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Ex-presidente Lula volta ao ABC Paulista para dar primeira coletiva após resgatar direitos políticos

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Na manhã desta quarta-feira (10), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, em uma entrevista coletiva, sua volta ao jogo político-eleitoral

 

 

 

Nem a pandemia do novo coronavírus foi capaz de conter a quantidade de jornalistas que se apresentou para a primeira entrevista coletiva do ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na manhã desta quarta-feira (10), um dia após o Supremo Tribunal Federal (STF) anular as condenações imputadas a ele no âmbito da Operação Lava Jato. Sua volta à cena política é comemorada nos quatro cantos do País e em todas as regiões do mundo.

 

 

O ex-presidente, que nunca deixou de ser atacado pela mídia comercial, mas voltou mais forte do que nunca para a cena político-eleitoral do Brasil. Tornou-se o centro das atenções do mundo inteiro. Voltou falando como chefe de Estado, fez dezenas de jornalistas do Brasil e do mundo o ouvirem atentamente por mais de 2 horas.

 

 

A entrevista coletiva foi realizada na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo.  Lula iniciou dizendo que esperava que todo mundo estivesse de máscara e se cuidando contra a Covid-19. “Faz 3 anos que eu saí da sede deste sindicato para me entregar à Polícia Federal. Muitos foram contra minha decisão porque sabiam que estavam prendendo um inocente. Muitos não queriam que eu me entregasse. Mas um homem na minha idade não poderia ser visto como um fugitivo. Tinha certeza que este dia chegaria”. E citou o livro que está escrevendo, no qual menciona que a verdade vencerá.

 

 

Ele lembrou que nasceu politicamente no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo  e fez um retrospecto histórico das lutas no sindicato nos anos entre 1975 e 1978. Começou cuidando das contas previdenciárias. Mas tinha uma visão economicista. E avaliou que era hora de entrar na política. “Digo sempre que eu sou na política, o resultado da consciência política da classe trabalhadora brasileira, a hora que ela evoluiu, eu evoluí”.

 

 

 

 

E justificou a presença de algumas pessoas que o acompanhavam na coletiva: “Eu acho que isso justifica o convite que eu fiz para as pessoas que estão aqui, são as pessoas que estavam aqui quando eu saí para a sede Polícia Federal. E foram as pessoas que acreditaram antes e continuaram acreditando na minha inocência. Falta um outro coordenador ou coordenadora da Vigília em Curitiba que foi uma das coisas mais extraordinárias que aconteceu na minha vida”.

 

 

 

O ex-presidente contou que quando resolveu marcar a entrevista, “muita gente ficou preocupada com o seu humor, indagando como era que ele estaria porque se tem um cidadão que tem razões para estar magoado com as chibatadas sou eu. Não estou. As pessoas pensam que depois de dar a chibatada jogam um pouco de sal e pimenta e a pessoa vai se curar ao longo do tempo. Não importa as cicatrizes que fiquem nas pessoas. Eu sei que eu fui vítima da maior mentira jurídica, contada em 500 anos de história. Eu sei que a minha mulher, a Marisa, morreu por causa da pressão e o AVC se apressou. Fui proibido até de visitar o meu irmão no caixão porque tomaram uma decisão que queria que eu viesse para São Paulo, que eu fosse para o quartel do Segundo Exército no Ibirapuera, e o meu irmão dentro do caixão fosse me visitar. E ainda disseram que não podia ter nenhuma fotografia. Então, se tem um cidadão que tem razão de ter muitas e profundas mágoas, sou eu. Mas não tenho, sinceramente eu não tenho, porque o sofrimento que o povo brasileiro está passando, o sofrimento que as pessoas pobres estão passando nesse momento no País é, infinitamente, maior que qualquer crime que cometeram contra mim, é maior do que cada dor que eu sentia quando estava preso na Polícia Federal porque não tem dor maior que um homem ou uma mulher levantar de manhã e não ter a certeza de ter um café com pãozinho com manteiga para tomar. Não tem dor maior do que chegar na hora do almoço e não ter um prato de feijão com farinha para dar para seu filho. Não tem nada pior do que um cidadão saber que ele está desempregado e no fim do mês ele não vai ter um salário para sustentar a sua família”, disse.

 

 

 

Confira, a seguir, as principais declarações do ex-presidente:

 

 

 

 

SOLIDARIEDADE PARA AS PESSOAS QUE SOFREM COM A COVID-19

 

Sempre movido pela dor, Lula diz que essa dor que a sociedade brasileira está sentindo agora o faz dizer que a dor que ele sente não é nada diante da dor que sofrem milhões e milhões de brasileiros. “Minha dor e muito menor do que a dor de que sofrem mais 270 mil pessoas que morreram, seu pais, seus avós, mãe, sua mulher, seu marido, seu filho, seu neto e sequer puderam se despedir dessa gente na hora que sempre consideramos sagrado a visita, a última olhada para quem a gente ama. E muito mais pessoas devem estar sofrendo.

