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Cuba e Maricá firmam parceria para produzir vacina terapêutica contra o câncer no Brasil

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Um das vacinas que deve ser produzido na cidade fluminense é a CimaVax EGF, utilizada no tratamento de pessoas diagnosticadas com câncer de pulmão

 

Pesadelo da extrema-direita nacional, que ali enxerga o embrião da supostamente planejada implantação da União das Repúblicas Socialistas da América Latina, a Ursal, Maricá resolveu dar um novo motivo de preocupação para os bolsonaristas mais encucados. A cidade, administrada há 14 anos pelo PT, está prestes a anunciar um inédito acordo com Cuba para a produção de novos medicamentos contra doenças como o câncer e o diabetes, entre outras.

 

 

Firmada durante uma visita oficial de representantes maricaenses a Havana, em junho, a parceria será sacramentada nas próximas semanas com a vinda de autoridades cubanas ao município para visitar os locais onde se pretende erguer o futuro polo de produção.

 

 

“Já tínhamos feito alguns contatos com o governo cubano através da Embaixada no Brasil. Fomos a Cuba para conhecer os medicamentos produzidos por eles e definir quais iríamos trazer”, conta o vice-prefeito Diego Zeidan, que comandou a delegação maricaense na visita à ilha. Composto também pelo ex-ministro da CT&I Celso Pansera, que atualmente dirige o Instituto de Ciência, Tecnologia e Inovação de Maricá (ICTIM), e pelo virologista e professor da UFRJ Amilcar Tanuri, entre outros, o grupo de brasileiros foi recebido pelo presidente cubano Miguel Díaz-Canel e o encontro mereceu uma reportagem no histórico diário Granma: “O presidente reconheceu a importância dessa parceria não somente para Maricá, mas também para o governo cubano, que busca expandir sua linha de medicamentos para outros países”, diz Zeidan.

 

 

A meta da prefeitura é que Maricá seja a ponta-de-lança para a produção, certificação e venda dos medicamentos cubanos para o mercado brasileiro

 

 

Reconhecida pelos ótimos resultados de seu sistema de saúde, Cuba hoje figura entre os líderes mundiais na produção de produtos biotecnológicos com aplicações nesta área. O país possui vários centros de pesquisa voltados à biotecnologia e à medicina moderna, que integram um complexo nacional batizado como BioCubaFarma, focado na produção de medicamentos genéricos, produtos biossimilares e exclusivos de biotecnologia, testes diagnósticos, equipamentos médicos e ingredientes farmacêuticos ativos.

 

 

A BioCubaFarma é responsável pelas interações comerciais do complexo biotecnológico cubano com outros países e com empresas estrangeiras. Para Maricá, a parceria se insere na estratégia de atrair empresas de base tecnológica a se instalarem no município: “Queremos produzir em Maricá fitoterápicos e remédios para doenças como câncer, artrite reumatoide, diabetes e vitiligo. São tratamentos baratos que temos como produzir aqui. Queremos fazer de nosso Centro de Pesquisas Médicas um local para realizar os testes clínicos dessa indústria”, diz Pansera.

 

 

A produção feita na ilha, avalia o ex-ministro, é um exemplo que pode ser replicado: “Cuba tem um sistema de pesquisa, desenvolvimento e produção de medicamentos muito barato e eficiente. Produziram cinco vacinas diferentes contra a Covid-19, todas seguras e eficazes. Um dos principais objetivos nossos é trazer este formato eficiente e barato para o Brasil a partir de Maricá. Queremos trazer parte desse conhecimento para cá”.

 

 

A meta da prefeitura é que Maricá seja a ponta-de-lança para a produção, certificação e venda dos medicamentos cubanos para todo o mercado brasileiro: “A ideia é que Maricá entre como sócia do governo cubano, os recursos obtidos com a venda desses medicamentos serão divididos. A ação com o governo cubano faz parte da tentativa de construir em Maricá a indústria do pós-petróleo, diversificando nossa matriz econômica e investindo em ciência e tecnologia e nas políticas inovadoras para tirar a dependência que temos hoje dos royalties”, diz o vice-prefeito.

