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Entrevista: Lava Jato plantou a semente do “Fora STF”, diz pesquisador

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TVGGN entrevista Sá e Silva, professor da Universidade de Oklahoma que encontrou a origem do discurso de ódio contra o STF

 

 

 

Fábio de Sá e Silva é um profissional multidisciplinar, com formação na área do Direito, Ciências Sociais e Políticas Públicas. Professor na Faculdade de Oklahoma, ele passou os últimos anos pesquisados os discursos e a interação de membros da força-tarefa da Lava Jato na mídia e nas redes sociais. E ficou “surpreso” ao descobrir que os ataques ao Supremo Tribunal Federal, com pedido de intervenção, impeachment de ministro ou mesmo o fechamento da corte, não germinou do bolsonarismo.

 

 

“A Lava Jato plantou a semente do ‘Fora STF”, disse Sá e Silva ao jornalista Luis Nassif, em entrevista transmitida ao vivo no canal do GGN no Youtube [assista abaixo].

 

 

O estudo de Sá e Silva começou em meados de 2014 até 2018, quando decidiu analisar os discurso da Lava Jato. Durante a pesquisa, ele identificou o que chama de “gramática política iliberal”, “onde a força-tarefa busca legitimar a quebra da lei em nome de um bem maior”.

 

 

Depois, em um segundo estudo, Sá e Silva passou a analisar o impacto do discurso nas redes sociais, um território mais nebuloso por se tratar de um trabalho que depende de dados de plataformas como o Facebook, que vem fechando acesso a aplicativos de coletas de dados por causa do escândalo da Cambridge Analytica.

 

 

Ainda assim, ele conseguiu uma base de dados com 75 mil postagens para analisar a Lava Jato entre 2017 e 2019. Desse total, ele filtrou as 750 postagens de maior impacto no Facebook.

 

 

“Para minha surpresa, a maior frequência por páginas era exatamente [de postagens] de Deltan Dallagnol. Ou seja, ele teve imenso impacto nesses anos falando de Lava Jato nas redes. E eu fui olhar para o que ele dizia e o que as pessoas agregavam em termos de sentido sobre a operação.”

As conclusões do estudo

 

 

A primeira conclusão da análise discursiva é que “houve um processo de glorificação dos agentes políticos da Lava Jato, compreendidos como enviados por Deus, e fazendo eco sobre a maneira como próprio Dallagnol se apresenta nas redes, como discípulo de Jesus.”

 

 

Além disso, na Lava Jato vislumbra-se a “emergência da pressão no STF e discursos como ‘Fora STF, intervenção no STF, impeachment do STF’. Tudo isso foi identificamos no intercâmbio de Dallagnol e seus seguidores.”

 

 

É claro que, sob Jair Bolsonaro, o bolsonarismo encontrou o lavajatismo nos ataques ao STF. Mas foi a Lava Jato quem plantou em uma fatia da sociedade o sentimento de que a Suprema Corte é responsável por obstruir governo ou soltar corruptos.

 

O papel de Moro e Dallagnol

 

 

Hoje, Dallagnol e Sergio Moro, ex-juiz da Lava Jato, continuam surfando na onda de ataques à instituição. Convém a ambos dizer que são candidatos para retomar o trabalho “anti-corrupção” que foi, na visão deles, desmanchado por decisões do STF.

 

 

“Dallagnol e Moro foram para a política e me parecem que rasgaram qualquer fantasia de imparcialidade e neutralidade ideológica. Eles passam a expressar com clareza valores conservadores – foram para partidos conversadores – e continuam fazendo o mesmo discurso” contra a corrupção, contra o PT, contra o STF. “A única coisa que eles não dizem é ‘contra o Bolsonaro’. Então está evidente o lugar que eles ocupam no espectro político brasileiro”, pontuou Sá e Silva.

 

 




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