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Editorial | A CPI da Covid-19 não vai dar em pizza

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Há alguns dias, nosso editorial perguntava se a “CPI da Covid-19, no Senado, iria dar em pizza”. Naquele momento tudo levava a crer que sim. No entanto, acontecimentos mais recentes nos levam a mudar de opinião. Vamos pressionar o Congresso Nacional porque há uma boa probabilidade de que a CPI não dê em pizza.

 

A composição da CPI nos mostra a presença de maioria de parlamentares que não come na mão do presidente. Duvidávamos que isso pudesse acontecer, mas a resposta do Senado Federal foi positiva. Além de ter uma maioria que não é da base do governo, a relatoria será exercida pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), que já deixou claro que a CPI irá investigar todas as denúncias apontadas pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e outras relativamente ao assunto, que demonstram a omissão do governo federal em agir com eficiência ou pior, a intenção do governo em estimular o contágio massivo para, pretensamente, criar a chamada “imunização de rebanho”.

 

Por um lado, a crise de oxigênio para tratamento de internados, em Manaus, no início deste ano, tem provas suficientes para incriminar a intenção do governo federal em não atender à demanda e a fazer indicação de tratamento precoce com cloroquina.

 

Por outro lado, o presidente Bolsonaro atuou, o tempo todo, batendo de frente com as medidas defendidas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e postas em prática por quase todos e todas as dirigentes dos países, em todo o mundo.

 

Quando a OMS pregava o distanciamento social, pedindo às pessoas para ficar em casa e, com isso, evitar a aceleração do contágio e consequente colapso na rede de saúde, Bolsonaro chamou, insistentemente, o povo a sair de casa para adoecer: ao usar o transporte público; por aglomerar em shoppings e comércios em geral; por aglomerar nos locais de trabalho e por aglomerar nos locais ensino, entre outros. Ele próprio promoveu, quase que diariamente, atividades de aglomeração de pessoas, sem usar máscara, estimulando a todos que fizessem o mesmo.

 

Quando a OMS pregava o uso rotineiro de máscara, cobrindo boca e nariz, Bolsonaro não usava máscara, exceto num curto período após discurso do ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

 

Quando a OMS afirmava que não havia remédio comprovadamente eficaz para tratar a doença, Bolsonaro utilizou as redes sociais e seus veículos de comunicação aliados para afirmar que a cloroquina, a hidroxicloroquina e a ivermectina eram eficazes, montando um esquema comercial de aquisição maciça, pelo governo com o dinheiro público. Como ele chamava o povo para aglomerar, e tossir uns nas caras dos outros, era  fundamental inventar um remédio ineficaz para isso. O que contribuiu para fazer muita gente adoecer, quer seja pela ineficácia do tratamento com cloroquinas e outras maluquices, quer seja pelos efeitos colaterais pelo uso desses “remédios”.

 

Finalmente, e talvez mais importante, enquanto o mundo todo buscava comprar as vacinas, oferecidas por vários fornecedores, o presidente Bolsonaro não só não tomou medidas para a aquisição como fez questão de desqualificar a vacina e, pior, utilizar critérios ideológicos burros para rejeitar vacinas da China e da Rússia, especialmente.

 

Há uma enorme quantidade de provas que mostram que o governo Bolsonaro – incluindo os dirigentes militares no governo – definiram uma política de promover o máximo de contágio, com a “finalidade” de produzir a imunização pelo “efeito rebanho”. Algo que foi tentando pelo premier Boris Johnson, do Reino Unido, no início do ano 2020, e logo abandonado pelas consequências desastrosas dessa política. Poucos sabem, mas há estudos que demonstram que a crise em Manaus, em que faltou oxigênio para os internados, foi fruto dessa política de provocar o efeito rebanho. Não só não produziu esse resultado, como também, ao contrário, permitiu o aparecimento da nova cepa P1 – que só existe no Brasil – e que mostra consequências deletérias, como aceleração do contágio, aumento da letalidade, aumento de contágio e morte em quem já tinha se recuperado da doença.

 

Por tudo que já sabemos e pela enorme quantidade de provas existentes, que a CPI irá sistematizar adequadamente, ficará claro que Bolsonaro agiu, deliberada e conscientemente, para aumentar o contágio pelo coronavírus e, o previsível resultado de quase 400 mil mortos até o fim de abril de 2021, além de milhões de sequelados, com menor ou maior gravidade. Dessa forma, serão responsabilizados ministros, como o general Eduardo Pazuello, da Pasta da Saúde, mas, principalmente, o presidente Bolsonaro, que orientou para que ocorresse o desastre sanitário e ainda foi um militante 24 horas por dia da mal-intencionada imunização de rebanho, atrapalhando o que pôde, contra os governadores e prefeitos que tentavam agir para proteção da saúde e da vida dos seus cidadãos.

 

A partir desta CPI será  possível que reste ao Presidente renunciar o mais rápido possível ou aguardar a abertura do processo de impeachment, solicitado por um grande número de parlamentares e lideranças da sociedade. Segundo levantamento do site Poder 360, há mais de 70 pedidos de impeachment na Câmara dos Deputados.

 

“Vacina para todos” e “fora Bolsonaro” são os principais pedidos da maioria do povo brasileiro.

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Um comentário

  1. Considerando a maioria de independentes e de oposição, e os cargos ocupados por estes – Presidente, vice e relator -, é possível afirmar que a CPI tem tudo para apurar as responsabilidades do governo. E… daí se pensar em mais uma denuncia por crime de responsabilidade contra o presidente e outros membros do governo. A avaliação é correta. Mas, essa análise para na CPI. Um impedimento teria outros desdobramentos. Creio que somente uma grande mobilização popular levaria o Congresso – de centro-direita – a tomar essa prerrogativa, que é do Congresso. Quero, mas na creio nessa possibilidade. #ForaBolsonaroGenocida. Motivos não faltam.

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