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O Feitiço Mineiro fechou…

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Uma cachacinha com turresmin, uma prosa, um pito, um verso, uma canturia… e depois uma boa comida mineira, com tutu e ovo estrelado, franguin com quiabo, Um Feitiço Mineiro…e iscutá uma moda da milhor qualidade…tem mais não Sô! Tem base?

 

 

Patrimônio Cultural da Humanidade, Brasília tem os seus encantos, na arte, na beleza e arquitetura, no samba partideiro de aquarela de Martinho. Mas esta semana perdeu em cultura, um pouco do seu brilho. O Feitiço Mineiro, uma das mais tradicionais casas da cidade. Um “patrimônio” de Brasília fechou suas portas, vitimado por uma crise econômica já sem precedentes na história de 60 anos de criação da Capital da Esperança.

 

Cidade de interior que se preza, tem que ter um Armazém do Ferreira, um buteco com o nome da cidade – Bar Brasília – e uma igrejinha, reza a lenda. Mas, era preciso uma pitada de tempero das Gerais, pra essa gente vinda de todos os cantos, do Sul do Norte, se embrenhar nos caminhos de Guimarães, do Cerrado Goiano que tamém é mineiro, no interior do Sertão.

 

Conta a lenda, que já se vai pra mais de 30 anos, um casar destemido, um home muié forte (Jorge e Denise), decidiu botar aqui um ponto de encontro de amigos. Um lugar de aconchego pra reunir em volta do fogão os poetas, tocadores, violeiros, cantadores… pra Tira Prosa, pruma cachacinha, uma cervejinha gela, uma o melhor da cozinha mineira, que com perdão da palavra, tem igual não. Assim diz a lenda.

 

A utopia de Jorge Ferreira e Denise ganhou corpo e fama. Por aqui passaram cantores e poetas de Brasília, do maior nível, fazendo canturia e poesia. Mas, também gente graúda, projetos importantes, de nível nacional. Gente assim, como Dona Ivone Lara, Wilson das Neves, bambas do samba, e até a velha Guarda da Portela. De utopia o casar sabia, de atrevimento então… Senhora de Abadia! Não é que eles trouxeram nada mais, nada menos que Baden Powel, esse mesmo: violonista brasileiro dos mehores do mundo.

 

De Minas, vinha de tudo. Wagner Tizo, Toninho Horta, Márcio e Lô Borges, Flávio Venturini, o Clube a Esquina todo, menos o Milton – poeta do povo – Nascimento. Saulo Laranjeira era presença quase constante. Depois que Jorge encantou, ficou difícil, Ela pegou o remo, mais o filho, pra tocar o barco, o legado de Jorjão, esse visionário mineiro de Cruzília, que sabia tudo de utopia e encantamento, mas partiu antes da hora de além do seu tempo.

 

Mas, o Brasil mudou de rumo. Um trem desgovernado e inda por cima veio a tar da pandemia. O que era difícil ficou pió. E Denise e o filho tem ainda que cuidar de outros afazeres. Aquele bar com o nome da cidade – Bar Brasília – e outros trem. É… da tristeza na gente, mas releva. Aquela cachacinha com turresmo fica na lembrança mesmo. Salve Jorge! Valeu Denise! O Feitiço Mineiro fez história… e será…

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