De tanto “bater o pé”, Bolsonaro fez finalmente o seu desfile militar golpista no Planalto (de apenas 10 minutos). O presidente da Câmara, Lira, passou pano, dizendo ridiculamente que a manifestação militar foi apenas “coincidência” com a votação do tal voto impresso – a senha golpista do genocida.

 

Ninguém da oposição se intimidou e alguns representantes da valente, combativa e incansável geração 68 “enfrentaram” os tanques, como testemunhou um companheiro que fez um vídeo do teatral desfile militar.

 

A montanha das ameaças golpistas de Bolsonaro pariu um “golpe-camundongo”, cuja única consequência prática será seu maior isolamento e rejeição e a certeza de não aprovação do seu “voto impresso”.

 

Mas o desespero de Bolsonaro é tão grande que ele pode mesmo dar um golpe com parcela das Forças Armadas, basicamente o comando militar de Brasília. Mas esse golpe não passaria de uma aventura, uma mera quartelada isolada até mesmo dentro das Forças Armadas.

 

Contudo, como toda aventura golpista essa também não teria vida longa, pois não se apoia em nenhum projeto econômico ou internacional, apenas no projeto de ditadura pessoal de Bolsonaro.
Segundo vários indícios as classes dominantes, ou a maior parte delas, já têm uma estratégia para tentar garantir o poder total do estado nas eleições de 2022, e não passa pela reeleição de Bolsonaro nem pelo seu impeachment.

 

Tudo indica que passa pelo contínuo sangramento político de Bolsonaro, com foco em seu envolvimento com a corrupção. O objetivo estratégico aqui é redirecionar o crescente apoio das classes médias da atual tendência Lula, para um dos seus pré-candidatos da chamada “terceira via”. O nome mais provável é o de Ciro, que vem martelando nesse caminho desde que se colocou como adversário de Lula.

 

Na realidade Ciro vem centrando a sua estratégia eleitoral no combate à corrupção de Bolsonaro e de seu governo. Nas eleições de 2022 com toda a certeza vai requentar as mentiras da Lava Jato contra Lula, com repercussão total na grande mídia.

 

O falso “combate à corrupção” foi a fórmula milagrosa finalmente encontrada pela oligarquia corrupta, predadora e antipatriótica do Brasil para atrair o apoio das classes médias, dividir o povo e golpear a esquerda.

 

Mas Lula, o PT e o campo de centro-esquerda vai estar preparado tanto para não cair em armadilhas isolacionistas quanto para não se deixar dividir por essa já bastante conhecida narrativa enganosa e reacionária das classes dominantes, verdadeiro “canto de sereia” golpista.

 

Val Carvalho – escritor e militante de esquerda