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Enfim, um carnaval politizado e de resistência

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O que caracterizou o Carnaval de 2020 foi sua politização explícita nas escolas de samba e nos blocos de rua. Foi o carnaval da resistência às tentativas de destruir a festa popular mais autêntica do povo brasileiro.

Os blocos de rua foram incisivos no combate ao falso puritanismo de ministros e às políticas privatistas de prefeitos e governadores. O bolsonarismo fundamentalista-religioso foi contestado nas músicas e nos enredos das escolas de samba do Rio e de São Paulo.

A escola vitoriosa na capital paulista, a “Águia de Ouro”, homenageou Paulo Freire, patrono da Educação brasileira, com o samba-enredo “O Poder do Saber!” Com essa vitória, a Águia deu um tapa na cara do presidente e do ministro da Educação Abraham Weintraub.

Em uma das alegorias, a Águia lembrou a frase famosa de Freire: “Não se pode falar de educação sem amor”, e levou as arquibancadas a cantar e repetir várias vezes “Viva Paulo Freire”.

Mangueira – No Rio, a Escola de Samba Unidos do Viradouro ganhou o certame com uma homenagem às lavadeiras escravizadas. Uma pegada afro-religiosa e denúncia social acentuada. Mas foi o samba da Mangueira que denunciou as desigualdades, a perseguição aos negros, mulheres, aos excluídos da sociedade. O teor crítico do samba da Mangueira foi destaque deste carnaval, apresentado uma visão moderna de Jesus Cristo, como mulher, negro, índio e os excluídos da periferia.

Intitulado “A Verdade vos fará Livre”, o samba da Mangueira fez críticas à repressão policial, ao genocídio da população negra periférica, entre outros temas relevantes.

Jair Bolsonaro foi criticado na letra do samba: “Favela, pega a visão /Não tem futuro sem partilha /Nem Messias de arma na mão…” Como se tivesse autoridade para falar sobre esse tema, Bolsonaro reclamou: “Cristo levando batida policial. Faz uma vinculação comigo (…) desacatando religiões”.

Por sua vez, a Mocidade Independente de Padre Miguel homenageou uma das maiores sambistas e cantoras do Brasil. O samba “Elza deusa Soares” levantou a torcida. “É sua voz que amordaça a opressão”, cantavam mulheres do carro de som, entonando um samba que exaltou a luta feminista de Elza.

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