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Diretores aumentaram seus próprios salários e puseram em curso uma “farra do boi” no BB

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A  visão é de uma violenta praga de gafanhoto atacando a instituição e destruindo tudo por onde passa

 

 

Os bancários chamam de “farra do boi” a nova temporada aberta no Banco do Brasil com a chegada do novo presidente Fausto Ribeiro, efetivado no cargo por meio de decreto, há uma semana, no dia 1º de abril. Parece mentira, mas é ele o “capitão” contratado para passar a boiada e engendrar a dilapidação da empresa nacional.

 

 

 

João Fukunaga, coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), afirma que os diretores são inescrupulosos e que os membros do Conselho de Administração do banco, indicados pelo governo Jair Bolsonaro e ministro da Economia, Paulo Guedes, não são diferentes. Também denuncia o novo presidente que já mostrou que seguirá a cartilha ditada pelo mercado financeiro.

 

 

A CEBB denunciou que a indicação de Fausto Ribeiro é contestada desde antes de ele assumir o cargo, que os diretores aumentaram em 28% seus próprios salários e que os conselheiros de Administração não impedirem esse aumento porque também os beneficiam.

 

 

 

“É a verdadeira farra do boi! Cada um por si, mas todos tirando proveito da coisa pública”, criticou o coordenador da CEBB, João Fukunaga. “Esse aumento de 28% nos salários dos diretores está manchado pela redução de 5.000 postos de trabalho, pelo fechamento de 160 agências bancárias, milhares de pessoas tendo que concorrer aos cargos para disponíveis para não terem redução em seus salários, que está decretada para quem não conseguir uma das vagas. A reestruturação que visava economizar, serviu para os diretores aumentarem seus próprios salários, assim como o valor dos dividendos pagos aos acionistas dos banco”, completou.

 

 

 

O representante dos funcionários também criticou os comentaristas econômicos. “A imprensa, estimulada por analistas do mercado financeiro, dizia que era preciso ter alguém que defendesse a privatização do banco e que a escolha de um funcionário de carreira prejudicaria as ações neste sentido. Por que defendem a privatização de um banco extremamente importante para o desenvolvimento do país? Por que privatizar um banco que não traz prejuízos ao país, ao contrário, mesmo realizando todas suas tarefas sociais e de desenvolvimento econômico que um banco público deve realizar, consegue se pagar e ainda contribui com dividendos para o Tesouro Nacional? Que interesses existem atrás desta defesa?”, questionou o coordenador da CEBB.

 

 

 

Ribeiro e seu comunicado

 

 

Fausto Ribeiro, que tem 33 anos de carreira no BB, enviou um comunicado aos funcionários destacando a importância do banco e dos próprios funcionários, mas ressaltando a necessidade do “retorno” aos acionistas.

 

 

 

“Foi um comunicado padrão. Depois que mostramos para toda a sociedade os problemas que seriam causados aos municípios, aos clientes e a toda a economia do país pela desestruturação anunciada pelo banco em janeiro, o governo teve que desacelerar suas ações”, avaliou o coordenador da CEBB ao ressaltar as manifestações e articulações feitas pelos bancários e suas representações sindicais em todo o país contra a “reestruturação” do BB.

 

 

 

Para Fukunaga, trata-se apenas um jogo de cena estratégico do governo, que vê sua popularidade despencar desde a decisão do Supremo Tribunal Federal, que reestabeleceu os direitos políticos e eleitorais do ex-presidente Lula.

 

 

 

“Engana-se quem acredita que a desestruturação será interrompida. Ribeiro é um nome do governo, que, por meio de Paulo Guedes (ministro da Economia), já deixou clara sua intenção de privatizar o Banco do Brasil. Bolsonaro, estrategicamente, quer deixar para tocá-la em 2023, após sua reeleição. A mudança de rumo só virá mesmo se Bolsonaro não for eleito e, ao invés disso, for eleito alguém que, historicamente defende o banco público”, ressaltou.

 

 

 

A farra do boi

 

 

Pior do que Ribeiro, que está sendo usado para desacelerar a privatização, numa tentativa de recuperar credibilidade e evitar rebeliões na base aliada, é a “farra do boi” promovida pelos diretores e não evitada pelo Conselho de Administração.

 

 

 

“Da mesma forma que se critica vereadores e deputados que aumentam seus próprios salários, os diretores do BB – que tomaram a mesma iniciativa – não devem ser poupados”, defendeu Fukunaga. “Não podemos esquecer, ainda, que além de aumentar seus salários, eles aprovaram a possibilidade da própria continuidade no cargo em caso de aposentadoria, numa clara demonstração que querem manter a ‘boquinha’ e acumular recursos. Enquanto isso, os demais funcionários são massacrados por uma desestruturação que os deixará sobrecarregados e com possibilidades de serem jogados para o trabalho em cidades distintas das que moram”, completou.

 

 

 

Mobilização continua

 

 

A mobilização em defesa do Banco do Brasil e de seus funcionários, contra a redução do quadro de pessoal e o fechamento de agências, que levará à desestruturação da rede de atendimento e causará prejuízo a cidades, clientes e aos trabalhadores do banco continuará até que se confirme sua interrupção e se reponha o quadro de funcionários.

 

 

 

“Cidades não podem ficar sem agências bancárias. O desenvolvimento não pode ser prejudicado. O atendimento e as condições de trabalho não podem ser precarizados. Nossa luta é em defesa do desenvolvimento econômico do país, dos direitos dos clientes e dos funcionários”, concluiu Fukunaga, lembrando que, nesta quinta-feira (8), ocorrerão manifestações em todo o país e, às 11h, a manifestação será realizada pelas redes sociais. “Vamos realizar mais um tuitaço para deixar claro que não queremos a desestruturação do banco e nos manteremos firmes em nossas reivindicações”.

 

 

O novo presidente, diretores e conselheiros atuam para desmontar uma das mais antigas, lucrativas e consolidadas instituições públicas do País. O Banco do Brasil foi criado em 1808, por dom Pedro II. Há 213 anos, o banco assegura a soberania da nação, que está sendo dilapidada e desmoralizada por Bolsonaro/Guedes: a praga de gafanhoto.

Reproduzido do site do Sindicato dos Bancários dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região 

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