 

 

A parceria entre Cuba e Maricá pretende trazer resultados significativos no tratamento de pacientes com alguns tipos de câncer. Um dos medicamentos que deverá ser produzido na cidade fluminense é a CimaVax EGF, vacina terapêutica produzida pelo CIM a partir de uma proteína secretada pelos próprios tumores e utilizada em pessoas diagnosticadas com câncer de pulmão. Já está comprovado que o remédio bloqueia a proliferação de célula tumoral: “Essa vacina encontra-se em estudo de fase três, com a participação de mais de nove mil pacientes em ensaios clínicos. Hoje, está oficialmente inserida no tratamento ambulatorial cubano, tendo utilidade também para tratamento de próstata e pós-Covid”, explica Tanuri.

 

 

Outra vacina terapêutica para pacientes com câncer que deverá ser produzida em Maricá é a HeberSaVax, fabricada pelo CIGB com base na combinação de um antígeno recombinante representativo do fator de crescimento endotelial vascular humano (VEGF) e adjuvantes clinicamente testados, como bactérias e leveduras. O remédio também está na terceira fase de testes, após apresentar resultados animadores nas anteriores: “Os resultados sugerem que a vacinação de longo prazo é uma estratégia viável e destacam a importância de continuar o programa de desenvolvimento clínico desta nova candidata a vacina terapêutica contra o câncer. Ela conseguiu induzir a criação de anticorpos para reduzir a irrigação sanguínea dos tumores”, diz Tanuri. Responsável pela participação da UFRJ no projeto, o virologista, contudo, pondera que o produto necessita avançar nos testes clínicos fase III para obter a aprovação final para uso humano.

 

 

A parceria entre a universidade federal, o ICTIM e o Centro de Biotecnologia cubano também deverá produzir um medicamento, provisoriamente chamado de CIGB 814, para tratamento da artrite reumatoide. Ele é derivado da proteína Hsp60, um dos principais antígenos relacionados à patogenicidade da doença: “Os dados dos estudos in vitro e in vivo têm demonstrado uma indução dos mecanismos reguladores da inflamação em diferentes modelos experimentais associados à artrite reumatoide e incrementa a frequência e a atividade das células T que controlam a resposta inflamatória”, diz Tanuri.

 

 

No que diz respeito aos fitoterápicos, a parceria foi firmada com o CNIC cubano e prevê a produção de quatro medicamentos construídos a partir de moléculas da cana-de-açúcar e da palmeira imperial, ambas abundantes na ilha. O Policosanol é um poli álcool extraído da cana que funciona como regulador do metabolismo de lipídios e reduz as taxas de colesterol sanguínea. Também derivados da cana, o Prevenox e o Vasoactol têm atividade antioxidante e diminuem a ação dos radicais livres. Já o Palmex, óleo obtido da semente da palmeira imperial, bloqueia o metabolismo da testosterona e alivia os sintomas da hipertrofia da próstata.

 

 

Resta agora acertar os ponteiros com o governo federal e a Anvisa, tarefa que será certamente mais fácil em caso de derrota de Jair Bolsonaro nas eleições de outubro: “O planejamento com o governo cubano é que as pesquisas sejam feitas em Maricá para em seguida esses medicamentos serem regulamentados na Anvisa. Assim que a Anvisa der a autorização para produzir e vender os medicamentos no Brasil, vamos construir uma fábrica de medicamentos em parceria com o governo cubano para gerar empregos e receita para o município”, diz Diego Zeidan.

 

 

No caso das vacinas, os testes devem ser feitos nos países com agências reguladoras aprovadas pela Anvisa ou realizados no Brasil, mediante a supervisão e aprovação da agência reguladora. Já os fitoterápicos costumam obter a regulamentação da Anvisa de maneira mais rápida. Em todo caso, a ideia é começar os testes e a produção o quanto antes: “Será bom para Maricá e para todo o Brasil”, resume Tanuri, certamente sob a desconfiança dos bolsonaristas.

 

 

(*) Por  Maurício Thuswohl, repórter da edição impressa de CartaCapital no Rio de Janeiro.

 

Foto da capa: Firmada durante uma visita oficial de representantes maricaenses a Havana, em junho, a parceria será sacramentada nas próximas semanas (Foto: Divulgação)

 




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