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Eleições 2022 | Como os presidenciáveis abordaram a educação no debate da TV

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Desde o início da campanha eleitoral, em 16 de agosto, dois importantes eventos foram realizados em rede nacional de televisão com candidatos(as) à presidência da República. Tanto na entrevista realizada no Jornal Nacional (Rede Globo), de 22 a 26 de agosto, como no debate transmitido na TV Bandeirantes, nesse domingo (28/8), a educação esteve na pauta, e foi alvo de promessas.

 

Confira como os quatro candidatos à presidência da República que lideram o ranking das intenções de voto abordaram o tema da educação pública até agora.

 

 

Lula

 

Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que lidera o ranking das pesquisas com 44% das intenções de voto, segundo a pesquisa Ipec, divulgada nessa segunda-feira (29/8), disse que “não existe nenhuma experiência de país que ficou rico sem investir na educação” e que “a educação foi abandonada neste país”.

 

Durante entrevista no Jornal Nacional, ele afirmou que “tem orgulho de, na história (do Brasil), ser o presidente que mais fez universidades, que mais fez escola técnica”, o que é confirmado pelas agências de checagem.

 

Ainda na entrevista, Lula disse que quando iniciou seu governo, havia 3,5 milhões de estudantes universitários. No final do mandato, segundo ele, o número foi para 8 milhões de estudantes universitários. O crescimento realmente foi realizado, mas só atingiu a marca dos 8 milhões no último ano de governo da presidenta Dilma Rousseff (PT), em 2015.

 

No debate transmitido pela TV Bandeirantes, Lula disse que é “lamentável” que o Ministério da Educação não tenha disponibilizado dados sobre o número exato de crianças com déficit no aprendizado, após o início da pandemia da Covid-19. Sobre esse período, ele disse que “existiram dois tipos de estudantes”. “Nós temos aquele que teve acesso a tablet, computador e que continuou estudando durante a pandemia. E nós temos aqueles mais pobres que não conseguiram acompanhar, ficaram sem ir pra aula.”

 

Para mudar o cenário imposto à educação pública do Brasil, Lula disse que, se eleito, no primeiro momento, convocará reunião com governadores e também com prefeitos das capitais para fazer um “pacto” e estabelecer “uma verdadeira guerra contra o atraso educacional”, gerado, segundo ele, pela pandemia, mas também “pelo corte de dinheiro que houve na educação”.

 

Em sua fala, Lula disse que quintuplicou o orçamento da Educação. As agencias de checagem mostram que, em 2010, Lula havia triplicado o orçamento da Educação em relação ao último ano da gestão Fernando Henrique Cardoso.

 

Bolsonaro

 

Bolsonaro (PL) perde para Lula nas pesquisas de intenção de voto para presidente da República nas eleições de 2022. Na pesquisa Ipec, ele aparece com 32%.

 

No debate exibido pela TV Bandeirantes, o candidato não foi questionado sobre o tema – e também não fez questão de encaixar a educação pública em suas respostas em assuntos transversais.

 

Já na entrevista no Jornal Nacional, questionado sobre os escândalos no MEC, Bolsonaro disse que escolhia seus ministros a partir de “critérios técnicos”. As agências de checagem mostram que a declaração é falsa. “Além de membros da sua gestão terem sido escolhidos por critérios políticos, nem todos eram formados ou tinham experiência na área de atuação da pasta que comandaram”, apresenta a agência de checagem Aos Fatos. Como exemplo, a agência traz o caso de Eduardo Pazuello (PL-RJ), “que comandou o ministério da Saúde entre maio de 2020 e março de 2021, era general do Exército e atuava na área logística”.

 

No governo de Jair Bolsonaro, o comando do Ministério da Educação passou por cinco nomes. O primeiro ministro, Ricardo Vélez Rodríguez, caiu após ser flagrado pedindo que escolas filmassem, sem autorização prévia, professores, alunos e funcionários cantando o hino nacional, e que fosse lida uma carta de sua autoria, finalizada com o slogan de campanha de Bolsonaro. O segundo ministro da pasta, Abraham Weintraub, saiu praticamente foragido do Brasil após insultar ministros do STF. O terceiro ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli, teve passagem relâmpago pela pasta, pois inventou título de doutor em seu currículo Lattes. O quarto ministro da Educação, Milton Ribeiro, é citado no caso de corrupção que liberava verbas do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) por meio de propinas, juntamente com os também pastores Arilton Moura e Gilmar Santos. O pagamento era feito até com barras de ouro.

 

Sobre os recorrentes casos de corrupção no MEC, Bolsonaro disse: “as pessoas se revelam quando chegam”.

 

 

Ciro Gomes

 

Ciro Gomes (PDT) é o terceiro na lista dos que têm maior percentual de intenção de votos: 7%, segundo a pesquisa Ipec.

 

Ele também fez falas falsas quando o assunto foi educação.

 

No debate exibido pela TV Bandeirantes, Ciro disse que o “Ceará tem hoje a melhor educação pública do Brasil” e que tem orgulho de fazer parte disso. Entretanto, segundo as agências de checagem, dados do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) de 2019, mostram que o Ceará possui o melhor Ideb apenas entre alunos do nono ano.

 

Ciro também afirmou que o Ceará tem “79 das 100 melhores escolas públicas do Brasil”. Não é bem assim. A verdade é que o dado é referente apenas aos anos iniciais do ensino fundamental.

 

Outra inverdade de Ciro foi quanto ao ensino integral. “60 de cada 100 alunos do ensino médio do Ceará já estão em tempo integral”, disse o candidato. De acordo com as agências de checagem, apenas 33,2% dos estudantes de ensino médio do Ceará matriculados na rede pública estudam em tempo integral.

 

Como proposta para a educação, Ciro Gomes diz que é necessário “transformar a educação pública brasileira em uma das dez melhores, em 15 anos”. Como fórmula, ele propõe mudar o padrão pedagógico reforçar o financiamento para o setor.

 

Não houve pergunta sobre educação pública para Ciro Gomes na entrevista realizada por William Bonner e Renata Vasconcelos, no Jornal Nacional.

 

 

Simone Tebet

 

Candidata do MDB à presidência da República nessas eleições, Simone Tebet está em quarto no ranking da corrida eleitoral. Ela aparece com 3% das intenções de voto na pesquisa Ipec.

 

Ex vice-governadora de Mato Grosso do Sul, Tebet não disse a verdade sobre o Ideb (exame de avaliação do ensino) na entrevista dada o Jornal Nacional. Segundo ela, “o Ideb de Mato Grosso do Sul pro ensino médio se não for o primeiro, ou o segundo, é o terceiro”. Entretanto, o Fato ou Fake, da Rede Globo, mostra que o Mato Grosso do Sul está na 9ª posição entre os estados brasileiros na avaliação do ensino médio. Se considerada somente a rede estadual, MS aparece na 7ª posição.

 

Simone Tebet ainda disse que saiu do governo de Mato Grosso do Sul “garantindo os melhores salários de professores do Brasil”. No estado, o salário de professores é o terceiro maior do Brasil.

 

“Faça educação de qualidade para salvar o povo brasileiro”, disse a candidata à presidência da República durante a entrevista no Jornal Nacional.

 

Não houve pergunta sobre educação pública para Simonte Tebet no debate exibido pela TV Bandeirantes.

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