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Contribuições dos povos indígenas ao Brasil e ao mundo

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Contribuições dos povos indígenas ao Brasil e ao mundo faz uma síntese do que você precisa saber sobre os povos indígenas do Brasil nos dias de hoje

 

 

Na história oficial do Brasil, contada nos livros didáticos das escolas ou mesmo na literatura especializada, não aparece nenhum feito ou contribuição significativa dos povos indígenas à formação da nação brasileira. Isso porque os povos indígenas sempre foram considerados sem cultura, sem civilização ou qualquer tipo de progresso material.

 

Aliás, circula ainda hoje entre pessoas bem escolarizadas a ideia de que os índios representam barreiras e empecilhos para o progresso e o desenvolvimento da nação. Mesmo alguns índios afirmam, por vezes, que precisam ser ensinados pelos brancos civilizados para que posteriormente possam contribuir para o desenvolvimento socioeconômico do país.

 

 

Esquecem, ou mesmo ignoram, por força da ideologia incorporada do pensamento preconceituoso dos brancos, com quantas tecnologias, conhecimentos e valores os povos indígenas contribuíram para a construção e a formação do povo brasileiro. Ou será que se esqueceram de como os primeiros portugueses aprenderam a sobreviver em terras totalmente desconhecidas?

 

 

A primeira contribuição dos povos indígenas teve início logo após a chegada dos portugueses às terras brasileiras. Os índios pacificados e dominados ensinaram a eles as técnicas de sobrevivência na selva,  como lidar com várias situações perigosas nas florestas, e como se orientar nas expedições realizadas.

 

 

Em todas as expedições empreendidas pelos desbravadores e colonizadores portugueses, lá estavam os índios como guias e serviçais, conforme atestam vários registros documentais da época. Ao longo de toda a história da colonização brasileira, os povos indígenas estiveram presentes, ora como aliados na expulsão de outros invasores estrangeiros, ora como mão-de-obra nas frentes de expansão agrícola ou extrativista.

 

 

Do ponto de vista sociocultural, hoje é aceito oficialmente o fato de que o povo brasileiro é formado pela junção de três raças: a indígena, a branca e a negra. Mas não foi somente no aspecto biológico que os índios contribuíram para a formação do povo brasileiro como o senso comum faz crer, mas principalmente do ponto de vista cultural e religioso.

 

 

E assim poderíamos continuar enumerando várias contribuições importantes dos povos indígenas ao Brasil e ao mundo. Ao olharmos para a realidade presente, percebemos que essas contribuições aumentaram de importância, mesmo sem ou com pouco reconhecimento por parte da sociedade global e nacional. Basta observarmos as riquezas estratégicas que se encontram nos territórios indígenas, dos quais eles são não apenas donos, mas principalmente guardiões e aguerridos defensores.

 

 

A principal delas, e com a qual os povos indígenas contribuem para a riqueza socioeconômica do país, é a megabiodiversidade existente em suas terras, que representam quase 13% do território brasileiro, a maior parte totalmente preservada.

 

 

Fotos de satélites mostram que as terras indígenas são verdadeiras ilhas de florestas verdes rodeadas por pastos e cultivos de monoculturas, com a predominância da soja. Esta não é apenas uma riqueza dos índios, mas de todos os brasileiros e dos viventes do planeta, na medida em que são florestas que contribuem para amenizar os graves desequilíbrios ambientais da Terra nos tempos atuais. Por essa razão, o Brasil e o mundo deveriam contribuir para que os povos indígenas continuassem a proteger essa imensurável riqueza vital.

 

 

Por fim, os povos indígenas brasileiros constituem ainda uma riqueza cultural invejável para muitos países e continentes do mundo. Somos 305 etnias  povos étnicos falando 274  línguas.

 

 

São poucos os países que possuem tamanha diversidade sociocultural e étnica. Por tudo isso, o Brasil e o mundo precisam olhar com mais carinho para os povos indígenas e vê-los não como vítimas ou coitadinhos pedindo socorro, mas como povos que, além de herdeiros de histórias e de civilizações milenares, ajudaram a escrever e a construir a história do Brasil e do planeta com seus modos de pensar, falar e viver.

 

NOTA DA REDAÇÃO – Texto enviado por Gasodá Suruí, líder indígena de Rondônia. Mensagens enviadas  pela leitora Rosenilda Freitas informam que o texto é do Professor Dr. Gersem Luciano, indígena do povo Baniwa, do Alto rio Negro, Amazonas. Agradecemos a informação e fazemos a correção. O texto acima é, conforme informação envida por Rosenilda, um excerto  do livro “O Índio Brasileiro: o que você precisa saber sobre os povos indígenas no Brasil de hoje. “Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade; LACED/Museu Nacional, 2006.

 

 

GERSEM BANIWA

Gersem José dos Santos Luciano é indígena do povo Baniwa, de São Gabriel da Cachoeira (AM). Graduado em Filosofia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) (1995) e mestre em Antropologia Social pela Universidade de Brasília (UnB)(2006). Foi secretário municipal de educação de São Gabriel da Cachoeira, co-fundador da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN). Atualmente é coordenador geral de Educação Escolar Indígena da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad) do Ministério da Educação (MEC), diretor-presidente do Centro Indígena de Estudos e Pesquisa (CINEP) e professor do curso de Licenciatura Específica Formação de Professores Indígenas da UFAM.

 

Gersem Baniwa é um importante ator individual da controvérsia. Formado na pós-graduação por intermédio da ação afirmativa de concessão de bolsas individuais da Fundação Ford (International Fellowship Program – IFP), o acadêmico Baniwa vêm ajudando a criar e realizar uma série de ações afirmativas de ensino superior destinada aos povos indígenas, através de sua participação no MEC como conselheiro do Conselho Nacional de Educação (CNE) no período de 2006 a 2008 e a partir de 2009 como coordenador de Educação Escolar Indígena da Secad; e também através de seu vínculo com o Projeto Trilhas de Conhecimentos (PTC) e com o CINEP, do qual é sócio fundador e atualmente diretor-presidente.

 

Em 31 de outubro de 2010, o acadêmico indígena defendeu sua tese de doutorado pela UnB, intitulada “Escola Indígena para manejo e domesticação do mundo: os desafios da educação escolar indígena no Alto Rio Negro”.

 

Fontes: Bio de Gersem Baniwa extraída do site Ensino Superior Indígena: www.ensinosuperiorindigena.wordpress.com Site do CINEP  Curriculum Lattes

 

 

 

Dados do IBGE sobre os povos indígenas no Brasil

 

O Brasil tem 896,9 mil indígenas em todo o território nacional, somando a população residente tanto em terras indígenas (63,8%) quanto em cidades (36,2%), de acordo com o Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).

 

O Censo 2010 investigou pela primeira vez o número de etnias indígenas, encontrando 305 etnias: 250 dentro das terras indígenas, 300 fora delas. Do total de indígenas declarados ou considerados, 672,5 mil (75%) declararam o nome da etnia, 147,2 mil (16,4%) não sabiam e 53,8 mil (6%) não declararam. A maior etnia é a Tikúna, com 6,8% da população indígena.

 

Também foram identificadas 274 línguas, sendo a Tikuna a mais falada (34,1 mil pessoas). Dos 786,7 mil indígenas de 5 anos ou mais, 37,4% falam uma língua indígena e 76,9% falam português. http://www.ibge.gov.br/ Contribuição da professora Rosângela Azevedo Corrêa, da Universidade de Brasília – UnB, a quem agradecemos.

 

Reprodução da Revista Xapuri

 

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