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Enraizamento no passado ou criação do futuro?

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Os Estados Unidos da América (EUA) são os sucessores do Império Inglês em toda linha: na imposição do idioma, na violência, no arbítrio, na espoliação dos recursos naturais e da mão de obra das “colônias”, na doutrinação cultural, enfim, fazendo com que os povos, que não os estadunidenses, se sintam inferiores e gratos às migalhas deixadas pelo colonizador.

 

 

Em artigos que temos tratado da pedagogia colonial é detalhada esta dominação que reduz a condição de liberdade, de autonomia e do próprio espírito humano. Como temos exposto, a pedagogia colonial é um instrumento de poder de uma classe, de um grupo, de um estamento. Logo também é aplicada no país ou entre os que dela usufruem. Toda classe financista ou que a apoia, tem sido vítima da pedagogia colonial.

 

 

Os EUA constituem um exemplo de aplicador e vítima do financismo que domina o mundo desde os anos 1980. Em poucos países suas classes dirigentes conseguiram entender estes malefícios e tomaram o rumo do desenvolvimento industrial e tecnológico. Estes países independentes são rotulados pelos EUA, e pelos outros dominados pelas finanças, de ditaduras, de terroristas, de comunistas e são, ainda, agredidos com bloqueios, sanções e outros entraves às relações entre os povos.

 

 

No entanto, os próprios EUA começam a se dar conta que o financismo também lhe fez mal. No número de novembro/2021 (volume XXVIII, n.06) do jornal “Solidariedade Ibero-americana”, o Editorial e alguns artigos tratam deste atraso estadunidense, principalmente no campo militar em confronto com as conquistas da Federação Russa e da República Popular Chinesa, com os misseis hipersônicos e os submarinos nucleares. Aliando esta situação externa com a violência urbana, a insatisfação manifestada nas urnas nesta última eleição estadual (novembro/2021) e a miséria que se espalha por todos os EUA, a redatora Elisabeth Hellenbruich, de Wiesbaden (Hesse, Alemanha) escreve “Joe Biden e Donald Trump: para onde vão os EUA?” no citado jornal.

 

 

O atual presidente Joe Biden, ao arrepio dos ortodoxos cumpridores do Consenso de Washington, aprovou na Câmara dos Deputados um pacote de US$ 1,5 trilhão para investimentos em infraestrutura. No entanto ainda sofre críticas parlamentares pelo “descuido” no trato das questões de minorias raciais e de gênero. E, obviamente, no modo farsante de tratar a questão climática e ambiental.

 

 

Muitos dos dilemas que irrompem na administração estadunidense também afligiriam a brasileira, se aqui houvesse um governo nacional e não o colonial, como todos governos pós-golpe de 2016.

 

 

Nosso título é uma falácia, um falso dilema, pois é impossível um país ter um projeto de futuro se não estiver assentado na cultura, na formação do seu povo e nas condições ambientais, propiciadas pela natureza ao território nacional.

 

 

E nestes aspectos se temos o país mais rico do mundo em recursos naturais (energias, minérios, condições para agricultura de todos os produtos por todo ano, espaços agriculturáveis, água doce e climas) temos, lamentavelmente, séculos de pedagogia colonial, da incompreensão de nossa riqueza que também se inclui no possuir uma população miscigenada.

 

 

Sem qualquer eugenia, simplesmente na observação do médico e sábio, estudioso do ser humano, Antônio da Silva Mello (A superioridade do homem tropical, Editora Civilização Brasileira, RJ, 1965) assim se expressou: “o homem tropical foi realmente o verdadeiro criador da humanidade, pois conseguiu estabelecer uma anatomia e uma fisiologia que caracterizaram o seu tipo biológico, tipo que depois se difundiu por toda superfície do globo. Temos repetido que não foi senão muito mais tarde que ele, pelo seu progresso, pelo seu desenvolvimento, criou condições artificiais que lhe permitiram viver em todas as latidudes”.

 

 

Silva Mello, após discorrer sobre o efeito dos placebos na terapia, escreve: “se isso é tão evidente em território tão objetivo quanto o das doenças, que dizer de nossas ideias, de nossos sentimentos, de nossas tendências políticas, religiosas, filosóficas que conduzem a vida humana dando cunho tão particular à civilização?”. E, citando John Locke (Ensaio sobre o Entendimento Humano) exemplifica: “se uma babá meter na cabeça da criança as ideias de assombrações e espíritos as ligando à escuridão é possível que esta nunca se liberte do medo do escuro, fazendo-os então surgir no seu espírito”.

 

 

Considerando o passado da humanidade e as fobias e preconceitos, que toda sorte de doutrinação nos são entranhadas antes mesmo de nascermos, como agir para o futuro?

 

 

A primeira exigência deve ser: olhar para o passado, para nossa história, para a formação do nosso povo. E comecemos orgulhosamente por sermos um povo tropical de antecedentes tropicais, valorizando nossa cultura miscigenada.

 

 

O que pretendem as finanças? O megaespeculador George Soros ao destinar 11 bilhões de dólares estadunidenses, por sua Open Society Foundations (OSF), para projetos identitários e ambientais?

 

 

Impedir este entendimento pelos povos latino-americanos, africanos, asiáticos e do Pacífico. Eliminar suas culturas, sua tradições, e até seus idiomas como fizeram ingleses, franceses, espanhóis e estadunidenses em seus projetos colonizadores.

