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EDITORIAL- A Marcha da Insensatez

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Os Estados Unidos decidiram entrar na Guerra do Vietnam, em 1965, a milhares de quilômetros de distância, numa região com vegetação e clima totalmente desconhecidos, para combater vietnamitas com alta motivação, conhecedores do terreno e bons guerreiros. Tudo indicava que os EUA não venceriam essa guerra. Mas, ainda assim, prevaleceu a insensatez, levando o país a sair de lá, em 1973, derrotado, com muitas perdas de vida dos seus soldados e de civis vietnamitas.

 

A Marcha da Insensatez, livro da historiadora Barbara Tuchman, demonstra, com esse episódio do Vietnam, entre outros, como a cegueira de governantes e líderes, ao longo da história, os fez tomar atitudes autodestrutivas para suas nações

 

No Brasil, nos últimos cinco anos, estamos presenciando mais uma histórica Marcha da Insensatez conduzida pelas nossas elites econômicas e políticas.

 

No período 2003/2014, o Brasil viveu uma fase de bonança, com crescimento econômico, eliminação da fome, redução significativa da desigualdade social, protagonismo internacional, entre outros indicadores que poderíamos mencionar. Até que Dilma Rousseff foi reeleita, o que foi considerado inaceitável pelas elites econômicas e políticas, que apostaram todas as suas fichas em Aécio Neves que, não aceitando a derrota, anunciou que faria de tudo para inviabilizar o governo, eleito pela maioria da população!

 

Há que se perguntar: porque as elites não aceitaram a vitória de Dilma? Estavam perdendo dinheiro ou espaço político para eleger seus senadores, deputados, governadores, prefeitos e vereadores?

 

As elites tinham tudo para apoiar a reeleição de Dilma, mesmo tendo votado e financiado a campanha do Aécio. Mas prevaleceu a Marcha da Insensatez! A partir de um acordo com o Deputado Eduardo Cunha, atualmente preso, a elite brasileira coordenou o processo de inviabilização do governo Dilma, com pautas-bombas e geração de instabilidade política que levou à instabilidade econômica e, em seguida, ao impeachment, com o Supremo com tudo. Apesar das elites econômicas e políticas sentirem na carne o resultado dessa Marcha, o que fizeram? Realizaram autocrítica para retomar o ciclo virtuoso dos governos Lula e Dilma?

 

Nas eleições em 2018, havia dois projetos em disputa: o defendido por Fernando Haddad, de retomada do desenvolvimento, com redução das desigualdades sociais e afirmação da soberania frente aos países desenvolvidos e o projeto defendido por Jair Bolsonaro, de redução do desenvolvimento, com aumento das desigualdades sociais e, pasmem, afirmando a submissão do Brasil aos interesses dos Estados Unidos. Mais uma vez, as elites econômicas e políticas, com forte amparo da grande imprensa, apostaram na aceleração da Marcha da Insensatez, apoiando Bolsonaro, que nos levou ao ponto em que estamos.

 

Agora parte da imprensa, que está sendo sufocada por Bolsonaro, ensaia uma reação a esse governo corrupto, desumano, incompetente e entreguista. Mas, como bons insensatos, insistem em comparar este desgoverno com o governo Dilma, que não teriam ajudado a derrubar, se fossem sensatos.

 

Editorial da Folha de São Paulo, em que diz que Jair Bolsonaro e Dilma Rousseff são iguais mostra claramente uma coisa: a Marcha da Insensatez, apesar dos pesares, continua em ritmo acelerado!

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