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Encurralado pela CPI e pelo Centrão, como fica o Bolsonaro?

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O “Centrão”, grupo de trezentos e poucoa parlamentares fisiológicos e de direita, tem como vocação grudar nos governos de plantão para aproveitar ao máximo o uso do poder e fez, recentemente, um acordo com o presidente Bolsonaro para conseguir cargos importantes e verbas bilionárias para garantir suas reeleições e fortunas pessoais, com o compromisso declarado de apoio incondicional ao atual presidente da República. O principal motivo seria o de reduzir a possibilidade de impeachment, devido aos crimes de responsabilidade cometidos pelo presidente, desde que assumiu o cargo.

 

A partir desse acordo, houve um primeiro movimento de ocupação de espaços, como a Secretaria de Governo da Presidência, com a nomeação da Deputada Flávia Arruda (PL/DF) como ministra para coordenar a relação entre o governo e o Congresso Nacional, bem como com prefeitos e governadores.

 

A CPI da Covid foi instalada, por exigência do STF e, para surpresa de alguns, foi constituída por uma maioria de parlamentares que não é da base do governo federal. Destaque para a relatoria destinada ao Senador Renan Calheiros, que já avisou que a CPI irá apurar todas as responsabilidades de Bolsonaro, e de seus ministros, pela tragédia de mais de 400 mil mortos, além dos milhões de atingidos pela doença.

 

Renan garante que a CPI irá apurar, com rigor, não só o motivo pela não aquisição das vacinas, com a antecedência necessária, como a insistência do presidente em defender o tratamento precoce com remédios rejeitados pela comunidade médica internacional. Além, é claro, do rotineiro desrespeito às medidas de isolamento social e de uso de máscara protetora.

 

Assim, a dificuldade política de apoio do “centrão” ao desastroso, e cada dia mais impopular, governo Bolsonaro, pode fazer o feitiço se voltar contra o feiticeiro. Esses parlamentares são raposas antigas na política e somente têm compromisso com os seus interesses fisiológicos e não com os interesses ideológicos do governo federal. Além disso, jamais colocarão suas reeleições em jogo, por conta de um governo que perde o respaldo da população, a cada dia que passa.

 

No momento, o “Centrão” está pressionando por mais cargos no governo. O que levou o presidente a sinalizar o desmembramento do Ministério da Economia para fazer retornar o Ministério de Planejamento, entregando-o a um senador do “Centrão”. Essa medida viabilizaria investimentos de interesse eleitoral de seus membros, tal como o proposto em suas emendas parlamentares ao orçamento.

 

Finalmente, parece haver uma clara tendência de a CPI avançar a cada semana, enfraquecendo ainda mais a força política do presidente. O que levará o “Centrão” a pressionar para ocupar cada vez mais espaço no governo.

 

De todo modo, este grupo político não tem o que perder. Se o presidente for levado a renunciar ou a um processo de impeachment, nos próximos meses, o atual vice-presidente Hamilton Mourão assumirá o governo e não terá alternativa a não ser aceitar a ampliação da ocupação de cargos pelo “Centrão”, pois essa é a base parlamentar possível para garantir seu eventual governo até o final do mandato.

 

Se Bolsonaro permanecer no cargo, nos próximos meses, não terá como evitar sangrar diariamente, atingindo níveis cada vez mais baixos de aprovação, restando pouquíssima chance de reeleição.

 

Seja qual for o cenário, o “Centrão” poderá governar de fato, a partir da ocupação dos principais cargos do governo e pelo direcionamento das verbas bilionárias para execução das emendas dos seus parlamentares, já aprovadas no orçamento de 2021.

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