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Duelo no OK Curral: uma análise sobre a 50ª reunião do Fórum Econômico Mundial

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A 50ª reunião do Fórum Econômico Mundial, uma das instituições constituídas (em 1971) para impor ao mundo o neoliberalismo, ocorrida em Davos (Suíça), entre 21 e 24 de janeiro de 2020, discutiu a crise de confiança no sistema global da gestão financeira, um preceito medular do sistema financeiro internacional, a banca.

 

Vamos analisar passo a passo o que significa esta guerra deles, os donos do capital do mundo. Se não parecesse racismo, diria: guerra de brancos, mas certamente não é nossa, pois é dos ricos.

 

O neoliberalismo surgiu no século XX objetivando reconquistar para as finanças o poder mundial, perdido para a industrialização. Vejamos as relevantes diferenças.

 

O financismo dispensa consumidores. Ele capta (ou se apropria por diversos meios, muitos ilícitos e quase todos antiéticos) os recursos das pessoas e se apropria, quase sempre pela corrupção (inclusive a que transforma furtos em ações legais), do dinheiro público.

 

A industrialização ganha com a venda de seus produtos para a população. Assim não só precisa dos trabalhadores para produzir, é grande geradora de empregos, como necessita que as pessoas tenham recurso para comprar a produção. Sempre promove alguma distribuição de renda.

 

É a primeira diferença: as finanças concentram renda, as indústrias impulsionam a repartição de renda.

 

Ardilosamente, as finanças foram se misturando em movimentos reivindicatórios: ecológicos (da proteção ambiental) e identitários (garantia para as diferenças e minorias). E tomaram, quase sempre, seu controle, pois custeavam as manifestações, divulgações, reuniões etc.

 

As finanças também cooptaram movimentos sociais, de esquerda, que acabaram os apoiando. Foi o fim ou a transformação de partidos trabalhistas, socialistas e comunistas, na Europa e por toda parte.

 

Estas farsas da banca provocaram o recuo e a perda de apoio popular, inclusive dos sindicatos. E com as interpretações das crises dos anos 1960 e 1970, a industrialização ficou contra a parede. O tiro de misericórdia foi disparado por Margaret Thatcher (Inglaterra), e Ronald Reagan, nos Estados Unidos da América (EUA), na década de 1980, com as denominadas desregulações financeiras. Podemos resumir estas medidas com a frase: todo dinheiro é limpo, não importa se veio do crime, das drogas ou do trabalho. Criaram os paraísos fiscais (só os EUA têm quatro Estados paraísos fiscais) para lavar qualquer dinheiro.

 

As “crises” de 1987 até 2002, abrangendo todos os continentes, com nomes e justificativas que as fizessem parecer diferentes, nada mais fizeram do que transferir para as finanças os recursos dos tesouros nacionais, das economias populares e obter a maior concentração de renda.

 

O século XXI iniciou sob o amplo domínio do capital financeiro, da banca.

 

A União Europeia (EU) é a união econômica e política de 27 Estados, criada em Maastricht, Holanda, a 1º de novembro de 1993, . Hoje são membros os fundadores (Alemanha, Bélgica, França, Itália, Luxemburgo, Países Baixos) e os que se agregaram: Áustria, Bulgária, Chipre, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, Grécia, Hungria, Irlanda, Letônia, Lituânia, Malta, Polônia, Portugal, República Tcheca, Romênia, Suécia e o Reino Unido (em processo de saída da UE, já decidido pela votação do referendo em favor do Brexit).

 

A grande cartada dos neoliberais foi a criação do Banco Central Europeu (BCE), em 1998, gestor da moeda euro, que tinha a pretensão de ser a única para toda Europa.

 

Como um Brasil Popular explica, vamos mostrar o que significa a moeda fora do controle da Nação. Os países são diferentes em tamanho, população, recursos naturais, formação cultural, história e são estas especificidades que lhes dão a característica, o orgulho que se traduz no nacionalismo. Formam-se, assim, os Estados Nacionais. Não sendo um Estado Nacional, o país é uma colônia ou, na perversa designação neoliberal, um Estado Mínimo (EM).

 

A moeda é característica importante da soberania nacional, que, no início de sua trajetória histórica, exibia a face dos reis, imperadores, os senhores que lhes garantiam o valor. Um país sem moeda é uma colônia. Os países da antiga África Ocidental Francesa têm, como moeda, o franco cfa, isto é, o franco da Comunidade Francesa Africana, emitido e controlado pelo governo francês, embora politicamente independentes, não têm autonomia econômica, o que os mantém pobres, subdesenvolvidos, dependentes do colonizador.

 

Fazem parte da zona do euro: Alemanha, Áustria, Bélgica, Chipre, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Finlândia, França, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Malta, Holanda, Portugal, Grécia e Espanha. Mas o poder econômico da Alemanha, unida à França, transforma o euro na moeda colonial dos demais. E, a tal ponto isto é relevante, Portugal submetia, previamente à aprovação governamental seus orçamentos nacionais para concordância da Alemanha.

 

Agora, na crise que o Fórum Econômico Mundial já discutia em janeiro, agravada com o congelamento econômico resultante dos confinamentos e quarentenas, qualquer incidente gera o desequilíbrio nas contas nacionais, que a falta do poder sobre a moeda potencializa.

 

O fato objetivo foi a chegada de milhares de emigrantes tunisianos na ilha italiana de Lampedusa, agravando a economia da Itália e para a qual os donos do euro não querem conceder ajuda. E tem a seu favor o norte anglo-saxão, escandinavo, que despreza o sul latino.

 

Um duelo que só fará vencedores aqueles que se tornarem soberanos Estados Nacionais, donos de suas moedas. O que o neoliberalismo não permite.

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