 

 

A IMPORTÂNCIA DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS)

 

 

“Por isso eu quero prestar a minha solidariedade nesta entrevista às vítimas do coronavírus, aos familiares das vítimas do coronavírus. Ao pessoal da área da saúde, sobretudo todo o pessoal da saúde privada e pública, mas sobretudo dos heróis e das heroínas do SUS que durante tanto tempo foram descredenciados politicamente. Foram descredenciados no exercício da sua profissão, porque só mostravam as coisas ruins que aconteciam no SUS e quando veio o coronavírus, se não fosse o SUS a gente teria perdido muita mais gente do que perdeu. Apesar do governo tirar tanto dinheiro do SUS”.

 

 

VACINA E GESTÃO DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA

 

 

“Vocês sabem que a questão da vacina, não é uma questão se tem ou não tem dinheiro, é uma questão se eu amo a vida, ou amo a morte. É uma questão de saber qual é o papel de um presidente da República no cuidado com o seu povo.

 

 

 

 

PRESIDENTE DA REPÚBLICA E ARMAS

 

 

“Porque um presidente da República não é eleito para falar bobagem no fake news, ele não é eleito para incentivar a compra de armas como se nós estivéssemos precisando de armas. Quem está precisando de armas são as nossas Forças Armadas, quem está precisando de armas é a nossa polícia que, muitas vezes, sai para rua para combater a violência com um 38 velho, todo enferrujado. Mas não é a sociedade brasileira, não são os fazendeiros que estão precisando de armas para matar sem-terra ou para matar pequeno proprietário, não são milicianos que estão precisando de armas para fazer terrorismo na periferia desse país, para matar meninos e meninas. Sobretudo meninos e meninas negras, maiores vítimas das armas e das balas perdidas nesse país. Nós estamos vivendo um momento delicado”.

 

 

AGRADECIMENTOS

 

 

 

Ele agradeceu o sindicato por ceder o espaço de sua sede para que ele fizesse mais uma coletiva de imprensa. “Este espaço democrático para realização da entrevista”. Também agradeceu ao presidente da Argentina, Alberto Fernandez, pela “decência, enquanto candidato a Presidente da República do seu país, teve a coragem, contra a extrema-direita, de ir à Polícia Federal de Curitiba me visitar. Mais ainda: eu pedi para ele não dar entrevista para não ser prejudicado pela direita, na Argentina, e ele me disse: — Lula, eu não tenho nenhum problema com o que a direita vai falar. O meu problema é o que vim fazer aqui. Eu vim ser solidário a você porque acredito que você está sendo vítima da maior mentira política já havida na América Latina”. E destacou que Fernandez foi a primeira pessoa a lhe ligar depois da decisão do ministro Edson  Fachin, do STF e agradeceu a solidariedade do povo argentino também.

 

Papa Francisco

 

“Agradeço ao Papa não só em mandar um representante seu a Curitiba lhe entregar uma carta, que a Polícia Federal não o deixou entrar, acho que era algum embusteiro. E realmente era enviado pelo Papa, pela carta do Papa, além dos vários pronunciamentos da Santidade. E a coragem do Papa em me receber no Vaticano e termos uma longa conversa não sobre o meu caso, mas sobre a desigualdade que é o maior mal que hoje paira no planeta Terra, um planeta que é redondo, que não é retangular ou é quadrado, e o Bolsonaro não sabe disso”.

 

 

 

Agradeceu ao Povo de Puebla, a Aloizio Mercadante, líderes da América Latina que foram solidários, acreditando e confirmando sua inocência. Também agradeceu ao Foro de São Paulo, ao ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica: “Uma das pessoas mais extraordinárias que eu conheci”. Agradeceu também ao senador norte-americano do Partido Democrata, Bernie Sanders; à prefeita de Paris, Ane Hidalgo: “Teve a coragem, quando a direita escrevia nos jornais que ia perder as eleições porque tinha me levado lá, ela falou: — Lula, para mim, a solidariedade vale mais do que uma eleição. Eu trouxe você aqui para dar um prêmio de Cidadão Parisiense para você e vou ganhar as eleições por causa desse meu gesto. E ganhou as eleições”

 

 

 

