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Eleições: um falso debate

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Um debate nas redes entre experiência X renovação nas Câmaras Municipais.

 

O enfoque é equivocado. Em Porto Alegre, a “renovação” tem sido de mais de 50% a cada legislatura. Nesta eleição poderá ser maior.

 

A Câmara não tem melhorado pelo simples fenômeno da “renovação”, que não é garantia de maior qualidade no atendimento das demandas da população da cidade. Já a experiência tem se mostrado fundamental para a agilidade no encaminhamento de leis, projetos e da fiscalização constante do trabalho do Executivo.

 

Graças à experiência e dedicação e trabalho incansável de vereadores experientes, com vários mandatos, o serviço público e os servidores foram defendidos contra os ataques da atual gestão por aqui.

 

A derrota do prefeito nos projetos do Previmpa e Procempa só foi possível pela ação de experientes veteranos. Alcançamos estas e outras vitórias pela experiência dos parlamentares municipais.

 

Também a experiência no mandato legislativo resultou em vitória nas lutas pelo transporte público seguro e de qualidade, deu a vitória aos cobradores e a garantia de sua profissão.

 

Nós almejamos também o novo, o moderno, o ousado, seja de um parlamentar de primeiro mandato ou de um mandato que se renova a cada início de legislatura, sempre em consonância com as novas demandas do povo da cidade. Portanto, renovação não significa “novos vereadores” a cada mandato, mas sim a “experiência renovadora” de cada período de quatro anos.

 

Tomamos como exemplo a “nova” leva de congressistas federais, que só fez piorar e “envelhecer” a atuação do conjunto de parlamentares, num retrocesso político enorme.

 

Há que se combinar experiência e renovação. A experiência garante agilidade e eficiência no atendimento das diversas demandas. Já a renovação possibilita a sintonia com as diversas aspirações novas de uma sociedade que está sempre em transformação.

 

Combinar a presença e atuação fortes, seja dentro da Câmara, nas ruas ou nas redes sociais é tarefa prioritária que conjuga experiência e renovação. O embate na tribuna e a mobilização na rua e nas redes, sempre junto com a comunidade é o mais importante.

 

No recente embate sobre a defesa do Mercado Público fui buscar, tanto na tradição das religiões de matriz africana, como nos estudos do patrimônio histórico e cultural, da arquitetura e da antropologia, os elementos necessários a esta importante vitória.

 

A tradição que se põe ortodoxa não nos ajuda a avançar. O saber renovador conduz a ações novas, progressistas. E este tem que se ancorar nos saberes tradicionais.

 

A História é o fio de Ariadne que conduz e se precisar recuar voltaremos, sem nos perder nos labirintos dos embates que temos que enfrentar.

 

Os engenheiros do caos têm produzido ações mentirosas nas redes, usado a favor do mal os algoritmos. Para muitos a banalidade do mal faz parte do cotidiano dos que querem vencer a qualquer custo.

 

No campo democrático e popular não pode ter espaço para quaisquer formas de oportunismo, seja no uso da força da tradição, como da renovação para galgar posições ou fugir do debate necessário.

 

O lugar que estou e ocupo é fruto de combinações que forjo, a cada dia, por processos renovadores, com alta calibragem de escutas, apoios multifacetados, suportes e esteios de toda ordem. Ou seja, combino o tempo todo a experiência e a renovação.

 

Adeli Sell é vereador, professor e Bacharel em Direito
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