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Defendam esse governo Geisel

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O Governo Geisel paira sobre os neoliberais, os entreguistas de sempre da nossa história, os que se apropriam dos símbolos nacionais para melhor destruí-los, destes asseclas e agentes do capital financeiro internacional, da mercantilização, melhor diria financeirização da vida, como um indesejável momento, um tempo que não pode ser conhecido a não ser pelas fraudes e parcialidades em que são mestres estes golpistas. Um risco para estes que são os destruidores dos objetivos do povo e do Brasil independente.

 

“Ceterum autem censeo Carthaginem delendam esse”, o Presidente Ernesto Geisel é a Cartago que não pode existir, ele “ainda precisa ser destruído”, como na célebre frase de Catão, o velho (234-149 a.C).

 

Mas, a cada dia, mais vão surgindo os aspectos relevantes do Brasil, construídos no período Geisel, 1974-1979.

 

O jornal Folha de S.Paulo, na sexta-feira, 04/09/2020, na página B7, apresenta matéria assinada por Lucas Brêda com título “Fábrica de clássicos”, onde fica patente não só o crescimento econômico e o início de um processo de distribuição de renda, como o desenvolvimento da rica e diversificada produção cultural brasileira. Lembremos que Geisel foi o criador da FUNARTE.

 

Eis um parágrafo da matéria referida: “até o fim dos anos 1960, é possível dizer que quem consumia discos no país era a elite que vivia no Rio de Janeiro e em São Paulo. Dados da Pró-Música, a antiga Associação Brasileira dos Produtores de Discos, disponíveis a partir de 1966, mostram 5,5 milhões de discos vendidos naquele ano e 52,6 milhões em 1979 – um salto de quase dez vezes”. Em outro trecho: “É nos 1970 que esse mercado decola, as gravadoras se multiplicam e o público consumidor se diversifica de maneira inédita”.

 

E quem são estes artistas, novamente Lucas Brêda, “de Novos Baianos a Tim Maia, de Secos & Molhados a Martinho da Vila, de Clube da Esquina a Gal Costa, de Raul Seixas a Luiz Melodia, de Jorge Bem Jor a Beth Carvalho”. E o próprio samba passa por transformações, desde a redescoberta de Cartola às novidades de Caetano Veloso.

 

A animalidade dos empresários, em que Dilma Rousseff apostou, era mais contida como expõe a matéria da Folha: “André Midani, importante produtor de discos, usava o lucro de artistas populares, como Odair José, para bancar álbuns pouco vendidos de Caetano”.

 

Havia uma esperança, uma crença no futuro do país, que em plena “guerra fria”, bipolar, rompia acordo militar com os Estados Unidos da América (EUA), reconhecia a China Comunista, negociava a energia nuclear com a Alemanha.

 

Hoje, no mundo menos polarizado, que acolhe o Irã e a Turquia, importantes representantes do diversificado islamismo, ao lado da China comunista, da Índia nacionalista de direita, do nacionalismo russo, além dos EUA e sua OTAN, o Brasil se humilha em posição sem igual, jamais vista, de sabujo estadunidense.

 

Em nossa história, só um período mais duradouro e profundo pode ser comparado: a Era Vargas. Período mais complexo, com guerra mundial, o despertar das consciências nacionalistas, que Getúlio Vargas, nosso maior estadista, soube administrar e imprimir um novo sentido ao desenvolvimento nacional, não restrito ao econômico, mas com igual atenção ao social, artístico, cultural.

 

E as mesmas forças que destituíram Vargas e Geisel, aplicaram o golpe de 2016, levam hoje o Brasil para o fundo do poço, para a própria inexistência de nação autônoma, soberana.

 

A pergunta que não quer calar é “onde estão as Forças Armadas?”.

 

Pois as da economia estão representadas por Paulo Guedes e as da alienação cultural pela Damares Alves, ambos agentes estrangeiros, do capital financeiro e da teologia da prosperidade. Quem vai representar o Brasil nas comemorações do 7 de setembro?

 

Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado.

 

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