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Denominações

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Dar nomes ou nominar faz parte de nossas vidas.

 

Eu sou Adeli. Minha mãe tinha outras possibilidades, mas optou por um nome que tanto pode ser nome de homem como de mulher.

 

Não bastasse o nome de registro, temos todas as alcunhas possíveis.  Não só para pessoas, mas para coisas também.

 

O Viaduto Abdias do Nascimento, o grande lutador da causa dos negros, é conhecido por Mazembe numa ironia ao time dali da frente.

 

E, afinal, por que deram este nome para a minha rua? Por que no passado mudavam tanto os nomes de becos e ruas?

 

Uma coisa é certa. Nomina “quem pode”. Às vezes, “quem pede”.

 

A maior parte dos nomes de ruas é dos vencedores e de quem tem poder.

 

Em Porto Alegre, por exemplo, ruas com nomes femininos não chega a 10%. Maior exemplo do machismo gauderio.

 

No seu Centro Histórico tem uma pequena Praça com nome de uma francesa do século XVII, um negro e ponto. Nada mais.

 

Mas tem nomes e nomes dos “heróis”; das famigeradas Guerra do Paraguai e Revolução dos Farrapos.

 

Outros tantos de Castilhistas que eram especialistas em fraudar eleições.

 

Recentemente foi questionado o nome da Rua Barão de Cotegipe, o senador e maior escravocrata da Nação.

 

O debate continua.

 

De 1936 para cá a Câmara volta a nominar e decidir.

 

Como é na sua cidade?

 

Já deu para parar e pensar sobre as denominações dos espaços públicos?

 

Em Porto Alegre havia falta de placas, mas agora uma empresa local venceu uma licitação e placas estão aparecendo com o nome mais conhecido com destaque e há a preocupação de dizer quem foi a figura homenageada.

 

Hora de começar a dar atenção a isso. Chico Mendes é aqui uma ruela num morro, mas gente que destruiu a natureza ganhou placa em local visível.

 

A História vai nos cobrar.

 

Adeli Sell é bacharel em Direito, consultor e escritor 
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