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Datafolha diz que maioria apoia impeachment e não acredita em nada do que Bolsonaro diz

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A pesquisa indica que Bolsonaro está com a pior avaliação de sua gestão e teria, hoje, baixa possibilidade de reeleição, segundo a fotografia captada pelo Datafolha. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é o favorito neste momento.

 

O instituto informa que a pesquisa teve alcance  nacional, foi realizada nos dias 7 e 8 de julho e foram ouvidas2.074 pessoas presencialmente. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.​ Também informa que o resultado apresentado neste sábado faz parte de uma série que tem 11 levantamentos até aqui.

 

O presidente Jair Bolsonaro durante pronunciamento no Palácio do Planalto, no ano passado – Pedro Ladeira – 24.abr.2020/Folhapress

 

 

 

“Desde o anterior, de maio passado, a desconfiança subiu de 50% para os atuais 55%. Confiam em tudo o que Bolsonaro diz 15%, ante 14% no levantamento passado. Já a avaliação de que o presidente é crível às vezes caiu de 34% para 28%”, afirma o DataFolha. Os dados conversam com o mau estado da popularidade presidencial aferida pelo instituto, constatada nesta rodada.

 

 

Na avaliação da Folha, esta é a primeira vez que a maioria dos entrevistados se diz favorável à abertura de processo de impeachment de Bolsonaro na Câmara dos Deputados.

O levantamento indica que 54% são favor da abertura do processo, contra 42% contrários. Na pesquisa anterior, realizada em 11 e 12 de maio, foi registrado um empate técnico: 49% dos entrevistados favoráveis eram favoráveis ao impeachment contra 46% contrários ao impedimento.

Apesar dos 120 pedidos de impeachment e mais “superpedido”, protocolado no dia 30 de junho, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), não apresenta nenhum para tramitação.

 

O DataFolha avalia também que “o governo vive uma grave crise política, inserida na tragédia sanitária dos mais de 500 mil mortos pela Covid-19 e sombras de problemas econômicos sérios, como inflação, aperto fiscal e até racionamento de energia elétrica”.

 

 

A CPI da Covid e apurações paralelas têm descoberto suspeitas sérias de corrupção em negociações envolvendo o Ministério da Saúde, e desde o fim de maio há protestos de rua inauditos até aqui.

 

 

O problema é que a mídia liberal, líderes políticos de vários espectros e a maioria dos políticos do Congresso Nacional, como o presidente de Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmam que esse desejo do povo não significa que Bolsonaro esteja à beira de um impeachment. Não há como negar, contudo, que sua condição política está deteriorada e de quem está com ele também.

 

 

Segundo a pesquisa, não creem em nada que Bolsonaro fala mais mulheres e menos instruídos (60% de incredulidade), além de moradores da fortaleza petista do Nordeste (65%).

 

 

Acreditam sempre no presidente mais os maiores de 60 anos (22%), os moradores de áreas bolsonaristas como o Norte/Centro-Oeste (21%) e os aliados evangélicos (22%) —embora mesmo ali a maioria, 51%, não acredita em Bolsonaro.

 

 

Nos grupos mais específicos, há previsibilidade em consonância com outros aspectos captados pelo Datafolha. Para 38% dos empresários, Bolsonaro sempre diz a verdade. Já homossexuais e bissexuais, alvos da homofobia presidencial, são quase unânimes (75%) em rejeitar as falas do presidente. Tal avaliação é feita por 63% dos pretos.

 

 

O melhor momento de popularidade de Bolsonaro, dezembro do ano passado, já não tinha um índice muito grande de crença: 21% acreditavam no presidente. De lá para cá, a avaliação de que ele não fala a verdade subiu de 37% para o patamar atual.

 

 

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