Zapatero, Evo Morales, Martinho da Vila, Chico Buarque, Noam Chomsky: “Um dos maiores intelectuais da humanidade”. E também agradeceu a Raduan Nassar, o autor de sua biografia não concluída, e a Fernando Morais, Martin Schutz, ministro alemão, representante da Social Democracia. Além de apoios na Itália e de representantes do Podemos da Espanha. Também agradeceu aos apoios dos sindicatos, do MST, nominalmente, para o coordenador do movimento no Paraná, Roberto Baggio, além do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

 

 

 

AGRADECIMENTO ADVOGADOS, PERITO, IMPRENSA E MORO

 

 

 

Destacou, nos agradecimentos, uma pessoa que ainda não teve a oportunidade de conhecer, Cláudio Wagner “Esse é o perito que está investigando todas as mensagens do hacker para provar a veracidade para citar na denúncia. O que é engraçado é que ao longo de 5 anos, amplos setores da imprensa não exigiram nenhuma veracidade do Moro, não exigiram nenhuma veracidade dos procuradores, não exigiram nenhuma veracidade da Polícia Federal para divulgar as mentiras que eles contavam a meu respeito. Mas agora nós estamos com um perito fazendo investigação nos documentos que está na Polícia Federal, autorizado pelo ministro da Suprema Corte e mesmo esse perito avalizando, vocês acompanham a imprensa. E eu acho muito engraçado que o Moro fala, eu não reconheço essa veracidade, os procuradores falam que não reconhecem mesmo tendo uma peritagem e a divulgação sendo autorizada pela Suprema Corte. No meu caso eles nunca pediram autorização. Era até engraçado porque muitas vezes eu ia fazer o inquérito e a maior preocupação do delegado que ia fazer o inquérito não era com a pergunta, era com o vazamento, e o vazamento era selecionado. Tinha um jornalista específico na Folha, jornalista específico no Estadão, na Época, na Veja, na Isto É, jornalista específico em vários canais de televisão. E todo mundo se lembra, quantas e quantas matérias no principal jornal da televisão aparecia um oleoduto, ou gasoduto saindo o dinheiro para falar 20 ou 30 minutos das denúncias dos procuradores sem nenhuma prova. Quanto ao Lula não precisava provar que tinha seriedade e, sim, destruir. Afinal de contas, um torneiro mecânico, sem dedo já tinha feito demais nesse país, era preciso evitar que esse cidadão pensasse em voltar a governar este País porque a América Latina nunca trabalhou em 500 anos com política de inclusão social. A inclusão social é para 35 por cento da sociedade que pode ir ao teatro, quem vai ao cinema é uma parte pequena, quem vai a restaurante é uma parte pequena, quem vai aos parques bonitos, quem vai a vernissage no país, quem vai nas exposições é uma parte pequena. A maioria fica no seu lugar. Afinal de contas, o papel do trabalhador é trabalhar e o papel do pobre é esperar as políticas de ajuda do governo quando ela vem”.

 

 

AGRADECIDO AO MINISTRO FACHIN

 

 

“Eu sou agradecido ao ministro Fachin porque ele cumpriu uma coisa que a gente reivindicava desde 2016, ele tomou, tardiamente: 5 anos depois. A gente cansou de dizer: — A inclusão do Lula e a inclusão da Petrobrás na vida do Lula como criminoso, era a razão pela qual a quadrilha de procuradores da Lava Jato, não o Ministério Público, a quadrilha de procuradores da força-tarefa e o Moro entendiam que a única forma de me pegar era me levar para a Lava Jato. Porque eu já tinha sido liberado em vários processos, mas eles tinham como obsessão porque eles queriam criar um partido político e tentar me criminalizar.

 

 

 

EDIÇÃO DO JORNAL NACIONAL NO DIA 9 DE MARÇO

 

 

