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Crise climática e ambiental. O que fazer?

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“Aquele que luta pode perder. Aquele que não luta já perdeu”. (BRECHT)

 

A COP26 – Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas – concluiu seus trabalhos no último domingo. Apesar das expectativas que gerou diante da grave crise climática que o mundo atravessa, terminou sem grandes surpresas, sem respostas mais radicais para deter os efeitos indesejáveis do problema. No ambiente institucional de realização do evento, prevaleceram mais uma vez, ponderação, razoabilidade, consequência da cultura que vige nas instituições, ou por pressão dos lobbies e do grandes interesses e poder do capital. Mas do lado de fora dos prédios, uma cena nos anima: o mundo parece acordar para o problema, como mostrou a mobilização que a juventude e grupos da sociedade civil realizaram durante a realização da conferência nas ruas de Glasgow e em muitos lugares do mundo. O futuro pertence às juventudes que estão chegando de todos os quadrantes. E nesse despertar, surgem e também ressurgem ideias, conceitos, ideologias, movimentos, com novos valores, alimentando novas formas de organização e de práticas que confrontam a perversa lógica capitalista. Esta é a semente que a conferência faz surgir no lastro das expectativas que criou e, independentemente, dos resultados a que chegou, nos espaços formais de sua realização.

 

 

 

A crise ecológica atual “já é e será ainda mais (…) a questão social e política mais importante do século XXI”, Suas consequências são trágicas, mas a questão climática é “a ameaça mais dramática”. (LOWY, Michael)

 

O recente relatório do INPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) alerta que se a temperatura média subir mais de 1,5° acima do período pré-industrial) , um processo irreversível de mudança climática terá início e suas consequências serão aterradoras: aumento do número de incêndios, causando o desaparecimento de rios e a desertificação de largas extensões de terra; derretimento das calota polar e a elevação do nível do mar, levando ao desaparecimento de muitas cidades. Trata-se de uma catástrofe sem precedentes na história da humanidade. Estamos, segundo os geólogos, diante de uma nova era geológica da humanidade, o Antropoceno – período caracterizado pela intensificação exacerbada da ação humana, levando à degradação profunda das condições de vida do planeta.

 

Os sinais desse desequilíbrio, numa fase mais recente, apareceram no início do século XVIII com a Revolução Industrial. Depois da 2ª Guerra Mundial, no entanto, eles se intensificaram de forma assustadora com o desenvolvimento e expansão do  capitalismo industrial. Esse processo leva a enorme aumento e acúmulo de CO2 na atmosfera, provocando o aquecimento global e o desastre climático que nos ameaça.

 

A palavra de ordem que está tomando conta do mundo:

                          “Mude o sistema, não o clima!”

 

 

Como enfrentar o problema? Pesquisa da revista Nature sugere que para se ter 50% de chance de evitar o aquecimento global, abaixo de 1,5ºC, conforme recomendado, será necessário desativar 89% das minas de carvão já conhecidas, 58% das reservas de petróleo e 59% das reservas de metano fóssil (“gás natural”). Se desejarmos uma situação melhor do que essa, precisaremos abandonar esses projetos completamente. (MONBIOT)

 

 

Na contramão dessa perspectiva, a extração de combustíveis fosseis continua “de vento em popa”. Muitos governos já se comprometeram, até 2030, com uma taxa de extração 110% maior do que do que foi acordado na COP de Paris, em 2015, para limitar o aumento da temperatura a 1,5ºC.(MONBIOT)

 

 

O problema é, portanto, sistêmico. Os governos têm-se colocado ou “são submetidos”, como fala Ladislau Dowbor, ao grande capital, representado pelas grandes corporações e oligopólios internacionais, e pelo mercado em geral. Nesta realidade, propostas como “mercados de crédito de carbono”, “mecanismos de compensação”, produtos da “economia de mercado sustentável” de cunho capitalista, revelam-se insuficientes para uma solução eficaz do problema.

 

 

A lógica produtivista, consumista e de acumulação que rege o capitalismo, leva incontrolavelmente à ruptura do equilíbrio ecológico e à destruição dos ecossistemas, levando-nos a conclusão que não há saída para a crise dentro deste sistema. (LOWY)

 

 

Para Lowy, somente alternativas radicais, no sentido de atacar a raiz do problema – o capitalismo – conseguirão evitar a catástrofe. A proposta alternativa para realizar essa tarefa é o ecossocialismo. Embora seja uma proposta com raízes na teoria marxista, faz a crítica do modelo produtivista vivido por muitas experiências socialistas, sobretudo na URSS. Assim, além de propor a transformação radical das forças produtivas, busca uma “mudança de cultura, de civilização, baseada em valores de solidariedade, de igualdade substantiva e numa interação respeitosa com a a natureza e seus seres. Enfatiza a transformação de padrões de consumo, das formas de mobilidade, a partir de um planejamento efetivamente democrático. (LOWY)

 

 

“No século XXI, todos nós somos passageiros de um trem suicida, que é chamado de civilização industrial capitalista moderna. Este trem se aproxima, a uma velocidade crescente, de um abismo catastrófico: as mudanças climáticas. A ação revolucionária visa pará-lo – antes que seja tarde demais.” (LOWY)

 

 

É preciso pensar o ecossocialismo tanto como um projeto para o futuro, como “uma estratégia para a luta aqui e agora”, estimulando a necessária convergência entre as lutas sociais e ecológicas para combater as iniciativas destrutivas dos poderes a serviço do capital. É no interior de mobilizações e agrupamentos de mulheres, de povos tradicionais, indígenas e camponeses que surgem o interesse e as oportunidades para conhecer o ecossocialismo, seus valores, ideologia e prática. O ecofeminismo é parte importante dessas lutas, pela consciência que as mulheres têm de que serão as mais atingidas pelo desastre ecológico e climático do sistema.

 

 

Em recente declaração durante a realização da COP26, o Secretário da ONU disse que o relatório dos cientistas sobre mudanças do clima é um “alerta vermelho para a humanidade”.

 

 

Diante desse “alerta vermelho”, qual seria a resposta mais imediata dos ecossocialistas para a questão? Qual proposta para começar a enfrentar a situação extrema em que nos encontramos? Neste momento, a difusão e debate sobre o ecossocialismo: sua crítica ao capitalismo e suas propostas para a crise ecológica e climática, de forma ampla e permanente, e por todos os meios disponíveis. Onde? Junto a movimentos socais e organizações; debates com alunos e alunas, nas escolas e universidade; nos locais de trabalho e nos sindicatos, levando a que um grande número de pessoas se aproprie de valores, conhecimentos e práticas, base de uma sociedade ecossocialista, humanamente justa e ecologicamente sustentável.

 

 

(*) Maria Ricardina Almeida
Novembro de 2021

 

 

 




 

 

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