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Dos cavalos brancos de Bolsonaro à investigação de uma “rachadona” 

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Em sucessivos pronunciamentos depois do decreto de indulto ao deputado Daniel Silveira, Bolsonaro retomou o tema das urnas eletrônicas na eleição presidencial, tema que de um só golpe mudou e não é mais da suposta insegurança dessas urnas. Delas ele parece não desconfiar mais, ele agora não confia é numa suposta sala secreta do Tribunal Superior Eleitoral em que cinco ou seis pessoas controlariam a apuração dos votos e decidiriam quem ganhou.

 

Bolsonaro passou a querer que na central de computadores da apuração seja instalado um cabo que leve a contagem diretamente a alguma instalação do Exército, para que este possa aferir e atestar a correção dos resultados. 

 

Bolsonaro é enormemente ignorante em todas as áreas do conhecimento, mas não é estúpido e tem aquela esperteza e astúcia típica de quadros psicopatológicos como os dele que lhe permitem distinguir dos fatos da realidade com que joga as invencionices com que tenta defender seus interesses. 

 

Ele sabe perfeitamente, portanto, que não existe a sala secreta supostamente povoada por pessoas reais que ele detesta, como os ex-ministros e ministros do TSE Luís Roberto Barroso, Edson Fachin e Alexandre de Morais. Ele sabe, mas joga com a invencionice para mobilizar o núcleo duro de seus apoiadores e assim, num clima coletivo de confronto, influir nas Forças Armadas e jogá-las contra o Supremo. 

 

Pouco antes desse pronunciamento, Bolsonaro apareceu duas vezes, em dias sucessivos, montado num cavalo branco para presidir solenidades ao ar livre, primeiro em Ribeirão Preto, São Paulo, e em seguida em Parnamirim, no Rio Grande do Norte.

 

Na alma de alguns de seus seguidores, o cavalo branco poderia lembrar uma das montarias preferidas de Napoleão Bonaparte, mas para outros ele poderia ser o cavalo branco de São Jorge, cujo dia fora comemorado pouco antes e que lembraria simbolicamente a luta do bem contra o mal, do santo guerreiro contra o dragão da maldade, luta em que Bolsonaro tenta fazer crer que está empenhado.

 

Com essa combinação de apelo popular primário, violência jurídica escancarada e ameaça militar explícita, Bolsonaro mantém-se candidato ao segundo turno da eleição presidencial, perdendo para Lula nas pesquisas por uma diferença de no mínimo 9%, e ao mesmo tempo se oferece como cabeça de uma conspiração golpista que atingiu agora seu segundo ponto culminante – muito mais grave que o primeiro, o de 7 de setembro do ano passado, quando ele se viu na contingência de pedir a interferência do ex-Presidente Michel Temer para acomodar a  situação.

 

Desta vez Bolsonaro recusou, com um “não” telegráfico, monossilábico e sonoro, a ajuda de novo disponível de Temer e foi adiante, proibindo à turma de seu entorno qualquer tentativa de apaziguamento. Com isso pendeu para o lado do golpe o pêndulo de seu comportamento, demente mas com método e inspirado no exemplo e nas orientações de uma extrema direita internacionalmente conectada.

 

Mas desta vez ministros do Supremo, procurados reservadamente por um expressivo e influente grupo de senadores, fizeram ver aos presidentes do Senado e da Câmara que o Congresso não poderia deixar o STF isolado em defesa da Constituição.

 

Nessas conversas foi dito até que o comportamento do Presidente da República constituía uma ameaça direta à realização das eleições deste ano. Em pronunciamentos discretos e escritos, mas falando claramente pelo Congresso, os presidentes do Senado e da Câmara saíram imediatamente em defesa da Constituição e das eleições. O recado foi entendido e na sexta-feira Bolsonaro recuou mais uma vez, dizendo que não pretendera peitar o Supremo com o decreto do indulto a Daniel Silveira, apenas corrigir o que lhe parecera uma injustiça.

 

Horas depois começava a surgir um fato novo, a notícia de mais um processo contra Silveira, agora pela prática de um novo modelo de “rachadinha” em seu gabinete na Câmara dos Deputados: não a “rachadinha” da apropriação da maior parte do salário de funcionários fantasmas, típica dos Bolsonaro 01 e 02, mas uma verdadeira “rachadona”, a apropriação da maior parte dos falsos honorários de 200 mil reais pagos em dinheiro vivo a um advogado particular, pela falsa prestação de assessoria jurídica na elaboração de projetos ou pareceres que ainda não se sabe se existiram ou não – assessoria que teria sido prestada por mensagens de whatsapp ou por chamadas telefônicas não gravadas.  Assessoria, aliás, que poderia ter sido prestada sem custos paralelos pelos órgãos próprios de assessoramento e consultoria da Câmara dos Deputados.   

 

 

(*) José Augusto Ribeiro – Jornalista e escritor. Publicou a trilogia A Era Vargas (2001); De Tiradentes a Tancredo, uma história das Constituições do Brasil (1987); Nossos Direitos na Nova Constituição (1988); e Curitiba, a Revolução Ecológica (1993). Em 1979, realizou, com Neila Tavares, o curta-metragem Agosto 24, sobre a morte do presidente Vargas.




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