 

 

O caso da colonização portuguesa no Brasil, embora siga as linhas gerais do colonialismo, apresentou particularidades, que também precisamos entender.

 

 

Portugal surge no início do milênio, quando o conde Dom Henrique (1066-1112), natural de Dijon (França), derrota os mouros na Península Ibérica e conquista terras para agregar às cidades e províncias que lhe atribuíra o rei de Leão, Afonso VI, pelo seu casamento com Dona Teresa, sua filha: “o distrito colimbriense e o de Santarém, debaixo do nome comum de Portugal” (Alexandre Herculano, História de Portugal, Livraria Francisco Alves, RJ, 1914).

 

 

O filho de Dom Henrique e Teresa, Dom Afonso Henriques (1109-1185) será considerado o 1º rei de Portugal (1112-1185), deixando no entender de António Sergio de Sousa Júnior (António Sergio, Breve Interpretação da História de Portugal, Livraria Sá da Costa, Lisboa, 1972): “uma série notável de monarcas”, que se sucedem até Dom Fernando (1345-1383), 9º rei de Portugal (1367-1383).

 

 

O historiador Joaquim Pedro de Oliveira Martins (1845-1894) entende que não houve uma nação portuguesa, por unidade de raça e fronteiras naturais. “A situação dos portos utilizáveis (em número superior ao dos que existem hoje, 1882) foi o mais poderoso fator geográfico na independência de Portugal. A autonomia da nação apoiou-se no mar e nas gentes variadas que do mar lhe viam” (in História de Portugal, citado por António Sérgio).

 

 

Um país pobre em recursos naturais, com dimensões e população também modestas, Charles R. Boxer (O Império Marítimo Português 1415-1825, Edições 70, Lisboa, 2017) afiança que “a população de Portugal, no século XVI, nunca excedeu o milhão e um quarto”, lança-se à aventura marítima e chega ao oriente em período singularmente afortunado. Não havia nas costas da África, no Império Mameluco, do oriente próximo, nos domínios dos portos da Pérsia, da Arábia e da Índia, nem mesmo no Índico, Filipinas e Indonésia qualquer reino ou poder local que tivesse navios de guerra, como Portugal. As embarcações ali encontradas eram destinadas ao transporte de mercadorias e pessoas, sem artilharias nem ferro na construção dos cascos.

 

 

Afonso de Albuquerque (1453-1515) conquista a Índia (Goa) e trás para Portugal recursos e glórias. Os nobres portugueses no reino disputavam terras e préstimos reais. O rei protagoniza as funções que se atribuem ao Estado, mas incapaz de alterar o equilíbrio político vigente. Como assinala António Sergio, governam Portugal o rei, o clero e a nobreza, esta organizada nas “cortes”. Sobrava nobrezas e faltava espaço para se assentarem.

 

 

O exemplo de Afonso de Albuquerque se expande. Só entre os Albuquerque vieram para o Brasil: Jerônimo de Albuquerque (1510-1584), descendente de Dom Afonso Sanches, filho de Dom Dinis (1279-1325), 6º rei, Duarte Coelho de Albuquerque (1537-1578), filho de Duarte Coelho e Brites de Albuquerque, Matias de Albuquerque (1595-1647) e o irmão de Duarte, Jorge Coelho de Albuquerque (1539-1596). E vieram também os Sá: Mem de Sá (1498-1572), Salvador Correa de Sá (1537-1632), Estácio de Sá (1520-1567), os Souza, a partir de Tomé de Souza (1503-1579), primo de Martim Afonso de Souza (1500-1571), que brincou em criança com Dom João III (15º rei). Também vieram os Rego Barreto, os Teles de Menezes, os Lopes que formaram uma nobreza de terra, diferente da formada pela ciência, pelo ofício militar e outras ocupações que se faziam necessárias ao bem-estar da sociedade.

 

 

O contato direto dos proprietários exportadores com a Metrópole também influenciou um sistema de poder regional que ainda permanece no Brasil, hoje com o coletivo de “centrão”, mas que foram os ruralistas, os fazendeiros, o poder agrícola e até nos partidos do Império, liberais e conservadores, em tudo idênticos até nas origens agrárias.

 

 

Esta formação da sociedade brasileira, que jamais se desvinculou da Metrópole, das ordenações externas que aqui se aplicavam, e da subordinação à economia exportadora e seus valores monetários (a libra esterlina inglesa e o dólar estadunidense) nos impede a valorização da mestiçagem e a aceitação da igualdade humana. Também a ausência de um sentimento nacionalista correndo por toda sociedade, como podemos observar nas antigas colônias espanholas.

 

 

O genial Manoel Bonfim (1868-1932), em A América Latina – Males de Origem (Topbooks, RJ, edição do centenário, 2005), assim dispõe: “as sociedades dependem não só do meio, não só das condições de lugar, mas também das condições de tempo. Quer dizer: para estudar convenientemente um grupo social – uma nacionalidade no seu estado atual, e compreender os motivos pelos quais ela se apresenta nestas ou naquelas condições, temos de analisar não só o meio em que ela se acha, como os seus antecedentes. Uma nacionalidade é forçosamente a resultante de ação do seu passado, combinada à ação do meio”.

 

 

Temos magnificamente apresentada a noção do nacionalismo, como política e instrumento de análise para um Projeto Nacional, que tanto necessitamos hoje, como de lideranças que coloquem a questão nacional como fundamento de sua ação.

 

 

(*) Por Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado.

 

 




 

 

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