A criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) foi justamente para investigar e apurar a omissão e o negacionismo do governo Bolsonaro no combate à pandemia da Covid-19. Mas ao longo do desenvolvimento dos trabalhos, os fatos se atropelaram trazendo à tona escândalos na compra de vacinas. Durante o recesso do Congresso, o senador Humberto Costa (PT/PE) ainda comentou em seu Twitter, “de certa forma a CPI da Covid mirou naquilo que estava vendo, que era a omissão e o negacionismo do governo, e acertou naquilo que não via que apenas desconfiava, que é a corrupção – especialmente na compra de vacinas. Agora, vamos até o fim para responsabilizar os culpados”. Os trabalhos da CPI foram retomados nesta terça-feira, 03 de agosto.

 

Afastamento de Mayra Pinheiro

 

Os senadores aprovaram requerimentos, entre eles o que vai pedir à Justiça Federal o afastamento de Mayra Pinheiro do cargo de secretária de Gestão do Trabalho e da Educação no Ministério da Saúde. O autor do pedido foi o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI. Argumentando que “Mayra mentiu ou entrou em contradição em pelo menos 11 oportunidades”, durante depoimento à comissão. Para o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), a secretária, conhecida como a Capitã Cloroquina, foi responsável pelo números de mortes por Covid-19 no estado do Amazonas. Já que defendeu o uso do chamado Kit-Covid, considerado ineficaz. “Ela é responsável pela morte de pessoas que eu conheço, conheci porque, em vez de levar um tratamento digno ao povo do Amazonas, ela levou lá o tratamento precoce”, argumentou o parlamentar na abertura dos trabalhos.

 

Também foi aprovado nesta terça-feira, o requerimento que pede a quebra dos sigilos bancário, fiscal e eletrônico do deputado Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo Bolsonaro na Câmara. Após o deputado Luis Miranda (DEM-DF) mencionar o nome de Barros na CPI, ao ser informado por irregularidades na negociação da vacina Covaxin.

 

A reconvocação do militar da reserva, Elcio Franco, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde e atual assessor da Casa Civil também foi aprovada nesta terça-feira.

 

O primeiro a ser ouvido foi o reverendo Amílton Gomes de Paula, fundador da Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah), uma entidade privada, que negociava a venda da vacina Astrazeneca em nome do governo brasileiro. Ele é investigado por negociar 400 milhões de doses de vacina, com propina de 1 dólar por dose.

 

O nome do reverendo veio à baila durante o depoimento do policial militar Luiz Paulo Dominguetti, que se apresentou como representante da empresa Davatti Medical Suplly, empresa que atuaria como intermediária na compra de vacinas. O PM revelou que participou de reuniões no Ministério da Saúde, chanceladas pelo reverendo. Na sessão desta terça-feira, o reverendo chorou e até pediu desculpas. Reconheceu o envio de emails pela Senah, negociando vacinas com 20 cidades pertencentes à Associação dos Municípios do Acre (AMAC), conforme informação revelada pela jornalista Renata Agostini da CNN. O papel de intermediação exercido pelo Reverendo Amílton Gomes de Paula que já foi filiado ao PSL, e que disse não conhecer Jair Bolsonaro na CPI nesta terça-feira, 03 de agosto, é no mínimo confuso.

 

Outros cinco requerimentos foram retirados, um deles que pedia a convocação do ministro da Defesa, Braga Netto. No total, foram aprovados 130 requerimentos nesta terça-feira.