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Derrota da esquerda no Equador é amarga lição do campo progressista no Brasil 

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A vitória da direita na eleição presidencial do Equador, nesta semana, além de prejudicar o processo de retomada da integração da América Latina, constitui-se numa oportunidade para uma séria reflexão para o conjunto das forças progressistas do Brasil, ainda desunidas para enfrentarem as forças do atraso na eleição do próximo ano, caso o calendário eleitoral não sofra atropelos.

 

 

 

A eleição no Equador foi liderada, desde o início, pelo candidato de esquerda, Andres Arauz, em nome da União pela Esperança, e ele ficou em primeiro lugar no primeiro turno, com expressiva vantagem sobre o candidato de direita Guilhermo Lasso, banqueiro, que já foi vice-presidente equatoriano quando o país introduziu a dolarização da economia.

 

 

 

Com pequena diferença para Lasso, ficou o candidato indigenista Yaku Perez, do movimento Pachakutik, que, embora se autodeclarando do campo das forças progressistas, terminou por pregar o Voto Nulo em vez de apoiar o candidato da esquerda Andrés Arauz, com o que, pavimentou a vitória da direita.

 

 

 

A campanha eleitoral foi marcada por uma grande operação midiática contra o ex-presidente Rafael Correa, acusado sem provas na Justiça, conformando uma polarização, artificialmente amplificada, entre pró-Correa e anti-Correa, o que deu o pretexto para o candidato indigenista Yaku Perez, apoiado pela Confederação das Entidades Indígenas, com forte apoio de Organizações Não Governamentais (ONG) financiadas  pelo grande capital multinacional, que cobiça o petróleo equatoriano,  optasse pelo voto nulo, uma jogada que deu a vitória ao banqueiro Guillherme Lasso.

 

 

 

É conhecido o apoio que o ambientalismo e outras forças do campo progressista no Brasil recebem de ONG financiadas por fundações e fundos ligados ao grande capital, como a Fundação Ford, Open Society e outros. A divisão ainda existente no campo progressista brasileiro pode ser perfeitamente aproveitada para a conformação de um quadro político eleitoral que mantém o divisionismo, até mesmo ante o risco, nada remoto, de uma nova vitória conservadora, caso a união progressista não se materialize.

 

 

 

 

É dura e amarga a lição que vem da derrota da esquerda no Equador. Entre elas a de que o estoque de manipulações perversas do império, influindo sobre alas do progressismo, está muito longe de se esgotar, no intuito de impedir que países que tenham generosos recursos naturais nacionalizem esses bens em favor de seu povo. Se esta megaoperação política foi feita pelo império no pequenino, mas petroleiro Equador, pode-se calcular o que o império não estará disposto a fazer no Brasil para bloquear a eleição de um governo que vise a recuperar a soberania sobre o petróleo pré-sal.

 

(*) Beto Almeida é jornalista, diretor da Telesur e TV Comunitária de Brasília, conselheiro editorial do Jornal Brasil Popular

 

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