O governo Bolsonaro, além de criador de inúmeras crises – com o STF e com governadores, por exemplo – está definitivamente em crise, cujo desfecho é imprevisível. Atualmente, a crise interna pode ser resolvida via impeachment, renúncia ou, como diz o próprio presidente, por morte ou vitória, mas todos sabem que vitória do Bolsonaro significa a derrota do Brasil!

Nos últimos dias, quanto mais o presidente cria problemas com quem tem compromisso com o país, mais se isola. Ontem, entidades empresariais do agronegócio – uma das principais bases de apoio do atual governo – publicaram manifesto em que, em bom português, pedem que o presidente pare de criar problemas com o STF, ao ameaçar jogar o povo que lhe segue contra essa importante instituição, que é a guardiã da Constituição Federal.

As entidades do agronegócio fazem parte de um movimento maior de entidades empresariais, que começou com a FEBRABAN (bancos) e FIESP (indústrias de SP), que iriam publicar manifesto de mesmo teor. Essas duas resolveram adiar a divulgação, atendendo a pedido do presidente da Câmara, deputado Artur Lira. Mas o agronegócio decidiu não esperar, nem pagar pra ver.

Atualmente, Bolsonaro conta apenas (e não é pouco) com as Forças Armadas, parte das igrejas evangélicas, dois ou três grandes veículos de comunicação e o Centrão, do qual o deputado Artur Lira é um dos principais líderes. Para seu projeto golpista, Bolsonaro ainda conta com as polícias militares, as milícias e uma parcela de classe média armada e com sangue nos olhos, todos capazes de qualquer maluquice terrorista, contra a imensa maioria de pessoas de bem que só querem uma coisa: Fora Bolsonaro!

Neste momento crítico, provocado pelo genocida, é crucial que lideranças democráticas, com peso político, se manifestem contra esse projeto fascista de Bolsonaro, para criar a coesão necessária para afastar os riscos de ruptura violenta, como ele deseja. Por outro lado, é sabido que os empresários estão preocupados com as maluquices do presidente, mas não querem Lula de jeito algum. Essa situação pode perdurar mais um tempo em busca de solução adequada para eles. Enquanto isso, o país continua deslizando ladeira abaixo, social, sanitária e economicamente.

A unidade das forças democráticas – e mais ou menos democráticas – é fundamental para enfrentar a situação criada por um governo fascista e genocida. Devemos continuar atuando para que outros abandonem o barco bolsonarista, visando à sua renúncia ou impeachment.
Tempo é algo que não temos para perder!