“Eu fiquei muito feliz porque ontem nós tivemos um Jornal Nacional ético, ontem eu acho que quem assistiu televisão não estava acreditando no que estava vendo. Pela primeira vez, a verdade prevaleceu, dita não por alguém do PT, dita pela segunda turma do STF, no discurso do ministro Gilmar Mendes, dito pelo Ricardo Lewandowski, dito até pela Carmen Lúcia, que nunca tinha visto nada igual àquilo. E eu como acho que tenho um pouco de experiência, fiquei feliz com os meios de comunicação. Porque é para isso que existem os meios de comunicação, jornalista não existe para sair para rua para cumprir a ordem do editor. Vocês não sabem, mas aqui nessa sala não tem ninguém que tenha lidado com a imprensa 10% do que eu lidei. Desde 1975 eu lido com a imprensa, e com muita imprensa. Eu sempre disse que o papel da imprensa, quando o jornalista saí para rua, ele saí com o compromisso de dizer a verdade, a verdade nua e crua, não tem importância que ela seja contra o PT, contra o PC do B, o MDB. Não interessa, interessa a verdade nua e crua, uma imprensa livre. Não é uma imprensa que divulga aquilo que é ideologicamente o que ela quer. A ideologia da notícia do jornal ou da televisão deve ser colocada num cantinho editorial do pensamento jornal ou da revista. Mas vocês jornalistas precisam ser livres, e o compromisso de vocês a escreverem o que vocês viram, a escreverem o que as pessoas falaram para vocês e não escrever o que o editor quer que vocês escrevam. Portanto, eu fiquei feliz. Espero que a verdade versada pela Globo ontem seja o novo padrão de comportamento da Globo com a verdade. A Globo não tem que gostar ou não gostar de presidente, ela não tem que gostar ou não gostar de partido, isso ela decide na hora de votar mas na hora de informar ela tem que informar a verdade e somente a verdade. E ontem eu fiquei feliz porque eu vi a verdade proferida na íntegra por dois ministros da Suprema Corte e espero que continue assim. Porque antes o Gilmar também não aparecia, o Lewandowski também não aparecia. Apareciam os acusadores por meia-hora e quando aparecia o Lewandowski era por 30 segundos”.

 

 

 

LIBERDADE DE IMPRENSA

 

 

“Os meus advogados eu nem falo, porque o esforço para que meus advogados aparecesse 30 segundos era monumental. E nem sempre apareciam, mesmo assim eu continuo dizendo que a liberdade de imprensa é das razões maiores pela manutenção da democracia em qualquer país do mundo”.

 

 

 

ADVOGADOS

 

 

Lula agradeceu aos advogados que não eram criminalistas, Cristiano Zanin e Valeska Teixeira, e contou que sempre foi pressionado para que contratasse profissionais mais destacados na área de criminalística. “Mas, para dizer a verdade, eu não preciso disso”. Mencionou ainda que a pressão foi tamanha que acabou conversando com um advogado que lhe cobrou R$ 3 milhões. “Aí fiquei pensando se eu pagar 3 milhões de reais, estará confirmado que eu sou ladrão. Aonde é que eu vou arrumar  3 milhões de reais para pagar um advogado?”

 

 

 

 

“Vocês estão lembrados de que eu disse que não trocava a minha liberdade pela minha dignidade? Eu não ia colocar tornozeleira e que não ia ficar preso em casa porque a minha casa não era cadeia. Muita gente achou que eu estava radicalizando. Eu tinha certeza que esse dia chegaria, e esse dia chegou com o voto do Fachin de reconhecer, que nunca teve crime cometido contra mim, de reconhecer que nunca teve envolvimento meu com a Petrobrás e todas as amarguras que eu passei, todo o sofrimento que eu passei acabou. O processo vai continuar, eu já fui absolvido de todos os processos que seguiam em Curitiba mas nós vamos continuar brigando para que o Moro seja considerado suspeito. Porque ele não tem o direito de se transformar no maior mentiroso da história do Brasil e ser um considerado um herói porque àqueles que queriam me culpar. Eu tenho certeza que ele deve estar sofrendo muito mais do que eu sofri, eu tenho certeza que o Dallagnol deve estar sofrendo muito mais do que eu sofri. Porque eles sabem que eles cometeram erros e eu sabia que eu não tinha cometido erro.”

 

 

 

SOBRE O ATUAL PRESIDENTE

 

 

 

“Ele não sabe o que é ser Presidente da República, ele a vida inteira não foi nada. Ele não foi nem capitão, ele era tenente e foi promovido porque se aposentou e se aposentou porque queria explodir quartel e virou dirigente sindical de soldado. Queria mais aumento de salário. Depois que se aposentou, ele nunca fez mais nada na vida, ele foi vereador e deputado durante 32 anos. Exerceu um mandato e conseguiu passar para a sociedade a ideia de que ele não era político. Vocês imaginaram o poder da força do fanatismo, através dos fake news, o mundo elegeu um Trump. Através das fake news, o mundo elegeu um Bolsonaro”.

 

 

 

 

Para finalizar, Lula alertou para o fato da loucura que tomou conta do País e do mundo e que, nesse aspecto, o papel das igrejas é ajudar a orientar as pessoas. “Não é vender grão de feijão ou fazer culto sem máscara cheio de gente, dizendo que tem um remédio para sarar. Este País está, totalmente, desordenado e desregrado porque não tem governo. Este país não cuida da economia, não cuida do emprego, do salário, não cuida do emprego, esse país não cuida do meio ambiente, não cuida da educação, esse país não cuida do jovem, da meninada na periferia ou seja do que eles cuidam?”

 

 

 

Com edição do Jornal Brasil Popular CL

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