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CPI da Pandemia: Humberto Costa quer “identificar os responsáveis pela tragédia”

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O Brasil enfrenta o agravamento da crise na pandemia, já são 386.623 pessoas mortas por Covid-19 nesta sexta-feira, 23 de abril. Passado mais de um ano de pandemia, há uma série de descompassos na imunização, na gestão do governo federal, no desempenho do Ministério da Saúde, nas ações de combate à doença e na atuação propriamente dita do presidente Jair Bolsonaro. A vacinação chegou a 13,2% da população, apenas. Temas que serão tratados na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 que começará seus trabalhos, a partir da próxima terça-feira, dia 27 de abril.

 

Um dos pontos que merecerá atenção desde os primeiros momentos será o processo de compra de vacinas, e o ritmo da imunização em território brasileiro. O senador Humberto Costa (PT/PE) , um dos integrantes do colegiado, concedeu entrevista ao Jornal Brasil Popular. Destacou a omissão do governo federal. “Nós entendemos que esse é um governo incompetente, inepto e omisso. Mas, para além disso tudo, houve uma deliberada ação do presidente da República e sua equipe para expandir a pandemia no país, baseados numa errada crença, rechaçada pela ciência, da imunidade de rebanho ou coletiva. Quando o mundo todo tomava medidas severas para conter o avanço do vírus, Bolsonaro minimizou o poder da pandemia, desprezou a compra de vacinas e agiu contra as medidas sanitárias protetivas, como uso de máscara e isolamento social, investindo em um fantasioso kit covid, que levou muita gente à morte e nos trouxe a esse cenário de quase 400 mil óbitos. Isso, nós vamos deixar configurado logo no início da CPI”.

 

Para o parlamentar não foi intencional nem por acaso, “o governo se omitiu quando abriu mão de, pelo Ministério da Saúde, coordenar o enfrentamento nacional da pandemia. Desse erro, decorreram todos os outros que nos trouxeram a essa tragédia. Mas, como já ressaltei, para além da omissão, houve uma ação deliberada em favor da expansão do vírus, que levou o presidente da República até mesmo a boicotar governadores e prefeitos”, acrescenta.Além de identificar responsáveis pelo agravamento da crise, Costa espera poder construir medidas de enfrentamento à pandemia. “Tivemos o pior março da história. Provavelmente, teremos o pior abril. E isso vai se arrastar até agosto, pelo menos. Então, precisamos agir para tentar impedir que o governo siga com essa política destrutiva. Ao mesmo tempo, a comissão tem, por obrigação, identificar os responsáveis por essa tragédia e trazer subsídios para ficar demonstrado o legado e a responsabilidade desse governo”.

 

Um dos pontos convergentes, antes mesmo do início dos trabalhos na percepção do senador Humberto Costa, estão as convocações dos ex-ministros da Saúde, Eduardo Pazuello, e das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Para explicarem sobre a gestão da crise e o que levou o país à perda da oportunidade de compra das vacinas. “A herança da crise sanitária que vivemos hoje é fruto da irresponsabilidade e da má gestão de todos desse governo. Todos que identificarmos que tiveram papel nesse processo apresentaremos requerimento para depor”, explica. A criação da CPI da Covid, representa a possibilidade de identificar os responsáveis por “algo jamais visto na história do Brasil. Famílias foram inteiramente destruídas. Há uma legião de crianças órfãs no país. É uma tragédia em escala planetária. Os responsáveis por isso têm de ser identificados e pagar por isso”, destaca Costa.

 

No início dos trabalhos, serão escolhidos o presidente e o relator do colegiado. A CPI será formada por 11 e sete suplentes, poderá convocar ministros, ouvir testemunhas, quebrar sigilos e pedir o indiciamento de pessoas. Os trabalhos serão presenciais, de acordo com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM/ MG) em entrevista à TV Senado. Já que a dinâmica vai envolver investigação, análise de documentos sigilosos, depoimentos, elaboração de pareceres e perícias.

 

A reconstrução do Brasil

 

Daqui para frente, o senador Humberto Costa destaca “um imenso trabalho de reconstrução do país. “A primeira tarefa é tirar Bolsonaro do poder, seja por meio de um processo de impedimento, seja por meio do voto. Após isso, vamos precisar de um enorme esforço para combater a fome, que voltou ao Brasil, reconstruir empregos, devolver dignidade à população. É uma missão difícil e longa, a que temos pela frente. Mas mostramos que fizemos uma vez. E é totalmente possível fazermos de novo”.

 

 

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