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Faz escuro, mas eu canto!

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Assim versejava o poeta amazonense Thiago de Mello, na década de 70 do século passado, no enfrentamento contra a ditadura cívico-militar, que, à época, trancava as portas do futuro, compartilhando um presente feito de prisões, censura, exílios, torturas e mortes. O presente era algo tenebroso, feito de medo, mentiras e força bruta.

 

No momento atual, a história parece querer ser repetida, desta feita como uma imensa farsa, montada nos esgotos digitais e nos gabinetes do ódio de Brasília, perpetrada sob o manto de uma guerra declarada a um tal “marxismo cultural”. Enquanto o planalto delira, o Brasil real mergulha nas águas medievalescas da escuridão cultural.

 

Neste contexto, os trabalhadores das ciências e das artes estão sendo conduzidos abruptamente, aos milhares, aos porões da indigência e da miséria cultural. Isso tudo em meio a uma pandemia sem precedentes históricos, onde milhões de postos de trabalhos foram excluídos do mapa; seja pela crise sanitária, seja pelo fechamento de escolas, teatros, museus, cinemas, circos, cancelamentos de shows, de festejos tradicionais, festivais, filmes, telenovelas…e por aí vai.

 

Uma luz promissora nestes tempos de trevas e insegurança, foi a votação e aprovação da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc, nesta quinta-feira (04/06), no Senado Federal, cujo relator escolhido foi o Senador Jaques Wagner (PT-BA). Espera-se que, com essa aprovação, a mesma seja sancionada sem vetos pelo Presidente da República, pois é fruto de uma grande mobilização nacional do setor cultural do País.

 

Que assim seja, para que possamos honrar o nome do poeta carioca recém-falecido – Aldir Blanc – e os versos do poeta amazonense – Thiago de Mello – que, mesmo na escuridão apocalíptica, cantaram, cada qual ao seu modo, a luz e a esperança equilibrista.

 

Joãozinho Ribeiro é poeta e compositor
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