tórax, no Recanto das Emas, em 07.08.2022.Deisielle dos Santos, presente!

 

15. Adriana dos Santos Leite, 49. Seu corpo foi encontrado na EPIA (Estrada Parque Indústria e Abastecimento), a 300m do Shopping Popular, com sinais de estrangulamento, em 10.08.2022.Adriana Santos Leite, presente!

 

16. Patricia Silva Vieira Rufino, 40, assassinada no Itapoã, em 17.09.2022. Patricia Rufino, presente!

 

17. Janayna Amanda, 21, assassinada com 20 facadas, em Santo Antônio do Descoberto, Entorno do DF, em 14.08.22.Janayna Amanda, presente.

 

Alguns desses feminicídios foram cometidos diante de filh@/s da vítima.Esses crimes deixaram 36 órfãos que precisam – eles e suas famílias – ser protegidos, ser acolhidos. Feminicídio: essa violência tem que acabar.

 

(*) Por Ana Liési Thurler, socióloga, feminista, Coletivo Direitos Humanos PT-DF

 




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