Os movimentos da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica denunciam o “novo” projeto de desmonte dos Institutos Federais do governo Jair Bolsonaro (ex-PSL). Um No documento lançado nas redes sociais denuncia a proposta dos “novos” Institutos do governo e mostra que, de novos só teriam seus novos gestores porque a proposta é transformá-los em instrumentos políticos aparelhados diretamente por bolsonaristas nomeados sem eleição ou respeito à gestão democrática dos Institutos Federais, conquistada com lutas e garantida por lei. Os novos reitores teriam, então, mais condições de descaracterizar os projetos político-pedagógicos dos Institutos Federais a serviço do capital e da agenda neoliberal. Confira o documento

NÃO AO DESMONTE DOS INSTITUTOS FEDERAIS!
EM DEFESA DA EDUCAÇÃO 100% PÚBLICA E DEMOCRÁTICA!

Num contexto de pandemia, carestia, contrarreforma administrativa e cortes orçamentários no serviço público, o governo Bolsonaro apresentou mais um ataque à educação pública brasileira. Desta vez, requentou a ideia de 2018 de desmontar e aparelhar a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica por meio da suposta “criação” de 10 novas Reitorias para os Institutos Federais. Essa “criação” também tem sido chamada de reordenamento institucional, mas pode ser facilmente intitulada de desordenamento. A proposta é dividir os campi dos Institutos já existentes para que tenham novos reitores, sem viabilizar, ao mesmo tempo, mais cursos ou vagas, mais cargos de gestão conforme a necessidade, mais estrutura física, mais concursos públicos e financiamento efetivo.

Na proposta inicial, o governo propõe dividir os Institutos Federais do Pará, da Paraíba, do Piauí, de Pernambuco, da Bahia, do Maranhão, do Ceará, do Paraná, além de criar duas novas divisões no de São Paulo. Para encorpar esse rol, o servidor e ex-interventor do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), Josué de Oliveira, solicitou ao Ministério da Educação, por escrito, que o IFRN fosse incluído na iniciativa. O pedido antidemocrático está sendo apreciado pelo MEC sem que Josué faça parte da atual gestão do IFRN ou tenha sequer reunido um conjunto de servidores e estudantes em sua demanda autocrática e golpista.

A ação do ex-interventor do IFRN escancara o que realmente está por trás da proposta. E o objetivo não é, como alega o governo federal, garantir a “otimização dos tempos de deslocamento e dos custos da gestão institucional” com a “diminuição da distância entre as unidades e suas respectivas sedes institucionais (Reitorias)”. Essa justificativa, que poderia ser considerada e debatida democraticamente, precisaria ser acompanhada das diversas garantias já mencionadas. O que está realmente por trás de tudo isso é a intenção do governo Bolsonaro de nomear, sob uma máscara de legalidade, reitores que não conseguiu e não conseguiria, sem luta e resistência, manter como interventores ou eleger democraticamente!

Assim, de polos de resistência na defesa da educação 100% pública, democrática e de qualidade socialmente referenciada, da ciência e dos direitos humanos e sociais, os “novos” Institutos — que de novos só teriam seus novos gestores — passariam a ser instrumentos políticos aparelhados diretamente por bolsonaristas nomeados sem eleição ou respeito à gestão democrática dos Institutos Federais, conquistada com lutas e garantida por lei. Os novos reitores teriam, então, mais condições de descaracterizar os projetos político-pedagógicos dos Institutos Federais a serviço do capital e da agenda neoliberal. Conhecendo a atuação dos recentes interventores, não é leviano apostar que destroçariam essas instituições e as usariam como máquinas eleitorais da extrema direita — não é à toa que a maior parte dos “novos” Institutos estão no Nordeste.

Qualquer proposta de reorganização ou criação de Institutos, Reitorias ou campi deve envolver nas discussões e decisões suas trabalhadoras e trabalhadores, estudantes e as comunidades a serem atendidas. É preciso denunciar e lutar por todas as vias para derrotar mais essa tentativa de golpe à educação pública brasileira, nas ruas, nas redes, nos próprios Institutos e seus conselhos, no Conif, com o Sinasefe e demais sindicatos, movimento estudantil, parlamento e justiça!

À luta e à vitória!

#NãoAoDesmonteDosInstitutosFederais #TiraAMãodoMeuIF #ForaBolsonaro #ForaMourão #ForaAgendaNeolibeiral

Fonte: fb.com/LutaEducadora

🔗Documento do governo federal sobre a criação das 10 novas Reitorias: https://cutt.ly/HWQOqJJ
🔗Requerimento do servidor e ex-interventor do IFRN para inclusão da Instituição no desordenamento: https://cutt.ly/WWQONbd