Qualquer análise das manifestações fascistas neste 7 de Setembro
tem que levar em conta dois números básicos:
1) Bolsonaro tem 24% de apoio ainda, ou 35 milhões de eleitores;
2) Em contrapartida, ele é rejeitado por 61%, ou seja, 90 milhões de eleitores!

 

Na Paulista o Bolsonaro subiu o tom, com ataques ao Supremo, ao TSE e, dessa vez, com ameaças nominais ao ministro Alexandre de Moraes.

Pediu a soltura imediata dos terroristas presos (Daniel Silveira, Roberto Jefferson & Cia.) , que ele chama de “presos políticos”. E disse que não mais vai obedecer as decisões de Moraes, a quem chamou de “canalha”.

“Ou esse ministro se enquadra ou ele pede para sair. Não se pode admitir que uma pessoa apenas, um homem apenas turve a nossa liberdade”, afirmou.

“Sai, Alexandre de Moraes, deixa de ser canalha, deixa de oprimir o povo brasileiro.”

Os discursos deste domingo provocarão reações firmes em Brasília amanhã.

O Conselho da República, que ele aventou convocar para “ver a fotografia” do “povo” para saber que rumo o País “deve seguir”, não mais será reunido, exatamente porque as reações negativas foram imediatas.

O PSDB, dividido, convocou reunião para avaliar o pedido de impeachment. O governador Dória é a favor.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, provavelmente devolverá a MP que Bolsonaro publicou na segunda para impedir o controle dos ativistas do Gabinete do Ódio nas redes sociais.

E, por óbvio, devem chover ações para responsabilizar Bolsonaro pelos gastos de recursos públicos para fazer propaganda eleitoral antecipada.

Ele usou, por exemplo, helicópteros da Presidência e do Exército para sobrevoar as manifestações em Brasília e em São Paulo. E viajou com dinheiro público para o comício da Paulista sem que o evento fizesse parte das obrigações regulares do presidente da República.

Além disso, cometeu de novo vários crimes ao insuflar os seguidores a atacar a Justiça Eleitoral e o Supremo. E ao promover a propagação do coronavírus no momento em que algumas variantes maus infectantes multiplicam as vítimas.

Daqui a duas semanas, anotem aí, a Covid-19 ceifará muito mais vidas em Brasília, Goiás e São Paulo.